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Pilar caiu quando ônibus passou pela ponte, e não na colisão
Uma nova testemunha contou à Polícia Fluvial que a queda da pilastra aconteceu enquanto ônibus e carros trafegavam pela ponte e não tinha embarcações passando na hora.
quarta-feira, 19/01/2022, 11:45 – Atualizado em 19/01/2022, 11:45 – Autor: Denilson d’Almeida/DOL
Ponte de Outeiro após a queda da pilastra. | Reprodução .
O depoimento de mais uma testemunha trouxe novas informações sobre o acidente com a ponte Enéas Martins, a famosa ponte de Outeiro. Um marítimo de 40 anos de idade ouvido pela equipe da Delegacia de Polícia Fluvial contou que o pilar não caiu durante o suposto impacto com uma embarcação, mas depois disso. A queda aconteceu, segundo ele, no momento em que um ônibus passava pela ponte e não havia nenhuma embarcação navegando próximo a estrutura.
O acidente ocorreu no início da manhã da última segunda-feira (17) e a ponte continua interditada. A travessia entre a ilha de Caratateua e o continente vem sendo feito por balsas disponibilizadas pelo Governo do Estado.
Imagens de câmeras de segurança de empresas instaladas às margens do Rio Maguari já estão em posse da polícia e estão sendo analisadas. Elas vão ajudar a identificar e confirmar se e qual a embarcação que colidiu com a estrutura, contribuindo para o desabamento da pilastra.
Ontem (18), a polícia apreendeu uma balsa que pode ter sido a causadora do acidente. Ela foi filmada navegando próximo a ponte, num horário compatível ao do acidente. Uma perícia foi feita para checar danos na embarcação. O laudo, que poderá sair em aproximadamente duas semanas, vai apontar se as avarias são compatíveis com as de um choque com o pilar da ponte.
Os tripulantes desta embarcação prestaram depoimento e alegaram que não houve colisão. No entanto, dos seis que foram ouvidos na condição de testemunha, dois relataram ter escutado um estrondo e minutos depois perceberam um impacto na água – chegando a pensar que um ônibus ou um caminhão pudesse ter caído da ponte. Este impacto pode ter sido justamente provocado pelo pilar que desabou.

Essa fala dos tripulantes, de certa forma, casa com o depoimento do marítimo de polícia que a pilastra não caiu exatamente na hora de uma possível colisão. Ele também foi ouvido na condição de testemunha e contou que estava dormindo numa embarcação ancorada próximo a ponte. Alegou que foi por volta de 6h30, “com um barulho muito forte” e ao sair da cabine foi informado por um tripulante que a ponte que liga Icoaraci a Outeiro estava caindo.
Ele relatou ainda que correu para verificar se a informação da queda da ponte era verdadeira. “Neste momento passou um ônibus em cima da ponte e logo depois uma das pilastras centrais se desprendeu da ponte e caiu na água”. O marítimo pontuou que no momento da queda da estrutura não passava nenhuma embarcação no local e que carros continuaram trafegando sobre a ponte por alguns minutos.
A polícia apura se o estrondo que o marítimo escutou foi do impacto de alguma embarcação com a pilastra.

As imagens da câmera de segurança da embarcação apreendida já estão com a equipe da Delegacia Fluvial e foram encaminhadas à Polícia Científica Renato Chaves. Os vídeos serão periciados e analisados, assim como os vídeos das câmeras das empresas instaladas próximo à ponte Éneas Martins, no Rio Maguari.







