PM de Pernambuco troca de comando três dias depois de ação violenta durante protesto no Recife

1 de junho de 2021 at 21:59

Por meio de nota, o governador anunciou, na noite desta terça (1º), que ‘aceitou a exoneração’ do coronel Vanildo Maranhão. Ele será substituído pelo coronel José Roberto Santana, que era diretor de Planejamento Operacional.

Por G1 PE

01/06/2021 21h16  Atualizado há 23 minutos


Após ação violenta no Recife, comandante da PM de Pernambuco foi exonerado pelo governador, nesta terça (1º)

Após ação violenta no Recife, comandante da PM de Pernambuco foi exonerado pelo governador, nesta terça (1º)

O governo de Pernambuco anunciou, na noite desta terça (1º), a mudança no comando da Polícia Militar. A exoneração do coronel Vanildo Maranhão ocorreu três dias depois de uma ação violenta de PMs que deixou feridos, presos e provocou reação sobre a conduta da tropa, durante protestos contra o presidente Bolsonaro (sem partido), no sábado (29), no Centro do Recife .

O coronel Vanildo Maranhão, segundo o governo, foi substituído pelo coronel José Roberto Santana. O oficial, que ocupava o cargo de diretor de Planejamento Operacional da PM, será nomeado na quarta (2).

Comandante da PM de Pernambuco, coronel Vanildo Maranhão, pediu exoneração, segundo o governo do estado, e deixa o cargo — Foto: Reprodução/TV Globo

Comandante da PM de Pernambuco, coronel Vanildo Maranhão, pediu exoneração, segundo o governo do estado, e deixa o cargo — Foto: Reprodução/TV Globo

Por meio de nota, o estado informou que “o governador Paulo Câmara (PSB) “aceitou o pedido de exoneração” do comandante da Polícia Militar, Vanildo Maranhão, feito no início da noite desta terça-feira”.

Sobre os procedimentos abertos para apurar a conduta dos PMs, o governo disse que “as investigações sobre as responsabilidades das agressões praticadas por policiais militares durante a manifestação ocorrida no último sábado no centro do Recife continuam”.

Por fim, a nota afirma que “há procedimentos investigatórios instaurados pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social e pela Polícia Civil”.

PMs atiraram balas de borracha e gás lacrimogêneo contra participantes de protesto contra Bolsonaro no Recife — Foto: Agência JCMazella/Sintepe/Divulgação

PMs atiraram balas de borracha e gás lacrimogêneo contra participantes de protesto contra Bolsonaro no Recife — Foto: Agência JCMazella/Sintepe/Divulgação

Violência

A ação truculenta deixou pessoas feridas e duas delas tiveram perda parcial de visão. A vereadora Liana Cirne (PT) foi atingida por spray de pimenta no rosto. O cantor Afroito foi preso na manifestação e disse que temeu ser sufocado .

Moradores de prédios do centro acompanharam a violência dos policiais da janela

Moradores de prédios do centro acompanharam a violência dos policiais da janela

Ainda no sábado (29), a vice-governadora Luciana Santos (PCdoB) declarou que o estado não tinha determinado a ação. O governador Paulo Câmara informou, no mesmo dia, que tinha afastado o comandante da ação e policias envolvidos.

No entanto, até esta terça, o estado ainda não tinha divulgado os nomes dos PMs punidos. Na segunda (31), o secretário de Justiça, Pedro Eurico, repetiu que a ordem não partiu do governo e disse que não “há uma Polícia Militar paralela em Pernambuco”.

Antes do anúncio da troca de comando na PM, o secretário de Defesa Social (SDS) esteve, nesta terça, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Ele participou de uma reunião na Comissão de Direitos Humanos. mas saiu sem falar com a imprensa. Para os parlamentares, falta esclarecer de onde partiu a ordem para atirar nos manifestantes.

A presidente do colegiado, Jô Cavalcant , do coletivo Juntas (PSOL), disse que ficaram faltando respostas. O presidente do Legislativo afirmou que o secretário disse que a ordem não teria partido dele, mas não disse que determinou a repressão.

Também nesta terça Também nesta terça, a Associação Pernambucana de Cabos e Soldados deu uma versão da tropa para a ação violenta de sábado.

Presidente da entidade, Albérisson Carlos afirmou que o Batalhão de Choque não “saiu do quartel a seu bel-prazer”. Declarou também que nenhum “policiamento especializado vai para aquele local por vontade própria e que vai porque quem está monitorando sentiu a necessidade”.