MIGUEL WANZELLER
Antes mesmo de responder especificamente ao questionamento acima (do fórum), precisa-se dizer que o nosso país convive com políticas oportunistas de Governo, não se faz política séria de Estado, cada um que chega ao Planalto desenvolve a roda de novo e, não consegue usá-la para movimentar-se para diante, empurram para frente apenas as mazelas que continuam perpetuando e matando seu povo num círculo vicioso, pois, temas como a saúde, educação, segurança púbica e as drogas, que estão inseridas nos três, tanto as lícitas quanto as ilícitas, deveriam merecer uma política de Estado com programa planejado para, pelo menos, trinta anos, mesmo admitindo todo o processo de avanços técnicos-científicos em todas as áreas, inclusive os avanços nos processos referentes a produção de novas drogas sintéticas, nos cultivos usando a engenharia genética para melhoramentos, conseguindo maiores concentrações dos princípios ativos nas plantas para aumentar a capacidade do resultado farmacológico deletério com menor quantidade e, etc…, mesmo assim, deveria permanecer uma espinha dorsal de um programa concreto que pudesse ao longo dele e desses avanços irem adequando-se para acompanhar e neutralizar esse mercado ilegal e agressivo, em todos os sentidos, das drogas.
Digo assim porque este país não consegue sequer ensinar aos seus alunos a conceituarem saúde, pode questionar um aluno do fundamental que ele não sabe, também, seria querer muito de um aluno do fundamental, verdade, porém é verdade também, que o aluno do ensino médio também não sabe e, mais, o aluno que está cursando faculdade, em um curso de saúde, pasmem, dependendo dela (faculdade), que são tantas, que inclusive vendem diplomas quanto mais achar que farão um ensino sério e de qualidade, a televisão de vez em quando mostra isso, por incrível que pareça não sabe. Então de que maneira pode-se avançar e minimizar secular e maléfico problema, as drogas, se as disciplinas básicas como o português, a matemática e ciências, esta última a maior responsável em ensinar o conceito em questão, se este país tem podium negativo, último lugar, no fator educação segundo Anuário de Competitividade Mundial 2020 (World Competitiveness Yearbook), como ensinar além das disciplinas básicas que não conseguem ensinar o próprio básico? Países organizados ensinam fundamentados nas suas bases nacionais, aqui está na luta e se arrasta para aprovar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), então como inserir este tema, esclarecimentos às drogas no ensino para que se tenha a médio e longo prazo frutos alicerçados no conhecimento sobre o assunto? Aqui precisa informar exemplo de como o Ministério da Justiça representado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (SENAD) e o Ministério da Educação representado pela Secretaria de Educação Básica (SEB), com recursos humanos profissionais da mais alta qualidade conseguem elaborar até a 6ª edição um curso como “Prevenção do Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas” até de bom conteúdo, porém, deixando com quem a responsabilidade de aplicação desse conhecimento? Com o próprio Professor ou Educador? Qual a condição dada a esse profissional para aplicar esse conhecimento? De que forma foi feito o acompanhamento? Foi perguntado ao IBGE qual é a realidade do entorno da comunidade atendida por essa Escola onde trabalha esse profissional? Será que ele ao estudar, por conta própria, a realidade do seu entorno juntamente com sua comunidade escolar, como foi orientado pelos Ministérios citados, e tentar aplicar o conhecimento não será vítima de homicídio? Qual o incentivo, pelo menos, em infraestrutura dado ao Educador para conseguir aplicar o conhecimento? De que forma foi acompanhado a aplicação desse conhecimento para consolidá-lo? Existe realmente interesse maior em reduzir a catástrofe causada pelo comércio e uso das drogas, quanto se tem per capta da economia para esse enfrentamento? Quais os resultados da aplicação desse conhecimento, se não estou errado, depois da sexta edição? Qual o canal de informação e qual a articulação utilizada entre os entes federal, estadual e municipal para conseguir o feedback entre educador, comunidade escolar e do entorno da Escola e os ministérios?
Há! Precisamos conceituar Saúde, até tinha esquecido, então! realmente é difícil, mas segundo a OMS “Situação de perfeito bem-estar físico, mental e social”, logo, brasileiros assalariados que não conseguem vencer os boletos são todos doentes porque a falta de condições financeiras afeta mental e socialmente esses indivíduos, com isso, a imunidade se abala e os comprometem fisicamente derrubando-os, e, assim, fechando completamente o conceito, isso se refere a um quarto da população brasileira, 52,7 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza.” , Ponte social, fevereiro de 2021. Mas este conceito foi feito porque não se pode desmembrar educação, saúde e Segurança pública para tratar do enfrentamento da nossa temática, as drogas, senão vejamos: Acredito que só se alcance os possíveis futuros consumidores das drogas através da educação, do alcance na sala de aula, precisa este tema, As Drogas, ser inserido como disciplina, desde o fundamental menor, ensino médio e, inclusive, universitário, para isso, é necessário que haja articulação política com o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais, ou seja, que tenha um plano de Estado, para que aprovem as leis que respaldarão esta necessidade de que todos os professores deste país se qualifiquem para lecionarem essa disciplina para seus alunos, no entanto, o problema do usuário de drogas é biopsicossocial, ele fica doente, fisicamente-mentalmente-socialmente (por isso conceituou-se saúde), logo, tem-se que ensinar a criança, ao jovem e ao adulto, cada um com linguagem própria, no entanto, nunca houve um plano desta natureza, que tenham incluído os profissionais que conhecem farmacologia para qualificarem os professores mostrando como realmente as drogas agem em cada sistema do corpo humano, se faz necessário que se qualifique os professores de maneira completa diferente do que é feito pela parceria SENAD e SEB, nesses cursos sem acompanhamento de aplicação (caso necessário explicaremos em novos debates), com predominância de profissionais da área social que conhecem profundamente uma parte desse caos e direcionam esse conhecimento para um ponto de referência que está bem longe de incluir os danos à saúde, que também deveriam ser mostrados enfaticamente para surtir efeito, no aluno, de defesa naturalmente à vida, mostrando que, caso contrário, continuará a calamitosa situação, inclusive até a degradação humana, ou seja, as famílias cada vez mais perdendo seus filhos mais cedo para as drogas. Caso no Brasil tivesse a atenção devida à recuperação do dependente químico, o país gastava muito mais do que anunciado pelo Sistema único de Saúde (SUS) em uma década, mais de 9 bilhões de reais com atendimento à saúde.
Para que os usuários de drogas cheguem até as condições deploráveis de saúde e gerem esses gastos financeiros no sistema de saúde, está se falando da ponta do iceberg, o final do problema, pois essa droga foi usada por alguém, no entanto, o início desse caminho, até a droga pronta para consumo, vai desde o plantio, colheita, processamento, transporte e distribuição, nesse exemplo cabe o caso das drogas ilícitas mais usadas, cannabis sativa (delta nove tetraidrocanabinol – “maconha”) e a Erythroxylon coca (Benzoilmetilecgonina –“cocaína”) que são vegetais com seus respectivos princípios ativos, esse caminho deixa rastros de sangue feitos pelas intervenções policiais, guerra entre traficantes pelo poder da clientela e todas as competições geradas no imbróglio desde a produção até a venda e nesse contexto o papel da segurança pública é importante pois há a necessidade diuturnamente da repressão do combate, então, espero que neste curso consiga-se compreender a repressão, compreender a política de saúde deste momento para os dependentes químicos, assim como, e, principalmente, como vamos implantar um programa do Estado Brasileiro para o esclarecimento e a prevenção sobre o uso das drogas com embasamentos biopsicossocial.
Dando ênfase para a economia das drogas ilícitas, que não é diferente da economia das drogas lícitas ou de qualquer outra economia licita, ela movimenta um mercado mundial e bilionário, cabendo normalmente no conceito de economia como o processo pelo qual bens e serviços são produzidos, vendidos e comprados pelos agentes econômicos em determinado tempo e lugar, ela envolve a produção, o transporte, a compra e a venda desses bens e serviços, possui como agentes econômicos indivíduos ou organização de indivíduos (organização criminosa), ela precisa, para se manter no mercado, de outra empresa que lhe permita disfarçar um suporte legal, ou seja, com o dinheiro ganho ilegalmente ela movimenta também um mercado aparentemente legal, lavando o dinheiro.
Miguel Wanzeller Rodrigues – Farmacêutico-bioquímico, especialista em citologia oncótica, toxicologia clínica, mestre em ciências farmacêuticas e perito oficial Criminal do Estado do Pará.