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Papa Leão na FAO em Roma • 16/10/2025 REUTERS/Remo Casilli

Jesus, e não a Virgem Maria, salvou o mundo, diz o Vaticano

Conclusão veio de novo decreto aprovado pelo papa Leão XIV

Joshua McElwee, da Reuters, na Cidade do Vaticano
Jesus pode ter ouvido palavras de sabedoria de sua mãe Maria, mas ela não o ajudou a salvar o mundo da condenação, disse o Vaticano nesta terça-feira (4).
Em um novo decreto aprovado pelo papa Leão XIV, o principal escritório doutrinário do Vaticano instruiu os 1,4 bilhão de católicos do mundo a não se referirem a Maria como a “corredentora” do mundo.
Somente Jesus salvou o mundo, diz a nova instrução, resolvendo um debate interno que confundiu as principais figuras da Igreja por décadas e até mesmo provocou um raro desacordo aberto entre os papas recentes.

“Não seria apropriado usar o título ‘corredentora'”, diz o texto. “Esse título (pode) criar confusão e um desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã.”

Os católicos acreditam que Jesus redimiu a humanidade por meio de sua crucificação e morte. Os estudiosos da Igreja têm debatido durante séculos se Maria, que os católicos e muitos cristãos chamam de Mãe de Deus, ajudou Jesus a salvar o mundo.

O falecido papa Francisco se opôs ferozmente a conceder a Maria o título de “corredentora”, chegando a chamar a ideia de “tolice”.

“Ela nunca quis tirar nada de seu filho para si mesma”, disse Francisco, que morreu em abril deste ano.

O antecessor de Francisco, Bento XVI, também se opôs ao título. Seu antecessor, João Paulo 2º, chegou a apoiar a concessão do título a Maria, mas parou de usá-lo publicamente em meados da década de 1990, depois que o escritório doutrinário começou a expressar ceticismo.

A nova instrução do Vaticano destacou o papel de Maria como intermediária entre Deus e a humanidade. Ao dar à luz Jesus, ela “abriu os portões da Redenção que toda a humanidade aguardava”, afirmou.

De acordo com a Bíblia, a resposta de Maria ao anjo que lhe disse que ela ficaria grávida foi: “Que assim seja”.