LONGEVIDADE
Covid reduz expectativa de vida do paraense em 2 anos
Segundo estudos internacionais, a pandemia fez os cidadãos do Pará terem menor previsão na média de sobrevivência, de 72 para 70 anos
terça-feira, 20/04/2021, 07:22 – Atualizado em 20/04/2021, 07:52 – Autor: Luiza Mello Diário do Pará.
A pesquisa mostra que as mortes por covid reduzem curva da longevidade da população | Wagner Santana .
Se motivos para fugir da covid-19 não faltam, mais um foi constatado e preocupa as pessoas que pensam mais no futuro.
A pandemia do novo coronavírus afeta a expectativa de vida da população brasileira. Após o registro de aumento de anos de vida na população, observado desde 2013, o país regride de forma acentuada em razão do alto número de mortes pela covid-19. A curva de crescimento na longevidade da população do Brasil foi reduzida, em média, 1,94 anos. No Pará essa redução é de 2,01 anos, um declínio de 2,76% na expectativa de vida, reduzindo os anos de vida do cidadão paraense de 72,83 para 70,82 anos de vida em média. As mulheres paraenses mostram uma redução pouco menor que os homens – 1,89 ano de vida perdido – mas não menos importante, caindo de 77,16 para 75,27 anos.
Os dados fazem parte de um estudo desenvolvido pelas universidades de Harvard, Princeton e da Universidade do Sul da Califórnia, todas nos Estados Unidos. No Brasil as pesquisas foram conduzidas por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que avaliaram demograficamente a taxa de mortos em 2020 e a expectativa de vida do brasileiro.
O estudo preliminar “Reduction in the 2020 Life Expectancy in Brazil after COVID-19” mostra que a longevidade foi mais afetada no Distrito Federal, que apresentou a pior queda entre as unidades federativas, com diminuição na expectativa de vida equivalente a 3,68 anos, passando de 79,08 anos para 75,40.
A análise por regiões mostra que o Norte apresentou a maior queda, com o pior índice visto no Amapá, com redução de 3,62 anos, caindo de 74,88 para 71,27 anos de vida. No Amazonas – estado que sofreu no início de 2020 com a mais alta taxa de mortalidade e falta de leitos – a expectativa de vida reduziu em 3,28 anos, marca antes registrada em 2007, caindo de 72,81 para 69,53 anos. Roraima teve recuo de 3,43 anos de vida, passando de 72,69 para 69,26. O estado de Minas Gerais registrou a menor queda, de 1,18 ano. Essa redução na longevidade dos brasileiros é consequência direta das mortes já registradas no país pela doença.
GUERRAS
Em 1940, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era muito baixa, de 45,5 anos. Depois disso, com redução da mortalidade infantil e outros avanços da medicina e novas e mais modernas medidas sanitárias adotadas no País, a expectativa de vida passou a crescer de forma consistente.
Em 1980, chegou a 62,5 anos e, no ano 2000, a 69,8. Fora do contexto da covid-19, a expectativa de vida do brasileiro passou a ser de 76,6 anos, mas vai ser impactada com a redução de 1,94, passando a ser de 74,99 anos de vida, em média.
“Quando acontece um conflito, uma guerra ou uma pandemia, algo severo assim, é comum ver esse declínio de expectativa de vida; foi assim na gripe espanhola e nas guerras mundiais”, afirma a demógrafa Márcia Castro.
“Mas se espera sempre que seja algo temporário, um ponto fora da curva, e logo depois tudo retorne à normalidade. No caso do Brasil, já estamos vendo que 2021 vai ser pior que o ano passado. Existem estados que somam mais mortes agora do que ao longo de todo 2020, como Amazonas e Rondônia”, completa a pesquisadora.”
A Região Nordeste também sofreu um impacto importante. Ali, entre os Estados mais afetados estão Sergipe (redução estimada de 2,21 anos), Ceará (2,09) e Pernambuco (2,01). No Sudeste, a situação mais grave é a do Espírito Santo (com perda estimada de 3,02 anos), seguido de Rio (2,62) e de São Paulo (2,17). No Sul, as estimativas de perda de expectativa de vida estão abaixo dos dois anos para os três Estados – a menor redução é em Minas (1,18, de 78,19 para 77,01 anos).
“Essas diferenças, em grande parte, eram esperadas, pois refletem as desigualdades regionais, no que diz respeito ao número de médicos, de leitos hospitalares, infraestrutura. No Amazonas, por exemplo, todos os leitos de UTI estão concentrados em Manaus”, afirma Márcia.







