Renan Silva Sena foi preso neste domingo (14), suspeito de atirar fogos de artifício em direção a sede do Supremo Tribunal Federal (STF). O bolsonarista ficou conhecido por agredir enfermeiras durante manifestação. As informações são do Correio Braziliense.
Segundo informações publicadas pelo jornal, a sede da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sofreu uma tentativa de invasão por parte de 25 bolsonaristas. Os manifestantes estão na frente do Complexo da Polícia Civil. Agentes fazem barreira para impedir que o grupo avance.
Bolsonaristas jogam fogos de artifício contra o STF
O Ministério Público Federal (MPF) determinou a imediata abertura de inquérito policial para apurar os ataques feitos contra a sede do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de sábado (13). Bolsonaristas jogaram fogos de artifício contra a sede da Cortee fizeram ameaças aos ministros. Para o MPF, “os atos podem ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional, nos crimes contra a honra, além da Lei de Crimes Ambientais por abranger a sede do STF, situada em área tombada como Patrimônio Histórico Federal”.
“Ministério Público Federal (MPF) determinou, neste domingo (14), a abertura imediata de inquérito policial para investigar o lançamento de fogos de artifício em direção ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desse sábado (13). Também foi solicitada perícia no local a fim de identificar danos ocorridos no edifício e resguardar provas processuais”, afirma a nota do órgão.
O MPF ressalta ainda, que os envolvidos “desferiram ofensas e xingamentos aos ministros do STF, perguntando, em tom de ameaça, se os magistrados haviam entendido o recado, bem como dizendo que se preparassem”.
“O documento que motivou o pedido de inquérito na Polícia Federal foi assinado por seis procuradores. Eles compõem um Grupo de Apoio designado para atuar em procedimentos relacionados ao combate a atos potencialmente lesivos ao regime representativo e democrático, à Federação e ao Estado de Direito, bem como ao livre exercício dos Poderes constituídos. O grupo é formado por 11 procuradores da República no Distrito Federal e foi instituído em 4 de junho, por meio de portaria publicada pelo procurador-chefe da unidade, Cláudio Drewes”, finaliza.
Para o presidente do Supremo, Dias Toffoli, o ato foi criminoso e ações como essa tem sido incentivadas por membros do Estado e financiadas ilegalmente. “Infelizmente, na noite de sábado, o Brasil vivenciou mais um ataque ao Supremo Tribunal Federal, que também simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas”, iniciou o presidente do STF.
Agência Brasil Os dois principais produtores de vacinas do Brasil, o Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz, no Rio, e o Instituto Butantan, de São Paulo, entraram de vez na corrida pela produção da imunização contra o novo coronavírus com o avanço de acordos com empresas.
As instituições também iniciaram o planejamento de adequação das fábricas para a manufatura do novo produto.
De acordo com Maurício Zuma, diretor do Bio-Manguinhos, a instituição busca um acordo para a produção de uma vacina no país em negociações com pelo menos quatro empresas. “Poderíamos começar a produção dessa vacina rapidamente, com capacidade para 40 milhões de doses por mês”, diz.
Esse número está dentro da capacidade instalada do instituto, uma vez que será possível adaptar linhas de produção atualmente usadas para outras vacinas.
“Planejamos a implementação de novos turnos de trabalho, juntamente com um rearranjo das atividades produtivas, de modo a garantir o aumento necessário da produtividade para atender a essa nova demanda”, afirma o diretor.
Vacinas prioritárias, como as de febre amarela e tríplice viral, que imuniza contra o sarampo, não terão a fabricação afetada, segundo Zuma.
No momento, a função do instituto, delegada pelo Ministério da Saúde, é fazer uma avaliação técnica das vacinas em desenvolvimento que estão em estágio mais avançado e também planejar como adequar a produção.
Atualmente, vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Pelo menos 10 estão na fase de estudo clínico, quando o teste é feito em humanos.
As vacinas em estudo usam diferentes técnicas –algumas usam o vírus inativado e outras apenas o material genético do invasor para estimular resposta imunológica nas pessoas, por exemplo. Zuma diz que o instituto busca empresas que estão na frente nessa corrida e que a plataforma da vacina não vai ser um critério de exclusão na escolha.
Vacinas prioritárias, como as de febre amarela e tríplice viral, que imuniza contra o sarampo, não terão a fabricação afetada, segundo Zuma.
No momento, a função do instituto, delegada pelo Ministério da Saúde, é fazer uma avaliação técnica das vacinas em desenvolvimento que estão em estágio mais avançado e também planejar como adequar a produção.
Atualmente, vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Pelo menos 10 estão na fase de estudo clínico, quando o teste é feito em humanos.
As vacinas em estudo usam diferentes técnicas –algumas usam o vírus inativado e outras apenas o material genético do invasor para estimular resposta imunológica nas pessoas, por exemplo. Zuma diz que o instituto busca empresas que estão na frente nessa corrida e que a plataforma da vacina não vai ser um critério de exclusão na escolha.
“É importante não se precipitar no momento de escolher. Muitas dessas vacinas ainda precisam mostrar resultados e não podemos fazer uma escolha errada”, afirma.
O governo de São Paulo anunciou na quinta-feira (11) uma parceria do Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac Biotech para testar e produzir uma vacina contra o coronavírus . A estimativa é que ela esteja disponível até junho de 2021, se for aprovada nos testes.
“Essa é uma das vacinas com desenvolvimento mais avançado, e o Butantan já trabalha com vacinas do mesmo tipo contra raiva e dengue. Temos a fábrica, e a estrutura física pode ser rapidamente adaptada para sua produção”, diz Dimas Covas, diretor-geral do Instituto Butantan.
A vacina da Sinovac usa pedaços inativados do novo coronavírus (que não podem causar a doença) para estimular a resposta imunológica e defender contra a Covid-19.
Segundo Covas, há negociações em andamento com outras empresas, entre elas a britânica AstraZeneca.
“Embora a vacina da Sinovac seja muito promissora, não dá para apostar 100% em uma só. O estudo clínico é decisivo. Muitas podem chegar a essa fase e apresentar problema”, afirma.
A capacidade para a produção da vacina da Sinovac, caso ela seja aprovada, está perto de 30 milhões de doses por ciclo produtivo, de acordo com o diretor da instituição. Um ciclo produtivo dura pelo menos dois meses.
O avanço da pandemia no Brasil,, com a crescente circulação do vírus, também vai permitir resultados mais rápidos para a pesquisa com as possíveis vacinas, diz Covas. “A China não seria um bom lugar para fazer o estudo, com o número de casos diminuindo. O Brasil está em um momento propício para os estudos clínicos”, afirma.
Um dos maiores desafios nessa produção deve ser a redução de pessoal devido ao distanciamento social imposto pela pandemia, aponta Zuma, do Bio-Manguinhos. “Temos baixa de funcionários, hoje trabalhamos com pouco mais de um terço do efetivo. Novas contratações podem ser necessárias”, diz.
Em São Paulo, Covas não descarta cooperações com a USP (Universidade de São Paulo) e com alunos de pós-graduação do próprio instituto. “Temos corpo técnico de qualidade e pessoas com formação prática na fábrica. Além disso, somos uma escola que forma profissionais continuamente”, afirma o cientista.
Butantan e Bio-Manguinhos também trabalham para desenvolver suas próprias vacinas. “Esse processo vai deixar um legado na agilização do estabelecimento de plataformas para a s vacinas; vai permitir a criação de um novo modelo”, afirma Zuma.
“Fica a lição para não deixar de lado o investimento nas instituições públicas. Vacinas são estratégicas para o país e são questão de segurança nacional”, completa.
Para Zuma, é haver união de esforços entre as instituições públicas e empresas. Segundo ele, há uma expectativa de que Bio-Manguinhos e Butantan sejam instituições chave para preencher a lacuna da vacina na América Latina.
“Temos de somar o máximo possível para aumentar a capacidade. Não é momento de concorrência agora; a disputa é com o vírus.”
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) , exonerou, na manhã deste domingo (14/06), o subcomandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Sérgio Luiz Ferreira de Souza. A decisão está contida em um decreto assinado pelo chefe do poder Executivo local, com data de hoje.
A demissão do coronel Souza é uma resposta à atuação da Polícia Militar neste fim de semana. Questionado sobre a decisão, Ibaneis disse à coluna o seguinte: “Ele foi exonerado porque permitiu que manifestantes soltassem fogos de artifício em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Militar do DF deve servir, no mínimo, para resguardar o cidadãos e as instituições da capital federal. Se não fez isso, errou grosseiramente”, disse.
Ao justificar sua atitude, o governador também revelou que o comandante da PM, Julian Rocha Pontes, está infectado com Covid-19 e hospitalizado.”Eu só não responsabilizei e exonerei o próprio comandante da PM, porque ele está com coronavírus e internado. Não teve culpa de nada”, disse Ibaneis.
GOVERNO DO DISTRITO FEDERALDECRETO DE 14 DE JUNHO DE 2020O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo100, incisos XXVI e XXVII, da Lei Orgânica do Distrito Federal, resolve:EXONERARO CEL QOPM SÉRGIO LUIZ FERREIRA DE SOUZA, matrícula 50.193/X, doCargo de Natureza Especial, Símbolo CPE-01, de Subcomandante Geral, do Subcomando Geral, daPolícia Militar do Distrito Federal.IBANEIS ROCHAGovernador
Ministro do Superior Tribunal Militar, Sérgio Ferolla
Em entrevista para o jornal italiano Il Fatto Quatidiano, o ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, afirmou que o alinhamento de generais do Exércitocom Jair Bolsonaro é uma vergonha e desrespeito. “[Bolsonaro] seduziu alguns generais e os transformou em seus acólitos: uma vergonha para o Exército e um desrespeito com a Marinha e a Aeronáutica”, afirmou.
“As palavras de Sérgio Xavier Ferolla, tenente-general da Força Aérea e ex-presidente do Superior Tribunal Militar, têm peso no Brasil, onde parte dos oficiais começa a mostrar algum desconforto em relação ao presidente Bolsonaro e seu governo”, inicia a reportagem.
Para o ex-presidente da corte militar, generais fazerem parte da equipe presidencial é danoso para a imagem das Forças Armadas. “Sobre alguns generais do Exército que fazem parte da equipe presidencial, já expressei minha opinião: eles provocam um dano à imagem das Forças Armadas, que não aceitam a participação deles em disputas partidárias e em atos radicais que ameaçam a democracia”, afirmou.
O brigadeiro fez uma ligação entre as manifestações pró-Bolsonaro e as marchas de radicais dos Estados Unidos. “As manifestações promovidas pelo presidente são coordenadas por elementos de extrema direita, ligados por sua vez a extremistas americanos e a religiosos neopentecostais”, disse para o periódico italiano.
Essa insatisfação de membros do Exército tem elevado a pressão contra os militares que fazem parte do governo. Na última sexta (12), o ministro-chefe da Secretaria de Governo general Luiz Eduardo Ramosdisse em entrevista para a Revista Veja, que tem recebido críticas dos “companheiros de farda” e que, por não desejar sair do governo, pretende ir para a reserva.
“Não me sinto bem. Não tenho direito de estar aqui como ministro e haver qualquer leitura equivocada de que estou aqui como Exército ou como general. Por isso, já conversei com o ministro da Defesa e com o comandante do Exército. Devo pedir para ir para a reserva. Estou tomando essa decisão porque acredito que o governo deu certo e vai dar certo. O meu coração e o sentimento querem que eu esteja aqui com o presidente”, afirmou para a revista.
O ministro do Supremo Tribunal Federal(STF), Gilmar Mendes, pediu que a Procuradoria-Geral da União (PGR) e que o Ministério Público, atuem “imediatamente” para apurar o incentivo e a invasão de hospitais pelo país. Na última quinta-feira (11) o presidente Jair Bolsonaro pediu, durante live, para que seus seguidores deem um jeito de entrar nos hospitais e filmar os leitos destinados a covid-19.
“Invadir hospitais é crime – estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso – para não dizer ridículo – que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, disse o ministro em seu Twitter.
“Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, disse Bolsonaro durante a transmissão.
A Associação Paulista de Medicina lamentou a fala do presidente. “A Associação Paulista de Medicina lamenta que se instigue a população a ‘dar um jeito de entrar’ em hospitais que assistem aos pacientes infectados pela Covid-19, e filmar suas dependências e UTIs. Hospitais são áreas de circulação restrita, com fluxo de pessoas orientado para garantir rapidez, eficiência, segurança e a privacidade dos pacientes assistidos. Todas as informações necessárias ao acompanhamento dos casos internados é sempre imediatamente disponível às autoridades de saúde”, disse a entidade.
Após a fala de Bolsonaro, deputados estaduais do Espírito Santo entraram em um hospitalpara filmar a situação dos leitos. O ato foi encarado pelo governo do Estado como invasão, que leva risco aos profissionais e aos pacientes, mas os deputados negam e afirmam que foram investigar denúncias que receberam.
Deputados Lorenzo Pazolini (Republicanos), Vandinho Leite (PSDB), Torino Marques (PSL) e Danilo Bahiense (PSL)
Cinco deputados estaduais do Espírito Santo resolveram atender ao pedido que Jair Bolsonarodez na live da última quinta (11): entrar em hospitais para filmar os leitos destinados a pacientes da covid-19. Carlos Von (Avante), Dabino Bahise (PSL), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Vandinho Leite (PSDB) e Torino MArques (PSL) entraram no Hospital Dório Silva, no município de Serra, na última sexta-feira (12).
O governo capixaba afirma se tratar de uma invasão ao hospital, porém os deputados negam e afirmam que se identificaram e entraram acompanhados de funcionários para fiscalizar denúncias sobre uma possível precariedade dos equipamentos para o tratamento da covid-19.
A secretaria da Saúde do Estado, chamou o ato de invasão e repudiou o acontecido. “A Secretaria de Saúde (Sesa) manifesta repúdio à invasão das instalações do Hospital Dório Silva, no município da Serra, por alguns deputados estaduais e outras pessoas estranhas ao ambiente hospitalar”.
Chamando os deputados estaduais de invasores, a Sesa afirmou que eles colocaram em risco os pacientes. “Tal atitude intempestiva por parte dos invasores colocou em risco pacientes e servidores, já que estes indivíduos quebraram todo tipo de protocolo sanitário, transitando em alas destinadas a pacientes com Covid e alas de outras enfermidades”.
O governador Renato Casagrande (PSB)também lamentou o fato e também chamou de invasão. “Tivemos algumas dificuldades em alguns Estados com pessoas invadindo hospitais. Aqui também tivemos no Dório Silva pessoas entrando sem cuidados necessários. Causando risco aos pacientes e servidores, porque circulam em áreas com pacientes infectados e em áreas que não tem pacientes com Covid”.
Em nota ao Portal 27, o deputado Carlos Von negou que tenha havido uma invasão. “Importante destacar que não houve invasão. Os deputados em momento algum foram impedidos de entrar. Pelo contrário, após a identificação, tiverem a entrada franqueada e foram acompanhados pelos servidores do hospital, utilizando todos os equipamentos de proteção necessários como máscaras, toucas, luvas e álcool gel, bem como o estrito cumprimento de todos os protocolos sanitários”, disse.
Orçamento da educação brasileira se aproxima de colapso
FOLHAPRESS
Falta de ações emergenciais norteiam os problemas do setor | Reprodução
Q ueda de arrecadação, esforços de gastos com saúde e ausência da União em ações emergenciais indicam a redução de recursos disponíveis para a educação. Projeções de perdas apontam para cenário de colapso nos orçamentos de 2020 e 2021.
Na pandemia do novo coronavírus, o governo Jair Bolsonaro não criou medidas de apoio de financiamento às redes de ensino. Elas já arcam com a maior parte dos gastos na educação básica.
O baixo recolhimento de tributos, sobretudo do ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços), tem forte impacto no montante direcionado à educação.
A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) já constatou queda de 24% do tributo em abril. A IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, trabalha com uma projeção de redução de 30% do ICMS no ano.
Nesse cenário, nota técnica da Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação) e Campanha Nacional pelo Direito à Educação projeta perda de R$ 52,4 bilhões de recursos da educação. O estudo é ancorado em dados de 2018 e leva em conta estados e municípios.
Relatório do Movimento Todos Pela Educação e do Instituto Unibanco indica uma redução de R$ 28 bilhões somente nos recursos de estados. O estudo considera uma retração de 25% da carga tributária vinculada à educação.
Trata-se, nesse cenário, de perda de 25% dos R$ 101 bilhões disponíveis atualmente.
Procurado, o MEC (Ministério da Educação) não retornou. A pasta da Economia não respondeu por que não há auxílio emergencial para a educação, mas disse em nota que analisa alternativas para superação deste momento.
“Os estudos mostram que não temos recursos para fechar o ano”, diz Salomão Ximenes, professor da UFABC. “Sem programa emergencial, corre-se um grande risco de colapso do sistema, inclusive que venha prejudicar qualquer implementação de plano de reabertura.”
O Consed (conselho que reúne secretários estaduais de Educação) calculou custos extras com a pandemia de R$ 1,9 bilhão. Para garantir reabertura segura, as secretarias terão de providenciar distanciamento de alunos, materiais de higiene e continuidade da educação a distância -o que pressiona mais os orçamentos.
“Os danos da pandemia não são só de curto prazo, vão persistir por alguns anos, aprofundar desigualdade. Teremos de colocar mais recursos”, diz Lucas Hoogerbrugge, gerente de Estratégia Política do Todos Pela Educação.
As escolas públicas têm 39 milhões de estudantes, da creche ao ensino médio. As redes já vivem com escassez de recursos e pouco apoio federal.
O apoio do União é visto como saída única. “Tem de ser dessa forma, porque estados e municípios não fazem política econômica, só gestão fiscal”, diz Hoogerbrugge.
O ICMS é ainda o principal tributo da cesta do Fundeb, mecanismo mais importante do financiamento da educação básica. O fundo responde por R$ 4 de cada R$ 10 investidos em educação básica no país. O Fundeb vence no fim deste ano e até agora não foi votado no Congresso.
A urgência de renovação do dispositivo, com aumento do papel da União, já era antes consenso entre especialistas. Diante da pandemia e do cenário econômico para o próximo ano, se coloca com maior gravidade.
Para o próximo ano, o teto de gastos levanta preocupações. Prevista na Constituição, a regra determina que o crescimento das despesas federais no ano será limitado à inflação em 12 meses acumulada até junho do ano anterior.
O recente anúncio de queda da inflação vai deixar o teto cerca de R$ 20 bilhões mais baixo em 2021.
A previsão de despesas discricionárias do MEC (Ministério da Educação) para 2021 é 18,2% inferior do contido na lei orçamentária deste ano. A perda é de R$ 4,18 bilhões.
Especialista em finanças públicas, Elida Graziane defende a revogação do teto. “Há grande risco de termos em 2021 situação de colapso nos serviços essenciais”, diz ela, que é procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo.
Se a própria manutenção do sistema é colocada em risco, o avanço em indicadores educacionais -como a ampliação de alunos em tempo integral ou o acesso à creche- é visto com ainda mais preocupação.
Graziane também insiste que as metas do PNE (Plano Nacional de Educação) sejam atreladas a medidas emergenciais, sob risco de retrocessos.
A meta do PNE é ter ao menos 25% dos alunos em tempo integral até 2024. O país registra menos de 15%. O Brasil tem 35,6% das crianças de até 3 anos matriculadas na pré-escola -a meta é de 50%.
Sem ter um projeto pronto para a educação infantil, o ministro Abraham Weintraub (Educação) deixou de usar no ano passado R$ 1 bilhão recuperados pela operação Lava Jato. Com o avanço da pandemia, perdeu definitivamente o recurso para a Saúde.
Supremo Tribunal Federal é alvo de ataques por parte de apoiadores de Jair Bolsonaro
Um grupo de bolsonaristas fizeram um ato com fogos de artifício contra a sede do Supremo Tribunal Federal(STF) na noite de sábado, para simular bombardeios. Os manifestantes gritavam palavras como: “Desafia o povo, seus bandidos”, “está entendendo o recado? Olha a direção dos fogos, seus bandidos”. A autoria está sendo apontada como sendo dos 300 do Brasil, porém, o grupo ainda não se manifestou oficialmente sobre o fato.
Xingamentos contra os ministros do Supremo e a frase de Jair Bolsonaro “acabou, porra”, também foram entoadas pelo grupo. Alguns fogos de artifício chegaram a estourar no teto do prédio.”Vamos derrubar vocês, seus comunistas”, disse um dos manifestantes.
O ato aconteceu às 21h30, segundo um dos manifestantes foi para mostrar aos ministros do Supremo e ao Governo do Distrito Federal que não irão “arregar”.
A líder do grupo é alvo de ações da Suprema Corte, por suspeita de integrar uma quadrilha que cria e espalha ameaças e fake news contra o Supremo. Ainda no sábado, o grupo teve seu acampamento desmontado por ordens do governador Ibaneis Rocha, o que explicaria a ameaça contra ele.
O grupo comandado por Sara Winter, ainda não negou e nem assumiu a autoria do ato, mas no final da tarde, eles subiram na parte externa do Congresso Nacional e ameaçaram invadir o poder Legislativo, mas foram impedidos pela Polícia Legislativa.
Não se ignora que o agora ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro, ao demitir-se do Ministério da Justiça, presta um grande serviço à opinião pública, ao sair “atirando” e acusar as interferências políticas do presidente da República na autonomia da Polícia Federal. Denunciou a preocupação e o interesse do presidente Jair Messias Bolsonaro com o resultado de inquéritos policiais que tramitam no Rio de Janeiro. Como grande especialista que é em “delação premiada”, o bacharel Sergio Moro demite-se do Ministério da Justiça “delatando” o presidente da República pela prática de crimes comuns (advocacia administrativa e falsidade ideológica) e crime de responsabilidade. Este pela insistência em interferir diretamente na autonomia da Polícia Federal, exigindo relatórios de investigações, “para satisfazer a interesse pessoal”.
Essas acusações ao presidente imputadas por Sergio Moro são de extraordinária gravidade, especialmente o de falsidade ideológica, ao afirmar que não assinou a demissão do diretor da Polícia Federal, delegado Maurício Leite Valeixo. Completou essa denúncia assegurando que o mesmo não manifestou o pedido de sua exoneração, ao contrário do que constou no Diário Oficial da União. Curiosamente, no entanto, no dia seguinte saiu nova publicação da exoneração da referida autoridade, desta vez sem a assinatura do então ministro da Justiça.
Destacou ainda que não houve nenhum erro e nenhuma justificativa para a Presidência interferir diretamente na autonomia da Polícia Federal querendo escolher, politicamente, superintendentes regionais, principalmente o do Rio de Janeiro, e, ainda, a demissão do diretor-geral, sem sua anuência. Em outros termos, Sergio Moro afirmou em pronunciamento coletivo, nas redes televisivas, que o presidente faltou com a verdade, pois não assinou o decreto exonerativo e que apenas ficou sabendo desse ato pelo Diário Oficial, durante a madrugada (falsidade ideológica). No entanto, Sergio Fernando Moro, como qualquer delator, sempre é levado a extremos para conseguir o benefício que deseja, inclusive, mentir ou “dedurar os parceiros”, exatamente por que também se encontra na alça de mira do douto PGR, que o aponta, neste caso, em requisição de inquérito, como autor, possivelmente, da prática do crime de “denunciação caluniosa”, entre outros.
Contudo, parece que o calvário do bacharel Moro está apenas começando, pois sua maré de infortúnio ameaça a aproximação de dias revoltos pela frente e o antigo “rei das delações”, muitas delas ilegítimas, na medida em que decretava as prisões para forçar as delações, aliás, admitido publicamente por alguns procuradores, tendo, inclusive, um deles afirmado que canário só canta na gaiola. Na verdade, os ares parecem efetivamente ter mudado e aqueles tempos gloriosos, do então poderoso Moro, correm o risco de serem destruídos com ameaças vindas do passado.
Nestes últimos dias a mídia anunciou que, diretamente da Espanha, o advogado Rodrigo Tacla Duran denunciou que, no passado, houve uma tentativa de extorsão de US$ 5 milhões realizada por um grande amigo de Moro, seu compadre, o advogado Carlos Zuccoloto. Só essa divulgação irritou profundamente o ex-todo poderoso juiz da Lava Jato, que declarou na imprensa que estava indignado com essa revisita nas operações da Vaza Jato para atingi-lo.
Afinal, o que há por trás disso para deixar o bacharel Moro tão indignado com o retorno de um réu que ele perseguiu –como a tantos outros, pois hoje se sabe que ele foi um juiz parcial– por todos os meios em vários países do exterior, gastando absurdamente o dinheiro do contribuinte, sem conseguir trazê-lo de volta? E agora, espontaneamente, Tacla Dura resolve retornar à, digamos, cena do crime para negociar uma delação com o procurador-geral da República, certamente, para atingi-lo, segundo a ira de Moro, via seu compadre Zuccoloto.
O que há de tão escabroso por trás disso, capaz de despertar a ira de Moro, não sabemos, mas o Conselho de Controle da Interpol reconheceu a autenticidade da documentação apresentada por Tacla Duran, tanto que retirou seu nome de procurados internacionalmente. Por outro lado, certamente, o senhor Moro sabe o que está por trás de tudo isso, afinal, que ele não era um juiz imparcial ficou muito claro pelas denúncias do site The intercept, afora o nosso conhecimento pessoal, denunciado em alguns habeas corpus que impetramos perante o STJ e o STF (v. g. HC. nº 85.519). De uma coisa temos a convicção, que ele não deve ser corrupto, só era especialista em fraudar distribuição de processos para ele, como demonstramos em nossos HCs.
Uma coisa é certa, de estilingue, Moro virou alvo, e seu algoz, Tacla Duran, ele conhece e a munição que ele tem, e o próprio Parquet (PGR), seu velho aliado, também conhece e agora sob nova direção. Alguém tem dúvida de que o douto PGR não denunciará o presidente pelos crimes apontados por Moro? Mas, provavelmente, denunciará o “delator” Moro pelo crime de “denunciação caluniosa” contra o presidente, porque não apresentou provas suficientes e convincentes do que afirmou.
Assim, mataria 2 coelhos com uma cajadada: além da instauração de um processo criminal, tornaria Sergio Moro inelegível! Aliás, um verdadeiro “banquete” festivo, com a desgraça alheia, no caso, de um concorrente efetivo, outrora poderoso.
Na realidade, o chefe do Ministério Público já deixou antever essa opção naquela sua requisição de inquérito à Polícia Federal. Além do fato novo, com tudo o que pode resultar da delação do famoso advogado Tacla Duran, que, aliás, já está tirando o sono de Moro. Ele sabe por que. Nós ainda não!
Irlendes Rodrigues Nascido em 1961 no estado do Pará, no município de Cametá é formado em Gestão de Órgãos Públicos pela Universidade da Amazônia – UNAMA e também é Jornalista.