SUPERFATURAMENTO

20 de junho de 2020 at 17:27

Zenaldo comprou, em Ananindeua, os respiradores mais caros do Brasil

Ana Célia Pinheiro/Diário do Pará

Arquivo/Ag. Belém

É, provavelmente, o preço mais caro já pago no Brasil por respiradores artificiais, para atender os pacientes da Covid-19: nada menos que R$ 260 mil. E quem pagou foi o prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho, que adquiriu esses equipamentos sem licitação e sem contrato, em uma transação repleta de indícios de irregularidades.

Os respiradores de Zenaldo chegaram a custar mais que o dobro de equipamentos semelhantes, comprados na mesma época, por outras prefeituras e governos. E mais: foram adquiridos de uma empresa que nasceu como uma cafeteria e doceria, mas que hoje faz de tudo um pouco, incluindo a confecção de roupas, impressão de materiais publicitários, limpeza de casas, serviços de engenharia e até “atividades de psicanálise”.

Segundo o Portal da Transparência, esses respiradores foram comprados pela Prefeitura de Belém no último mês de março. Mas as notas de empenho (de números 5754/2020, 5755/2020 e 5756/2020) nada dizem sobre as características deles, os recursos que possuem. A única informação é que são da marca Mindray, uma das maiores fabricantes mundiais de produtos médicos.

Mas, apesar da falta de detalhes dificultar comparações, o DIÁRIO conseguiu localizar, na internet, um respirador Mindray, para uso pediátrico e adulto. Ele foi comprado, também em março, antes da pandemia se alastrar, para atender pacientes da Covid-19, pela Prefeitura do município de Naviraí, no Mato Grosso do Sul. Valor da compra: R$ 98 mil. Ou bem menos que a metade dos R$ 260 mil pagos por Zenaldo (veja mais na pg ao lado).

Os ventiladores pulmonares do prefeito de Belém também custaram mais que o dobro dos R$ 126 mil que o Governo do Pará pagou, por ventilador pulmonar, em abril, à empresa SKN do Brasil, antes que o negócio fosse desfeito. Também em abril, o Consórcio dos estados do Nordeste assinou um contrato para comprar ventiladores ao preço médio de R$ 162,3 mil cada, ou quase R$ 100 mil a menos do que pagou Zenaldo.

E olhe que esses equipamentos, no caso do Pará e do Consórcio do Nordeste, seriam trazidos da distante China, um país situado no Leste da Ásia, exigindo, portanto, transporte aéreo, entre outros custos. Já os ventiladores de Zenaldo teriam sido comprados no Brasil, ou até mesmo no Pará. O contrato nordestino previa a compra de 300 ventiladores por R$ 48,7 milhões. O do Pará, R$50,4 milhões, para 400 desses equipamentos.

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