DEM e MDB saem e desidratam bloco de Arthur Lira na Câmara

27 de julho de 2020 at 15:35

Grupo seguirá decisivo em votações

Líder do DEM fala em ‘autonomia’

O líder do PP e do Centrão na Câmara, Arthur Lira (AL)Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

CAIO SPECHOTO
27.jul.2020 (segunda-feira) – 14h29

PODER360

O maior bloco de partidos da Câmara perderá duas legendas. O MDB e o DEM resolveram deixar o grupo de siglas que se aglutinou sob a liderança de Arthur Lira (PP-AL).

Com a saída dos 2 partidos, o bloco passará de 221 deputados para 158. Continuará sendo uma força decisiva na Casa, devido à pulverização partidária. A maior bancada da Câmara, do PT, tem 53 deputados.

Lira é o principal articulador do chamado Centrão na Câmara. Trata-se de conjunto de partidos sem coloração ideológica clara que adere aos mais diversos governos. No momento, há uma aproximação em curso com Jair Bolsonaro.

O deputado alagoano também é tido como 1 dos possíveis sucessores de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. A eleição será em fevereiro.

Os partidos que deixam o bloco são o do atual presidente da Casa e de outro nome citado nos corredores da Câmara como possível concorrente de Lira em fevereiro: o líder da bancada do MDB, e presidente nacional do partido, Baleia Rossi (MDB-SP).

O líder do DEM, Efraim Filho (PB), disse ao Poder360 que o movimento não via à sucessão de Maia. “Foi questão regimental mesmo, posicionamento de bancada quanto a requerimentos, destaques, reposicionar a autonomia da bancada”, declarou o deputado.

“Sucessão de Maia, só vamos tratar após eleições municipais, a partir de dezembro”, afirma Efraim. “Foi ato conjunto [com o MDB], mas não vamos formar novo bloco. Cada 1 segue seu rumo”, disse o demista.

O MDB tinha divergências com Lira. A mais recente foi em torno da votação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). O líder do bloco agia em favor do governo, que tentava ganhar tempo para desidratar a proposta.

O bloco liderado por Lira foi criado visando a conquistar maior influência sobre a Comissão de Orçamento, que junta deputados e senadores para discutir o uso dos recursos da União. Com a pandemia, porém, as comissões não estão funcionando.