Sargentos da PM no AC que assumiram trisal com administradora dizem receber apoio; veja vídeo

14 de junho de 2021 at 21:59

Relacionamento dos sargentos da Polícia Militar Alda e Erisson Nery com a administradora Darlene Oliveira começou há quase um ano. Neste sábado, eles passaram o primeiro dia dos namorados juntos.

Por Alcinete Gadelha, G1 AC — Rio Branco

14/06/2021 12h51  Atualizado há 5 horas


Trisal fala da repercussão após assumir poliamor

Trisal fala da repercussão após assumir poliamor

Mesmo em meio ao preconceito, o trisal de Brasileia, interior do Acre, garante que recebe mensagens de apoio e até relatos de pessoas que levam o mesmo estilo de vida, também conhecido como “poliamor” (assista ao vídeo acima).

Alda e Erisson Nery são sargentos da Polícia Militar e já eram casados quando conheceram a administradora Darlene Oliveira. Neste sábado (12), eles passaram o primeiro dia dos namorados juntos.

“A princípio, temos mais apoio. Claro que existe o preconceito, o ódio. Mas a gente abstrai”, disse Erisson ao G1.

Juntos, os três assumiram a relação há quase um ano. Mais recentemente, há cerca de seis meses, eles criaram um perfil em uma rede social para divulgar como é a vida que escolheram.

“Inclusive, a gente não apaga da página os comentários contrários, pejorativos, maldições e condenações ao inferno. Alguns respondemos, outros não. Aumentou muito a questão dos seguidores e audiência da página. Estamos com mais de 15 milhões de impressões, apesar de ter só 33 mil seguidores”, completou ele.

A história do trisal começou em 2000, com o casamento dos militares Alda e Erisson. Eles são pais de dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos. Darlene se juntou a eles mais recentemente, em 2020. Segundo o trisal, a administradora é um elo importante da relação, que é mantida na base do respeito, do amor e da lealdade.

O trisal decidiu morar juntos há cerca de seis meses. A iniciativa, contam, serviu de inspiração para que mais pessoas compartilhassem depoimentos parecidos.

“Muita gente, inclusive, veio se abrir com a gente falando que vive a mesma situação, só que tem medo desse preconceito que a gente está passando, tem medo do abandono da família, do repúdio. A gente ouve diariamente muitos depoimentos, principalmente de mulheres, que são a maioria dos nossos seguidores”, conta Alda.

Segundo eles, ser inspiração para outros trisais é o que os fortalecem contra o preconceito que enfrentam.

Antes de criarem o perfil no Instagram, o trisal já tinham uma página no YouTube. “A gente já tinha aprendido a lidar com isso, quando criamos um canal no YouTube e tem muita gente que não gosta da polícia. Os [comentários] positivos são sempre bem-vindos, os contrários a gente abstrai. Alguns são muito pesados e a gente responde de uma forma aceitável para rede social. Aqui [no Instagram] se torna mais fácil para nós, porque quando um fica pilhado, os outros dois vão lá e apoiam”, afirma o sargento Erisson.

Relacionamento dos sargentos da Polícia Militar Alda Nery, Erisson Nery e a administradora Darlene Oliveira, começou há quase um ano — Foto: Arquivo pessoal

Relacionamento dos sargentos da Polícia Militar Alda Nery, Erisson Nery e a administradora Darlene Oliveira, começou há quase um ano — Foto: Arquivo pessoal.

Reação no comando

Erisson conta que ele e Alda seguem “o profissionalismo acima de tudo” na corporação. Segundo eles, até o momento não houve qualquer tipo de manifestação.

“A princípio, o Comando não se manifestou. Inclusive, a gente separou da outra página onde a gente fala sobre a nossa profissão para desvincular a imagem de militar do relacionamento. Durante o serviço, somos profissionais e quando trabalhamos juntos, lá ela é minha comandante e a trato como minha comandante, presto as devidas continências e obedeço todas as ordens. Enfim, há o profissionalismo acima de tudo. Lá no quartel não somos casados, é a sargento Alda e o sargento Nery. Assim que sempre foi e assim que sempre vai ser”, explica ele.

O Comando da PM no Acre informou que a instituição não vai se pronunciar externamente sobre o assunto.

Alda, Erisson e Darlene comemoram o primeiro dia dos namorados juntos — Foto: Daniel Cruz/arquivo pessoal

Alda, Erisson e Darlene comemoram o primeiro dia dos namorados juntos — Foto: Daniel Cruz/arquivo pessoal

Como a história começou

Antes de se unirem como trisal, foi Alda quem tomou a iniciativa e começou a conversar com Darlene em uma rede social. A administradora estava em um relacionamento e, até então, a conversa era de amizade. Mas, com o fim do relacionamento, os três começaram e desde então, não se separaram mais.

Alda relembra que, antes disso, passou por um processo de descoberta durante o casamento com Erisson. “Eu já sabia que gostava de mulher também, só que essa descoberta só veio depois que casei. O Erisson Nery era bem mais experiente e percebeu algumas coisas em mim. Foi ele quem viu que eu gostava de mulher.”https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Depois disso, Alda conta que se relacionou com outras duas mulheres, só que as relações não foram duradouras. “Eu tinha decidido que não ficaria mais, porque teve uma moça com quem fiquei e ela ficou muito ciumenta e queria que eu terminasse meu casamento. Então, decidi não ficar mais porque elas não iriam aceitar que sou casada e [iriam] querer acabar com meu relacionamento e eu não quero.”

Foi por causa dessas situações que Alda desistiu de manter outro relacionamento. Foram pelo menos três anos até conhecer Darlene. “Quando vi a foto dela, falei para o Nery que, na cidade, a única pessoa com que ficaria, seria ela.”

Meses depois de iniciar o relacionamento a três, eles decidiram morar juntos na mesma casa. O convite foi feito por Alda, quando ela e Nery iam fazer uma mudança. “Perguntei porque ela [Darlene] não entregava o apartamento [dela, para se juntar a eles] e foi assim. Estamos morando juntos há seis meses.”

Sargentos da PM assumem trisal e divulgam rotina no interior do Acre

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Reação da família

Ao G1, Alda conta que o relacionamento é algo leve entre eles e com os filhos. Muitos alimentam “preocupações” sobre os filhos, mas ela afirma que eles foram criados para respeitar as pessoas.

“As pessoas estão criando filhos preconceituosos, intolerantes que não respeitam a decisão e a sexualidade dos outros, o amor dos outros. Criei meus filhos para respeitar as pessoas e amá-las, respeitar suas escolhas e levar em consideração o caráter das pessoas.”https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Durante a conversa com o G1, Darlene preferiu não falar.

Sobre a melhor parte da relação, Erisson disse que isso se resume em estar perto de quem se ama.

“A melhor parte é viver e conviver com quem você ama. Embora seja dureza aí fora no mundo [lidar com] o preconceito das pessoas, para nós estarmos juntos supera tudo isso. E a gente gosta de poder expor isso. O intuito da página não era essa exposição toda, mas mostrar que outras formas de amor são possíveis. É possível a gente amar, respeitar, ter fidelidade e lealdade em uma relação como esta” , diz.

Alda afirma que eles são parceiros e isso se deve a ligação que mantêm por serem parecidos em vários aspectos. “A gente se dá bem em todas as formas possíveis. No nosso dia a dia, sexualmente, intelectualmente, no nosso pensamento, em todas as formas.”

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Sonho

Juntos, os três vivem um poliamor e para eles o maior sonho é poder viver o “juntos para sempre”. Eles afirmam que não têm vontade de oficializar a relação e que querem somente continuar juntos.

“No nosso entendimento, nossa relação é totalmente oficializada. Temos consideração, lealdade e fidelidade. Nosso sonho não é casar, nosso é viver juntos a maior quantidade de tempo possível, os três juntos, mesmo com toda a hipocrisia ao nosso redor”, pontua Alda.

“Nosso propósito, de quando casamos, Alda e eu, é o mesmo agora. Permanecemos e queremos viver os três juntos, é o ‘para sempre’. Hoje em dia as pessoas estão desacreditadas nas relações e já começam pensando em terminar e dizem: ‘qualquer coisa eu termino, qualquer coisa separo’. E não é esse nosso objetivo. Começamos a relação pensando no ‘para sempre’ e cada um pensando na felicidade dos outros. Muita gente pensa em perda e divisão e aqui ninguém perde nada, estamos somando as três vidas, todo mundo sai ganhando”, conclui Nery.

ATENÇÃO!

14 de junho de 2021 at 20:15

16 novos radares são ativados na Grande Belém; veja pontos

Os controladores de velocidade foram instalados pelo Departamento de Trânsito do Estado (Detran) e entraram em operação nesta segunda-feira (14)

 segunda-feira, 14/06/2021, 15:42 – Atualizado em 14/06/2021, 17:20 –  Autor: DOL


Imagem ilustrativa da notícia 16 novos radares são ativados na Grande Belém; veja pontos | Divulgação Agência Pará .

Os 16 controladores de velocidade instalados pelo Departamento de Trânsito do Estado (Detran) em Marituba, entraram em operação nesta segunda-feira (14). Com isso, os condutores de veículos que passarem pelo município devem redobrar a atenção para não ultrapassar a velocidade permitida de 60 km.

Os radares estão instalados ao longo da BR-316, do quilômetro 10 ao 16, sendo 8 equipamentos fixos em cada lado da via. Todos já foram aferidos e liberados pelo Instituto de Metrologia do Pará (Imetro).

Para alertar os condutores sobre a presença dos equipamentos em Marituba, o Detran realizou autuações educativas, no período de 27 de maio a 13 de junho. Os motoristas receberam um comunicado informando sobre as infrações, no entanto nenhuma delas será validada, uma vez que o objetivo era apenas adaptar a população ao novo método de registro de infração.

A autuação passa a valer oficialmente a partir de hoje. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quanto mais acima da velocidade máxima o condutor estiver, maior será o valor da multa, que pode variar entre R$ 130,16 e R$ 880,41, além de pontuação na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e suspensão do direito de dirigir.

A instalação de radares na BR-316 objetiva disciplinar a conduta dos motoristas em área de grande circulação de pessoas e veículos e também onde há maior registro de acidentes. Em Marituba, foram registrados 321 acidentes e 9 mortes em 2020.

“Nosso objetivo é reduzir esses índices e mostrar à população que obedecer aos limites de velocidade é um ato de responsabilidade com a preservação da vida no trânsito”, ressalta o diretor técnico-operacional do Detran, Bento Gouveia.

Os equipamentos vão funcionar em tempo integral (24 horas por dia) para fiscalizar infrações causadas por velocidade superior à máxima permitida para o local. Já as infrações para quem ultrapassar no sinal vermelho do semáforo e parar sobre a faixa de pedestres na mudança do sinal luminoso serão autuadas somente entre 6h e 22h.

Renova Mídia divulga pesquisa realizado pela Paraná Pesquisas

14 de junho de 2021 at 16:22

PLANO DE IMUNIZAÇÃO

14 de junho de 2021 at 15:50

Belém pode vacinar pessoas a partir de 50 anos nesta semana

Governador Helder Barbalho anunciou que está organizado com o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, um plano para iniciar a imunização da população a partir desta faixa etária até sexta-feira (18).

 segunda-feira, 14/06/2021, 15:06 – Atualizado em 14/06/2021, 15:06 –  Autor: DOL


O governador Helder Barbalho e o prefeito Edmilson Rodrigues organizam a estratégia. O governador Helder Barbalho e o prefeito Edmilson Rodrigues organizam a estratégia. | Agência Pará .

Todo avanço da vacinação contra a covid-19 é um motivo de comemoração, já que a imunização é a principal estratégia de combate à doença no mundo. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, maior a segurança de toda a população.

Em Belém, a vacinação pode dar passos largos. Isso porque o governador Helder Barbalho anunciou nesta segunda-feira (14), nas redes sociais, que o Estado está organizando uma estratégia junto com a prefeitura de Belém para iniciar a vacinação de toda a população com 50 anos ou mais da capital paraense até a sexta-feira (18).

https://twitter.com/helderbarbalho?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1404484082491441156%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es2_&ref_url=https%3A%2F%2Fdol.com.br%2Fnoticias%2Fpara%2F657897%2Fbelem-pode-vacinar-pessoas-a-partir-de-50-anos-nesta-semana

vacinar-pessoas-a-partir-de-50-anos-nesta-semana.

O governador já havia falado em outra oportunidade que o planejamento é vacinar toda a população adulta do Estado com a primeira dose até setembro deste ano.

Nesta segunda-feira, a prefeitura de Belém iniciou um novo calendário de vacinação, com novos públicos apto a receber o imunizante. Ainda não há informações se o calendário sofrerá alterações após a reunião entre Governo do Estado e Prefeitura.

https://www.instagram.com/p/CP9PuAiNwIF/?utm_source=ig_embed&ig_rid=df6fbaf1-a0d3-4ad6-9b00-30054ea53025

O que é ser pansexual? Especialistas explicam conceito que existe desde Freud

13 de junho de 2021 at 12:59
Ver a imagem de origem

Foto: Bella Thorne/ Goolgle

Bella Thorne afirmou em entrevista que se considera pansexual

O conceito de pansexualidade existe desde a época de Sigmund Freud, mas foi preciso que estrelas como Miley Cyrus, e mais recentemente Bella Thorne, trouxessem o assunto à tona e torná-lo moda novamente no século 21.

A palavra pansexual está entre os termos mais pesquisados no Google, desde que a estrela pop se declarou pansexual em uma entrevista para a revista “Paper”.

Ela disse: “Estou aberta a tudo que envolva consentimento, que não envolva um animal e desde que todos sejam maiores de idade. Qualquer coisa, que seja legal, está bom para mim. Concordo em experimentar com qualquer adulto, qualquer pessoa com mais de 18 anos que queira me amar. Não me identifico como menino ou menina e não preciso que meu parceiro se identifique como menino ou menina”.

“Eu gosto de garotas sexy, gosto de caras sexy”, disse Thorne. “Eu gosto de sensualidade em geral, sabe?”.

Especialistas e sociólogos dizem que essas descrições resumem a interpretação contemporânea do pansexual, que às vezes pode ser chamado de omnisexual. É quase a descrição mais ampla possível de por quem você se sente sexualmente atraído, o que é exatamente o que chama a atenção de uma geração mais jovem, que se sente confortável com a fluidez de gênero e que não gosta muito de rótulos.

Você ainda está confuso? Aqui estão algumas informações para começar:

Pansexual se refere à atração sexual

O termo pansexual é composto pelo prefixo pan-, que significa tudo e a palavra sexualidade, que indica que as pessoas que se consideram pansexuais não restringem sua sexualidade ao gênero oposto (heterossexualidade), ao mesmo gênero (homossexualidade) ou gêneros binários, masculino e feminino (bissexualidade).

A origem do termo pansexual é geralmente encontrada no pansexualismo, um termo popularizado por Sigmund Freud no início do século 20 e usado para descrever a visão de que a maioria dos comportamentos humanos deriva de instintos sexuais, explicou Justin R. Garcia, professor assistente de Estudos de Gênero e pesquisador do Instituto Kinsey da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.

A maioria dos cientistas comportamentais, da atualidade, não acredita que tudo o que fazemos tem base sexual. No entanto, o trabalho de Freud levantou questões importantes sobre a direção dos desejos sexuais, disse Garcia. Além disso, ele nos deu uma palavra que evoluiu ao longo do tempo.

Atualmente, o termo pansexual é usado para descrever uma atração romântica ou sexual focada em qualidades ao invés de sexo ou gênero. Em outras palavras, alguém que se considera pansexual é capaz de se sentir atraído por vários sexos e identidades de gênero, disse David Bond, vice-presidente de programas do Trevor Project, um grupo de intervenção em crises LGBT.

“Talvez tenha a ver com a pessoa por quem você sente algo, ou por quem se sente atraído e esses dois fatores podem ser paralelos ou diferentes”, disse ele.

Pansexual é diferente de bissexualidade

Bissexualidade se refere a pessoas que se sentem atraídas por homens e mulheres. À medida que mais e mais pessoas se enquadram em algum ponto do espectro entre homens e mulheres, a pansexualidade surgiu como uma categoria que inclui todas as outras.

“As pessoas estão aderindo porque bissexual participa do gênero binário. Pansexualidade é uma maneira de superar isso e um reconhecimento pessoal de que existem atrações em toda a gama de gêneros”, escreveram Patricia Johnson e Mark Michaels, autores do livro “Designer Relationships: A Guide to Happy Monogamy, Positive Polyamory and Optimistic Open Relationships”.

“Embora seu alcance e aplicação sejam amplos, também tem a vantagem de referir-se a toda uma gama de atrações, ao invés de se apegar à ideia de que a atração só pode ser pelo mesmo sexo, pelo sexo oposto ou por ambos. Essa qualidade inclusiva lhe dá um significado muito específico”.

Algumas pessoas preferem isso em vez da bissexualidade porque abrange atração por homens, mulheres, pessoas trans e pessoas intersex (aqueles nascidos com um sexo que não se encaixa nas definições típicas de homem ou mulher).

No entanto, alguns especialistas em sexualidade afirmam que o termo bissexualidade também inclui essas categorias, então a distinção entre pansexual e bissexual permanece aberta à discussão e nenhum consenso foi alcançado sobre o termo mais apropriado.

Pansexual não é algo novo, mas está na moda novamente

O termo tende a entrar na consciência do público por meio de celebridades e a cantora pop Miley Cyrus é quem conquistou o título mais recentemente.

A estrela pop seguiu o exemplo de outras pessoas notáveis, que recentemente se tornaram pansexuais, incluindo a personalidade transgênero do YouTube Jazz Jennings e a legisladora texana Mary Gonzalez.

Os especialistas atribuem a popularidade crescente do termo, especialmente entre os ‘millennials’ e a Geração Z, à crescente aceitação da diversidade sexual e de gênero, bem como às normas de gênero neutras.

“É uma palavra ampla e isso ocorre porque as pessoas querem liberdade para se identificarem da maneira que quiserem, sem que ninguém as rotule”, disse Michael Aaron, psicoterapeuta e terapeuta sexual.

“Tem certa ressonância cultural porque é muito amplo e permite grande flexibilidade e liberdade de decisão”.

(Texto traduzido, leia original em espanhol aqui)

MAIS UMA VEZ

13 de junho de 2021 at 10:27

Caso “dinheirinho”: Conselho do MP barra arquivamento

Escândalo envolvendo Izabela Jatene, filha de Simão Jatene, teve o arquivamento recusado pelo Conselho Superior do Ministério Público.

 domingo, 13/06/2021, 09:43 – Atualizado em 13/06/2021, 09:43 –  Autor: Ana Célia Pinheiro


Imagem ilustrativa da notícia Caso “dinheirinho”: Conselho do MP barra arquivamento | Reprodução Ouça esta reportagem https://audio.audima.co/iframe-thin-local.html?skin=thin&statistic=false

OConselho Superior do Ministério Público do Pará (MP-PA) recusou, mais uma vez, o arquivamento do escândalo do “dinheirinho” de Izabela Jatene, filha do ex-governador Simão Jatene. Foi a quinta tentativa de encerrar o caso, três delas realizadas pelo promotor Rodier Barata de Ataíde, da 4ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa. Em 2019, ele foi alvo de críticas públicas pelo procurador de Justiça Hamilton Salame, porque, durante dois anos, quase nada teria feito para investigar o caso, levando a que quase prescrevesse. A decisão do Conselho de não homologar o arquivamento e designar outro promotor para o caso é do último dia 9 e foi unânime. Além disso, a Corregedoria do MP-PA vai analisar a possibilidade de “supressão de produtividade” de Rodier, uma pontuação para eventual promoção funcional. Em 2019, depois de tentar arquivar a investigação pela primeira vez, ele teria sido até “promovido” pelo então Procurador Geral de Justiça (PGJ), Gilberto Martins, nomeado duas vezes para o cargo pelo pai de Izabela.

Simão Jatene
Simão Jatene Ricardo Amanajás

A investigação do “dinheirinho” de Izabela se arrasta há quase 7 anos. O caso explodiu em 2014, quando o DIÁRIO recebeu uma gravação bombástica: um diálogo telefônico no qual Izabela, então coordenadora do Propaz, pedia ao então subsecretário de Administração Tributária da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), Nilo Noronha, a relação das trezentas maiores empresas paraenses, para “começar a buscar esse dinheirinho deles”.

O diálogo havia sido gravado pela Polícia Civil, em 2011, durante uma série de interceptações telefônicas, com ordem judicial, para investigar o sequestro de um empresário. O gerente da fazenda de Nilo integrava a quadrilha. Assim, Nilo acabou grampeado também, depois de receber um telefonema de seu funcionário. Na época, a polícia não fazia ideia de que os dois naquele diálogo eram a filha do governador e o subsecretário da Fazenda. Mas quando descobriu, o caso virou alvo de uma “operação abafa”, no Sistema de Segurança Pública.

Em 23 de setembro de 2014, após a reportagem do DIÁRIO, o então deputado federal Edmilson Rodrigues, hoje prefeito de Belém, protocolou denúncia no MP-PA. Quem primeiro investigou o caso foi o promotor Firmino Matos, que instaurou um Inquérito Civil, em outubro. Ele pediu informações à Sefa, requisitou esclarecimentos à Izabela, enviou ofícios à Justiça, inclusive à Corregedoria das Comarcas do Interior do Tribunal de Justiça do Pará (TJE). Com isso, acabou até obtendo uma cópia dos grampos policiais, nos quais estaria o diálogo do “dinheirinho”. Mas, nove meses depois, em junho de 2015, Firmino foi removido da 4ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa, onde ocorria a investigação. A promotora Elaine Castelo Branco assumiu o lugar dele, mas permaneceu poucos meses. Já em 05 de dezembro de 2016, a apuração acabou nas mãos de Rodier Barata de Ataíde, o titular daquela Promotoria. Aí, o inquérito praticamente parou, segundo afirma o procurador de Justiça Hamilton Salame.

Em 13 de novembro de 2019, durante uma reunião do Conselho Superior do MP-PA, Salame disse que, passados 5 anos da instauração do inquérito, dois deles nas mãos de Rodier, não haviam sido realizadas diligências básicas de uma investigação, como tomar os depoimentos de Izabela e Nilo. Também não se havia mandado periciar a gravação do “dinheirinho”, que o promotor Firmino Matos obtivera. Idem para as movimentações bancárias e declarações de Imposto de Renda de Izabela e Nilo, que também não haviam sido solicitadas ou requisitadas. Mesmo assim, Rodier determinara o arquivamento do inquérito, porque não encontrara provas ou indícios de improbidade administrativa. Quando a decisão chegou ao Conselho Superior, Salame, o relator do caso, foi contra a homologação. Os integrantes do Conselho acompanharam o voto dele e mandaram realizar todas aquelas diligências que Rodier não realizara. Segundo Salame, ao longo de quase 2 anos, o promotor se limitara a anexar aos autos alguns documentos, como a cópia de uma notícia de jornal; inserir um protocolo e responder a um pedido de informações.

Rodier também teria resolvido arquivar o caso sem notificar Edmilson. Mas quando o processo chegou ao Conselho, Salame percebeu que não havia qualquer documento provando que Edmilson fora notificado. Com isso, o Conselho mandou devolver o processo a Rodier, para que ele realizasse diligências para localizar Edmilson. Só que ele considerou Edmilson como não localizado e mandou afixar um Aviso no quadro de avisos de um prédio do MP-PA. Pouco depois, reenviou o processo ao Conselho, para a homologação do arquivamento. Mas, novamente, foi barrado por Salame e pelo Conselho, que determinou que ele intimasse Edmilson através do Diário do Oficial. Só então, Rodier enviou uma correspondência ao gabinete do então deputado, em Brasília.

Em 2014, quando o governador era Jatene, Izabela nem deu bola para o pedido de informações do promotor Firmino Matos, que comandava as investigações. Em 11 de março do ano passado, com o pai fora do governo, ela prestou depoimento ao MP-PA. Disse que pediu a Nilo a lista das trezentas empresas porque havia “um planejamento de, no futuro, buscar doações para um fundo que se objetivava criar, o qual permitisse ampliar, com capital privado, as ações desenvolvidas pelo Propaz (…)”. Disse, ainda, que ao afirmar que pretendia “buscar dinheirinho das empresas” se referia “a captar pequenas quantias que, juntas, pudessem permitir futuros financiamentos de projetos sociais do Propaz (..)”. E que, quando afirmou “pra gente começar”, queria dizer o Poder Público.

Procuradora diz que homologação seria prematura

Quem tomou o depoimento de Izabela foi o promotor Daniel Azevedo, que também viria a determinar o arquivamento do caso. No entanto, também ele foi barrado pelo relator, Hamilton Salame, que entendeu, no final do ano passado, que ainda não haviam sido cumpridas duas diligências determinadas pelo Conselho, naquela reunião de 2019. Entre elas, uma perícia contábil pelo Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI) do MP, com o exame da evolução patrimonial, entre 2011 e 2014, de Izabela e Nilo, após a quebra dos sigilos bancários e fiscais deles dois. A relatoria do caso já não pertence a Salame: está nas mãos da procuradora Maria do Socorro Mendo. Mas, na sessão do Conselho Superior do último dia 9, foi dela o voto contrário ao arquivamento, aprovado à unanimidade pelos demais conselheiros.

Socorro disse que a homologação seria “prematura”, já que o GATI ainda não conseguiu analisar a evolução patrimonial de Izabela: faltam as declarações de Imposto de Renda do ex-marido dela, Ricardo Souza, nas quais estão os seus bens, direitos e obrigações. Os documentos foram solicitados pelo MP no último 24 de fevereiro, mas ainda não chegaram ao GATI. Segundo o advogado de Izabela, porque ela “não tem mais acesso a ele (Ricardo)”. No entanto, segundo Socorro, também não foi analisada a evolução patrimonial de Nilo Noronha. “São diligências que foram deferidas por este Conselho e que não foram, na sua totalidade, realizadas. Dessa forma, ainda pairam dúvidas a respeito do cometimento ou não dos supostos atos de improbidade administrativa, por ventura perpetrados pelos investigados nesse inquérito civil

Ela pediu celeridade do andamento das investigações, tendo em vista o tempo decorrido, e lembrou que já se passou um ano e meio desde que o Conselho determinou tais diligências. Agora, resta saber quem será o novo promotor do caso. Rodier Barata, que ocupava cargo comissionado, reassumiu a 4 Promotoria de Improbidade, no último dia 12, após o fim do mandato do ex-PGJ, Gilberto Martins, e já no dia 30 enviou um documento ao Conselho “encerrando” a sua participação nas investigações e pedindo que o órgão homologasse ou não, de uma vez por todas, o arquivamento.Conteúdo Relacionado.

VERBAS

13 de junho de 2021 at 08:57

Governo Bolsonaro desviou R$ 52 milhões da Covid-19

O desvio é constado com base em cruzamento de dados enviados pela Secom à Folha, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), e à CPI da Covid no Senado, além de requerimentos de informação entregues à Câmara.

 domingo, 13/06/2021, 07:47 – Atualizado em 13/06/2021, 07:47 –  Autor: FOLHAPRESS


Os informes também trataram de ações relacionadas ao Bolsa Família, ao auxílio emergencial, à suspensão de pagamento da conta de luz e aos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Os informes também trataram de ações relacionadas ao Bolsa Família, ao auxílio emergencial, à suspensão de pagamento da conta de luz e aos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). | Wilson Dias/Agência Brasil .

Ogoverno Jair Bolsonaro desviou R$ 52 milhões previstos para campanhas com peças informativas sobre o combate ao coronavírus para fazer propaganda institucional de ações do Executivo.

Pela justificativa da MP, o dinheiro reservado à Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) tinha “o objetivo de informar à população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da doença”, mas peças publicitárias entregues à CPI mostram que o dinheiro bancou a divulgação de feitos que rendem dividendos políticos ao presidente, sem referências a medidas preventivas contra a Covid.

O desvio é constado com base em cruzamento de dados enviados pela Secom à Folha, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), e à CPI da Covid no Senado, além de requerimentos de informação entregues à Câmara.

Vídeos de 15 a 30 segundos, áudios e informativos foram veiculados em TV aberta e fechada, rádio, internet e mídia exterior para enaltecer a liberação de recursos para pagamento de salários em micro e pequenas empresas e repasses a estados e municípios.

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“O cuidado com o Brasil e com os brasileiros continua. Liberação de R$ 100 bilhões em crédito para micro e pequenas empresas”, diz uma das campanhas.

Os informes também trataram de ações relacionadas ao Bolsa Família, ao auxílio emergencial, à suspensão de pagamento da conta de luz e aos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). As medidas são do Ministério da Economia.

Há ainda vídeos sobre compra de equipamentos, medicamentos e EPIs (equipamentos de proteção individual), usados por profissionais na linha de frentes. Trata-se, portanto, de realizações do Ministério da Saúde.

“A pandemia do novo coronavírus desafia governos em todo o mundo. No Brasil, nós, do governo federal, trabalhamos para enfrentar o seu avanço e cuidar da saúde da população. Investimos R$ 16 bilhões na compra de respiradores, ventiladores pulmonares, equipamentos de segurança e medicação”, diz uma peça.

O crédito destinado ao órgão então vinculado à Presidência da República —hoje atrelado ao Ministério de Comunicações— seria executado de acordo com a justificativa da MP.

Para realizar as campanhas, a Secom precisou do apoio dos Ministérios da Cidadania e da Saúde, o que prejudicou ações destinadas de fato à saúde pública.

Em requerimento de informação enviado pelo órgão ao deputado Elias Vaz (PSB-GO), a Secom explicou que foi necessária a realização de quatro dos chamados TEDs (termos de execução descentralizada).

Pelo instrumento, o órgão repassou dinheiro às pastas para pagamento de campanhas de divulgação das ações do governo. No entanto, Cidadania e Saúde perderam margem de gastos com publicidade de seu próprio interesse.

A Secom afirmou, em nota, que as campanhas abrangem diversas áreas impactadas pela pandemia.

Já a Saúde, também em nota, disse que as peças contêm orientações de saúde, medidas de prevenção “e outros temas de balanço do governo federal”. Procurado, o Ministério da Cidadania não respondeu.

Como os dois ministérios mantinham contratos ativos com a agência Calia, responsável pela publicidade da Secom, os TEDs foram executados. Dois deles foram pela Cidadania, nos valores de R$ 6 milhões e R$ 5,3 milhões, e dois pela Saúde, de R$ 35 milhões e R$ 6,5 milhões.

“Percebendo o cenário da pandemia de coronavírus e identificando a necessidade de informar a sociedade sobre as ações do governo federal para minimizar os efeitos da crise provocada pelo coronavírus, [a agência] apresentou proposta de campanha publicitária de iniciativa própria”, escreveu, no dia 13 de abril do ano passado, o então secretário especial de Comunicação Social adjunto, Samy Liberman, ao Ministério da Saúde, em ofício obtido pela Folha.

A Secom, segundo ele, considerou a proposta adequada e conveniente, “no entendimento de que cabe ao governo federal manter a população informada acerca das ações governamentais que estão sendo implementadas em virtude das consequências que a pandemia trouxe à realidade de todos”.

À época a Secom era comandada por Fabio Wajngarten, que foi ouvido pela CPI da Covid no mês passado. Um ofício encaminhado à comissão mostra que as campanhas só foram publicadas no canal do YouTube da Saúde em 30 de abril deste ano, três dias depois da instalação da comissão.

Em resposta a outro pedido de TED de Liberman, no dia 3 de julho de 2020, o então secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, alertou que a execução da proposta impactaria o limite contratual para outras campanhas da pasta que seriam realizadas no segundo semestre.

Como exemplo, ele citou ações referentes a estímulo de atividades físicas, aleitamento materno, obesidade infantil, atualização da caderneta de vacinação, pólio, HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis, combate da dengue, doação de órgão e dia mundial contra a Aids.

Questionado pela Folha, o ministério disse que as campanhas Brasil em Movimento, de atividade física, e DST Sífilis Mulheres não foram realizadas no período. Em nota, porém, a pasta disse que o tema contra sífilis para mulheres foi abordado na Campanha de Prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis, no começo de 2020, período anterior à manifestação de Franco.

Já sobre a campanha Brasil em Movimento, disse que “está em fase de desenvolvimento pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) da pasta”.

O Ministério da Saúde afirmou que as campanhas publicitárias realizadas por meios dos TEDs (termos de execução descentralizada) foram pagas com recursos da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social).

“Os vídeos das campanhas publicitárias do governo federal são disponibilizados na plataforma YouTube, prioritariamente nos perfis do órgão responsável pelo assunto, depois de encerrado o período regular de veiculação/divulgação estabelecido na estratégia de cada ação”, afirmou.

A pasta também defendeu que as peças traziam orientações de saúde, medidas de prevenção “e outros temas de balanço do governo federal”. “Por oportuno, esclarecemos que as ações publicitárias realizadas pela Secom no contexto do enfrentamento da pandemia são complementares e se somam aos esforços do Ministério da Saúde”, disse o órgão.

“As ações executadas abordam aspectos transversais que contemplam outras áreas impactadas pela pandemia, a exemplo da econômica, sem prejuízo das ações publicitárias específicas essencialmente de utilidade pública desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, órgão ao qual compete a gestão do assunto.”

Em nota, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) afirmou que as campanhas relativas ao enfrentamento da pandemia, prevenção e vacinação contra a Covid-19 desenvolvidas pelo órgão “são complementares aos esforços do Ministério da Saúde, a quem compete executar campanhas exclusivamente de utilidade pública”.

O órgão também afirmou que as campanhas desenvolvidas pela Secom “abrangem diversas áreas impactadas pela pandemia e informam sobre as medidas adotadas no âmbito do Executivo Federal para mitigar seus efeitos e reduzir os impactos na vida das pessoas”.

De acordo com a Secom, as ações incluem “beneficiários de programas sociais, trabalhadores, empresas e entre outras categorias, considerando o contexto no qual foram realizadas”.

“Nesse sentido, as campanhas desenvolvidas pela Secom com recursos do crédito extraordinário da MP 942 cumprem estritamente os objetivos de informar à população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da doença, uma vez que dão publicidade para as ações e serviços disponíveis para as parcelas da população mais afetadas pela crise sanitária e reforçam as orientações aos cidadãos no combate da pandemia”, afirmou a Secom.

Segundo o órgão, além do conteúdo específico, “as ações contemplam também orientações à população no combate da pandemia. Não há, portanto, que se falar em desvio de objetivos”.

STF nega pedidos para suspender quebras de sigilo de Pazuello e Mayra Pinheiro

12 de junho de 2021 at 21:03

Casos foram julgados pelo ministro Ricardo Lewandowski; segundo ele, quebras foram bem justificadas

Pedidos foram negados por Ricardo LewandowskiFoto: Sérgio Lima/Poder 360

TIAGO ANGELO PODER360
12.jun.2021 (sábado) – 20h18

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou neste sábado (12.jun.2021) pedidos para suspender as quebras de sigilo telefônico e telemático do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e de Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde. A quebra foi autorizada pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid.

Os dois pedidos foram enviados à Corte na 6ª (11.jun). Neles, tanto Pazuello quanto Pinheiro dizem que a CPI não deu justificativas para ter acesso aos dados telefônicos, o que iria contra a jurisprudência do Supremo. Lewandowski discordou. Para o ministro, só haveria ato abusivo por parte da CPI se ficasse demonstrada a falta de pertinência da quebra.

“Como se sabe, as comissões parlamentares de inquérito não são dotadas de quaisquer competências sancionatórias, quer dizer, não têm o poder de punir quem quer que seja. No entanto, desempenham um relevantíssimo papel institucional na elucidação de fatos de interesse da coletividade, sobretudo daqueles que, em condições normais, não viriam ao conhecimento da sociedade ou das autoridades competentes para avaliá-los, segundo as óticas política e jurídica, respectivamente”, pontuou o ministro nas duas decisões.

Lewandowski também destacou que as CPIs fazem investigações de natureza política, bastando fundamentação adequadas para que as quebras de sigilo sejam válidas.

“Do material juntado é possível verificar que o ato questionado justificou-se, dentre outros elementos”, prossegue o ministro. Eis a decisão contra Pazuello (272 KB). Eis a decisão contra Mayra Pinheiro (275 KB).

PEDIDOS

A solicitação em favor de Pazuello foi feita pela AGU (Advocacia-Geral da União). O mandado de segurança diz que a quebra não foi fundamentada e que a decisão da CPI leva em conta somente o fato de Pazuello ter ocupado o cargo de ministro da Saúde. Eis a íntegra (1 MB).

“A justificativa apresentada para a adoção da medida extremada não possui fundamentação idônea e suficiente a amparar a decisão colegiada, pois inexiste a indicação de fato ou ato concreto e específico realizado pelo impetrante, capaz de motivar adequadamente a devassa de seus dados”, afirma a AGU.

O pedido também diz que a Constituição Federal prevê a inviolabilidade das comunicações telefônicas, sendo possível a quebra de sigilo somente durante investigações e processos criminais.

“Saliente-se que o impetrante não figura formalmente como investigado na CPI da Pandemia, tendo comparecido na qualidade de testemunha em duas oportunidades (dias 19 e 20 de maio)”, prossegue a solicitação.

Já Mayra Pinheiro classificou a quebra como uma “indecorosa devassa contra alguém que não cometeu delito algum”. Também afirma que o procedimento é ilegal.

“Não há, por igual, necessidade para a quebra de sigilo. As informações acerca de reuniões, decisões e competências administrativas no Ministério da Saúde podem ser colhidas por outros meios de prova, tais como exame de legislação, do organograma administrativo e de documentos; oitiva de testemunhas, acareações, perícias, etc. Em momento algum, a CPI demonstrou que a medida de que ora se trata (quebra de sigilo) seria indispensável ante o esgotamento de outros meios de prova”, diz.

O STF deve decidir ainda sobre outros 3 pedidos semelhantes. Foram enviados pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, Zoser Hardman, ex-assessor especial do Ministério da Saúde, e Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde da mesma pasta.

QUEBRAS DE SIGILO

Ao todo, a CPI aprovou a quebra de sigilo de 18 pessoas e 3 empresas. Veja a lista completa:

  • Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República;
  • Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores;
  • Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde;
  • Zoser Hardman, ex-assessor especial do Ministério da Saúde;
  • Túlio Silveira, representante da Precisa Medicamentos;
  • Paolo Zanotto, médico;
  • Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Amazonas;
  • Luciano Dias Azevedo, médico;
  • Hélio Angotti Neto, Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em
  • Saúde do Ministério da Saúde;
  • Francisco Ferreira Filho, Coordenador do Comitê da Crise do Amazonas;
  • Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos;
  • Francieli Fontana Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI);
  • Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde;
  • Antônio Elcio Franco Filho; ex-secretário Executivo do Ministério da Saúde;
  • Camile Giaretta Sachetti, ex-diretora do departamento de Ciência e Tecnologia da
  • Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde;
  • Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde
  • Alexandre Figueiredo Costa e Silva Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU);
  • Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde;
  • Empresa PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos
  • Calya/Y2 Propaganda e Marketing
  • Artplan Comunicação

MAU EXEMPLO

12 de junho de 2021 at 15:13

Bolsonaro é multado por não usar máscara em motociata 

O presidente não usou a proteção facial durante um evento na capital paulista

 sábado, 12/06/2021, 12:57 – Atualizado em 12/06/2021, 13:14 –  Autor: FOLHAPRESS


Imagem ilustrativa da notícia Bolsonaro é multado por não usar máscara em motociata  | Carolina Antunes/Presidência da República .

Afalta de postura do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia da Covid-19 não é nenhuma novidade. Em diversos momentos ele já apareceu sem máscara e causando grandes aglomerações, indo totalmente contrário às determinações de saúde sanitária estipuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo João Doria (PSDB), de São Paulo, autuou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste sábado (12) por não usar máscara de proteção facial contra a Covid-19 em evento na capital paulista.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e o ministro da Infraestutura, Tarcísio Gomes, também foram autuados. Os três participaram da motociata que reúne milhares de motocicletas. O ato começou na praça Campo de Bagatelle, em Santana, zona norte de SP.

O Governo de SP afirma que equipes da Saúde e Segurança Pública flagraram os três sem máscara. O valor da autuação é de R$ 552, 71.

“O documento endereçado às três autoridades pontua a necessidade da manutenção das medidas preventivas já conhecidas e preconizadas pelas autoridades sanitárias internacionais, como uso de máscara e distanciamento”, diz a nota.

O presidente já havia sido autuado pelo governo Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, por causar aglomeração e usar máscara de proteção facial em evento em Açailândia (a 560 km de São Luís), no dia 21 de maio.

Prato do ‘chef ‘

12 de junho de 2021 at 13:00

Pero Vaz de Caminha

Mais uma vez o parlamento brasileiro tenta mudar as regras do jogo eleitoral. Sempre que se vê na iminência de uma derrota, inventa uma nova mudança no sentido de conseguir uma vitória ao gosto do freguês. Agora pode acontecer uma nova peripécia chamada de Distritão. Uma beleza para os “caciques” regionais.

FONTE: Bragança Hoje Online