Um assassinato covarde sem nenhuma punição

Um mal exemplo para a sociedade bragantina que continua à espera de justiça
Da Redação
Bragança Hoje Online
O assassinato do radialista Jairo Sousa, de 43 anos, em Bragança, no nordeste do Pará, completa 2 anos neste domingo, 21 de junho, com o processo de investigação ainda sem conclusão. No dia 21 de junho de 2018, por volta das 4h50min Jairo José de Sousa chegava ao trabalho para apresentar seu programa matinal “Show da Pérola”, que ia ao ar das 5h às 9h. Depois de trancar o portão do residencial onde funciona a rádio e subir alguns degraus, ele foi baleado por Dione de Sousa Almeida, com dois tiros que atingiram sua costa, como aponta o inquérito policial. Há 12 anos, ele usava colete à prova de balas por conta das ameaças recebidas ao longo de sua carreira em rádios e emissoras de televisão, naquela madrugada, estava sem o colete.
Em seu programa, Jairo fazia denúncias, como obras realizadas por empresas que pertencem a parentes de prefeitos, secretários e vereadores, falta de merenda escolar, editais com licitações supostamente fraudadas, além de ofertas de emprego feita por secretários a vereadores em troca de apoio político.
Jairo Sousa, que já havia trabalhado na Rádio Pérola FM, há duas décadas, voltou para o microfone daquela rádio oito meses antes de sua morte. Antes, trabalhou pelo menos 10 anos em Capanema, na Rádio Princesa, com o programa Patrulhão 106, programa diversas vezes premiado, bem como, Jairo Sousa.
A promotoria de Bragança, ofereceu denúncia contra 11 pessoas envolvidas no assassinato do radialista, entre elas, o vereador Cesar Monteiro (PL), acusado de ser o mandante do crime. Segundo os autos do inquérito, o crime foi encomendado a um grupo de extermínio e teria custado R$ 30 mil. O motivo seria a insatisfação de um grupo político diante das denúncias feitas diariamente pelo radialista. Uma possível “vaquinha” entre diversas pessoas teria sido feita para arrecadar o valor combinado com José Roberto Costa de Sousa, vulgo Calar, que é apontado de chefiar o grupo de pistolagem no nordeste do estado. O vereador Cesar Monteiro teria ficado como responsável pela negociação da morte.
Em novembro de 2018, cinco meses após o crime, cerca de 50 policiais participaram da “Operação Pérola”, o nome faz menção ao programa que Jairo apresentava, que prendeu diversos envolvidos no crime. Desde que César Monteiro foi preso, sua casa no km 7 da rodovia Dom Eliseu foi pinchada diversas vezes, a última vez trouxe a mensagem “aqui César Monteiro arquitetou a morte do Jairo Sousa” que foi apagada posteriormente.
O pedido de cassação do vereador vem sendo cobrado constantemente pela família e sociedade em geral, já que César Monteiro se encontra preso desde 8 de abril, após um período em que esteve foragido da justiça, que decretou sua prisão preventiva desde o mês de janeiro. Nesta última quinta-feira (18) uma grande expectativa se formou em volta da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Bragança, por poder cassar definitivamente o mandato de César Monteiro, mas uma falta coletiva dos legisladores municipais impossibilitou a possível deliberação favorável à cassação.
Familiares, amigos e admiradores do seu trabalho cobram justiça por sua morte covarde, além de manter viva a memória e todo o legado do radialista que deixou muitos filhos e amigos em todo lugar que passou.
FONTE: Bragança Hoje Online







