Segundo a Seap, os mortos foram identificados como: Diogo Cunha da Silva e Tiago Bizarrias de Andrade. Já os feridos foram identificados como: Rosivan Carvalho da Silva; Antônio Rangel Duarte Lima; Igor Santos Rodrigues; José Júnior Ferreira Lima; e Marcos Mota da Silva.
Ainda de acordo com a Seap, a tentativa de rebelião no Centro de Recuperação Penitenciário do Pará II (CRPP II) ocorreu na tarde de hoje e rapidamente foi controlada pelos agentes penitenciários da casa penal e Comando de Operações Penitenciárias (Cope) da Seap.
“Todos os feridos foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município de Santa Izabel, onde são atendidos e não correm risco de morte. Os agentes prisionais feridos também estão sendo diretamente acompanhados pela Coordenadoria de Assistência e Valorização do Servidor (CAVS) da Seap”, conclui a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária na nota.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça-feira (25), que a verba do fundo eleitoral e o tempo de propaganda no rádio e TV devem ser divididos na mesma proporção entre candidatos negros e brancos de cada sigla.
A discussão foi retomada nesta terça-feira com o voto do ministro Og Fernandes, que deu o quarto voto a favor da medida. Já haviam manifestado seus pareceres Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachine Alexandre de Moraes. Og Fernandes, no entanto, solicitou que o entendimento só seja aplicado a partir das eleições de 2022. O ministro Tarcísio Vieira votou contra.
“Não deixa de ser uma frustração postergarmos uma situação que a maioria formada considera injusta”, disse o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso. Ainda assim, o ministro celebrou a proporcionalidade dos fundos e do tempo de TV. “Este é um momento importante do tribunal e do país. Afirmamos que estamos do lado dos que combatem o racismo dos que querem reescrever a história do Brasil com tintas de todas as cores. Esse discurso que procurava limitar o racismo a comportamento individuais encobria um sistema de dominação racial que influencia o funcionamento de todas as instituições. O racismo no Brasil é fenômeno estrutural, institucional e sistêmico”, disse ao encerrar a sessão.
A discussão na Corte se deu a partir de um questionamento da deputada federal Benedita da Silva(PT-RJ), do Instituto Marielle Franco, Movimento Mulheres Negras Decidem, da Educafro e da Coalizão Negra por Direitos, para saber se uma parcela dos incentivos às candidaturas femininas que estão previstas na legislação poderia ser reservada especificamente para candidatas negras. A deputada questionou, ainda, sobre a possibilidade de reservar vagas para candidatos negros, destinando 30% do FEFC e do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV para atender a essa finalidade.
“É uma dívida que se tem com o povo negro. O que estamos pedindo não é absolutamente nada que possa mexer no jogo do tabuleiro, apenas que haja uma divisão igualitária no sentido de que as nossas campanhas sejam iguais. Já que nós conseguimos 30% para as mulheres, que também tenhamos condições de dar para as mulheres negras desses 30% que estão colocados. Não estamos pedindo nem mais nem menos porque é uma maneira da gente estimular e incentivar a candidatura negra”, disse a deputada ao Congresso Em Foco.
Para a deputada, faltou espaço para discussão sobre o tema no Congresso. “Essa questão racial agora que as pessoas começam dar um pouquinho de atenção. A pandemia mostrou que a desigualdade social é muito mais alta entre a população negra e também a representatividade de todos os órgãos públicos é minoritária, alguns ainda nem existem e a mesma coisa se dá neste contexto”.
Benedita aponta que partidos do centro e à direita não fazem têm uma discussão “militória”. “A gente não sabe qual é o termômetro que mede a temperatura de qualidade do perfil de uma candidatura, mas ela sempre se iguala ao perfil masculino e branco. É preciso que se faça essa inclusão”, defende.
Ainda de acordo com a deputada, falta uma campanha antirracista que permeie todas as instituições da sociedade civil. “A população negra é maioria e a representação dela é minoritária, os partidos não fazem essa discussão, eles criam até núcleos, mas não fazem”, conclui.
Vaticano sabia sobre crimes de padre Robson e não se pronunciou
Fonte: Uol
O Vaticano sabia e acompanhava as denúncias dos desvios de dinheiro da Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe) comandada pelo padre Robson de Oliveira, de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Os líderes da Igreja católica mundial aguardavam, segundo comunicado, um desfecho do caso para se pronunciarem.
O superintendente de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), delegado Alexandre Pinto Lourenço, foi quem repassou a informação para o Vaticano. Ele apurou parte das denúncias, e participou de reunião em 2019 com representantes da ordem.
“Eles narraram que já tinham ciência e que estavam acompanhando as denúncias. Pelo que percebemos, eles tinham um conhecimento avançado da situação. Porém, não nos disseram se havia em curso alguma investigação interna pelo Vaticano”, declara o delegado.
De acordo com Lourenço, os possíveis atos ilegais praticados pelo padre com o dinheiro doado por fiéis do país inteiro chegaram ao Vaticano através de pessoas de dentro da igreja católica.
O Ministério Público e a Polícia Civil apuram os desvios de R$ 120 milhões para compra de imóveis de luxo, que não estavam ligados a atividade religiosa, entre eles uma fazenda no valor de R$ 6,3 milhões e uma casa na praia de Guarajuba, Bahia, no valor de R$ 3 milhões.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tem apoio declarado de metade dos 18 líderes da Casa para ser mantido no cargo por mais 2 anos. Outros 4 são contra, e 5 não responderam. Hoje a possibilidade de Alcolumbre se manter à frente da Casa Alta é vedada, mas há uma discussão no STF (Supremo Tribunal Federal) para que a regra seja alterada.
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Os líderes de bancadas são os representantes de seus partidos na Casa. Além dos 16 partidos, há ainda o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), e o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO). Eis como cada 1 se posicionou.
Ao todo, 23 senadores declararam que são favoráveis ao atual presidente da Casa poder concorrer a mais 1 mandato. O Poder360 entrou em contato com todos os senadores. Dezesseis são contra a reeleição e outros 7 condicionam o apoio à permissão jurídica.
Para 1 senador ser eleito presidente da Casa, é preciso angariar pelo menos 41 votos dos 81 senadores. Em 2019, o amapaense precisou de duas votações para vencer o pleito. Isso porque da 1ª vez foram computados 82 votos, 1 a mais que o número de senadores.
Leia aqui as respostas dos senadores. O PTB entrou com ação no STF questionando a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado em uma mesma legislatura. O relator é o ministro Gilmar Mendes.
Pai pede ex-namorado da filha em casamento durante passeio de barco
Com informações Metropoles
O casal se prepara para ter uma filha de barriga de aluguel | Reprodução/Instagram
Barrie Drewitt-Barlow, um dos primeiros homens gays do Reino Unido a ter filhos gêmeos por barriga de aluguel, vai casar com o jovem Scott Hutchinson, que é ex-namorado da filha dele. Após mais de 20 anos de casado, Barrie se separou do ex-marido, Tony Drewitt-Barlow, e decidiu embarcar no novo relacionamento.
De acordo com o jornal The Sun, durante uma viagem para Croácia com a filha e Scott, Barrie fez o pedido de casamento para o ex-genro. Flores no chão, champanhe e anel de diamantes, integraram o cenário em um passeio de barco para uma ilha.
O casal está junto há alguns meses e esperam pelo nascimento de uma filha de barriga de aluguel. A bebê deve nascer no dia 28 de outubro e já tem um quarto que será decorado com o tema Burberry e irá custar 100 mil libras, o equivalente a mais de R$ 700 mil reais.
Avenda Paulsita, região que concentra sedes de empresas em São Paulo: Estado tem o maior número de fusões e aquisições no paísJoao Tzanno/unsplash – 24.nov.2018
O número de fusões e aquisições das empresas somou 483 de janeiro a julho deste ano, o que representa uma alta de 4,55% em comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento é da PwC. Eis a íntegra.
Isso representa expectativa de retomada acelerada do consumo depois da pandemia, embora não seja possível dizer com precisão quanto isso virá. O pessimismo está em queda. O boletim Focus do Banco Central divulgado nesta 2ª feira (24.ago.2020) veio com expectativa de queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 5,46%. Há uma semana a mediana das previsões era de 5,52%.
Os dados de fusões e aquisições da PwC mostram que houve uma aceleração do mercado em julho, o 1º mês que registrou alta mensal em relação ao ano passado. Somou 88 contra 72.
A crise de covid-19 desacelerou a quantidade de transações de fusões e aquisições no Brasil em abril. Mas o sócio da PwC Leonardo Dell’Oso ressalta que a retomada está acelerada. Ele afirmou que o mercado para as empresas deve recuperar de forma rápida.
“O nosso entendimento é de que, apesar do grande estrago causado pela crise na economia e nas empresas, deveremos bater o recorde histórico do número de transações de 2019, quando foram registradas 912 transações no mercado brasileiro”, declarou Dell’Oso.
A expectativa, segundo o analista, é passar da barreira simbólica de 1.000. As fusões e aquisições aumentaram nos últimos 2 meses contabilizados. Foram 68 em junho e 88 em julho.
Dell’Oso disse que muitos dos anúncios são feitos pela necessidade de sobrevivência das empresas, que são obrigadas a reavaliarem as estratégias de mercado e “buscarem movimentos inorgânicos para continuarem operando”.
“Também há alta necessidade de recomposição de caixa pelas empresas. Força a buscar recursos e novas fontes de financiamento através da venda de participação societária, de unidades de negócios ou de ativos”, falou o sócio da PwC.
Ele listou outros motivos para a aceleração nos últimos meses:
a taxa de juros em baixa histórica, o que torna a compra de empresas 1 incentivo para outras empresas e aos investidores;
crescimento significativo do número de empresas anunciando os seus planos de abertura de capital (IPOs) e de novas rodadas de emissões de ações (os follow-ons);
alta liquidez no mercado, resultante de incentivos governamentais em todo o mundo, beneficiando determinados setores e mercados que tornam-se mais atrativos às ofertas de compra de empresas por investidores;
alta capitalização dos fundos de Private Equity, estão aproveitando o momento de fragilidade financeira das empresas para fazer negócios vantajosos.
SÃO PAULO LIDERA
O Sudeste detém 66% das fusões e aquisições contabilizadas pela PwC de janeiro a julho, com 321 anúncios. Houve alta de 6% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando atingiu 302.
O Estado de São Paulo concentra 53% de todas as transações de 2020, o que representa 254 anúncios. Desse número, 220 são da capital e 34 do interior.
No mês de julho foram anunciadas 56 transações no Sudeste, 4% superior ao apresentado em julho de 2019 (54 transações).
De acordo com Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC, alguns setores e empresas ganharam com a crise, como tecnologia, farmacêutico, logística, varejo eletrônico, alimentação e agronegócio. “Estão se aproveitando do momento para crescer por aquisições”, disse.
O setor de tecnologia da informação somou 172 transações no ano, com crescimento de 26% em relação a 2019. Serviços auxiliares, com 40, e públicos, com 28, completam o pódio. O último recuou 36% em 1 ano.
“O mercado de tecnologia é um mercado em crescimento acelerado, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Foi fortemente beneficiado pela crise, já que as pessoas e as empresas passaram a utilizar mais a tecnologia nas suas atividades”, declarou Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC.
De acordo com ele, novos negócios e empresas start-ups são criados diariamente e tornam-se alvo de investidores que buscam possibilidades de altos ganhos em curto espaço de tempo.
“A taxa de mortalidade dessas empresas start-ups de tecnologia é alta, assim como o risco para o investidor, mas se uma dessas empresas prospera, o potencial de crescimento, e de retorno do investimento, é bastante alto”, disse.
FUGA DE ESTRANGEIROS
A participação de estrangeiros nas fusões e aquisições brasileiras é a menor já registrada pela PwC. Soma 25% de janeiro a julho. Houve queda de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
As fusões e aquisições são movimentos de mercado de médio e longo prazo. O sócio da PwC disse que as precisam confiar na economia brasileira para aportar recursos e ampliar os negócios.
Leonardo Dell’Oso afirmou que a indicação de retomada na economia neste período.
“Uma eventual incerteza no nosso contexto político-econômico, como o eventual atraso na aprovação de reforma, tende a causar maior impacto nos investimentos de curto prazo, que são aqueles em bolsa de valores e em instrumentos de câmbio, por exemplo. Por isso temos visto oscilações significativas nestes mercados”, afirmou.
AS MAIS CONHECIDAS
Aqui, os destaques de julho. Eis alguns exemplos de transações feitas no ano:
Zenvia – a desenvolvedora de softwares adquiriu a Sirena, startup argentina que oferece soluções de comunicação;
WEG – multinacional brasileira, anunciou a aquisição de 51% da Mvisia, startup brasileira de inteligência artificial e visão computacional;
Stefanini – empresa brasileira de consultoria digital anunciou a aquisição da Haus, holding de comunicação e marketing de Porto Alegre;
Unilever – multinacional britânico-holandesa de bens de consumo anunciou a aquisição do Grupo Acerte, rede de franquias de serviços de lavanderia;
CCR – a empresa de concessões de infraestrutura anunciou a compra minoritária de participação na RodoNorte, empresa que administra rodovias no Paraná;
Hapvida – operadora brasileira de planos de saúde realizou a aquisição de 85,7% do Grupo São José, de saúde suplementar no Vale do Paraíba (SP);
DASA – empresa brasileira de medicina diagnóstica anunciou a aquisição da São Marcos, laboratório de análises clínicas de Belo Horizonte (MG);
Neon Pagamentos – fintech de conta digital anunciou a aquisição da Magliano Invest, corretora brasileira de investimentos;
Credit Suisse – banco de investimentos suíço anunciou a compra minoritária de 35% do Modalmais, plataforma digital do Banco Modal.
Um ex-ministro de Estado é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por ter furtado dois cones de sinalização usados para isolar uma área ao lado de um prédio, na quadra 300 do Sudoeste. Fernando de Magalhães Furlan foi flagrado por câmeras de segurança do edifício colocando os objetos na mala de um carro, na manhã do último sábado (22/8). A 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) apura o caso.
Atualmente, Furlan ocupa cargo de assessor judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF), com vencimentos de R$ 25.362,38. Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e o afastamento do então ministro Armando Monteiro Neto, Furlan assumiu interinamente o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior por cerca de um ano.
O caso foi parar na polícia após a administração do prédio registrar a ocorrência policial. Nesta segunda-feira (24/8), na companhia de um advogado, o ex-ministro foi até a delegacia ser ouvido sobre o suposto furto dos cones. Nas imagens, Furlan aparece na companhia de dois cachorros. Em seguida, ele abre a porta-malas e coloca os cones em seu interior.
O que diz Furlan
O Metrópoles entrou em contato com o ex-ministro para falar sobre o episódio. Furlan afirmou que havia pegado os objetos “emprestados e que depois devolveria”.
“Minha filha está aprendendo a dirigir e peguei os cones emprestados, dentro da própria quadra apenas para que ela treinasse a baliza. Não tinha a intenção de ficar com os cones e iria devolvê-los em seguida, como devolvi”, disse.
Carlos Bolsonaro cita Bíblia ao mostrar vídeo da ameaça do pai a repórter
Com informações Último Segundo IG
A atitude do presidente foi repudiada por veículos da imprensa, políticos, organizações representativas, artistas e inúmeras pessoas no twitter. | Agência Brasil/Reprodução
Na publicação, Carlos escreveu uma citação da bíblia. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!”, postou. A verdade até o momento, no entanto, é que houve os repasses para Michelle e Bolsonaro nunca respondeu sobre.
A atitude do presidente foi repudiada por veículos da imprensa, políticos, organizações representativas, artistas e inúmeras pessoas no twitter.
Investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta que deputada Flordelis (PSD-RJ) é a mandante da execução do marido, o pastor Anderson Carmo. Ele foi assassinado em junho de 2019, em Niterói (RJ).
Na manhã desta 2ª feira (24.ago.2020), equipes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá cumprem 9 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão contra 11 envolvidos no crime.
Não há mandado de prisão contra Flordelis, em função de sua imunidade parlamentar.
Os mandados foram expedidos nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e no Distrito Federal. Um dos endereços é a casa da deputada, local do crime, no bairro de Pendotiba, em Niterói, na Região Metropolitana do RJ.
Até o fechamento desta reportagem, não há confirmação do número de suspeitos presos.
ENTENDA O CASO
O crime foi na casa da família, na madrugada de 16 de junho, depois o pastor retornar para casa, de carro, em companhia da mulher.
Anderson foi atingido por mais de 30 tiros na garagem da casa do casal, no bairro de Pendotiba, em Niterói (RJ), por volta das 3h30, quando voltou ao carro para apanhar algo que tinha esquecido e morreu momentos depois de chegar ao hospital. Era casado há 25 anos com Flordelis e tinha 41 anos quando foi assassinado.
Em 1º de agosto, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que o caso não tem relação com o mandato da congressista. Por isso, determinou a retomada da investigação no Rio de Janeiro.
Presidente disse a um jornalista que estava com vontade de ‘encher’ a boca dele ‘na porrada’. Maia afirmou ao Globo que espera que Bolsonaro retome o tom mais moderado dos últimos dias.
Por G1
23/08/2020 22h50 Atualizado há 7 horas
Bolsonaro ameaça jornalista: ‘Minha vontade é encher tua boca na porrada’
Maia disse ainda que “espera que o presidente retome o tom mais moderado dos últimos 66 dias”.
Bolsonaro deu a declaração após ter sido questionado por um repórter do jornal “O Globo” sobre cheques de Fabrício Queiroz para a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Um repórter do G1 perguntou, em seguida, sobre movimentações nas contas da empresa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.
Ao ser questionado, Bolsonaro disse, primeiro, que não responderia às perguntas. Depois, ao ser questionado novamente sobre os cheques para Michelle, Bolsonaro se dirigiu aos jornalistas e disse: “Eu vou encher a boca desse cara na porrada”. Na sequência, o presidente emendou: “Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”
00:00/00:18
‘Minha vontade é encher tua boca na porrada’, diz Bolsonaro a jornalistas
Entidades de imprensa e políticos repercutiram a fala do presidente. Veja:
Jornal “O Globo”
“O GLOBO repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função, de forma totalmente profissional, neste domingo.
Em cobertura de compromisso público do presidente, o repórter solicitou que ele se pronunciasse sobre reportagens da revista Crusoé e do jornal Folha de S.Paulo que, no início deste mês, informaram que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz e a mulher dele depositaram cheques no valor de R$ 89 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Anteriormente, o presidente havia prestado uma informação diferente sobre os valores.
Bolsonaro, então, em manifestação que foi gravada, não respondeu à pergunta e afirmou a vontade de agredir fisicamente o repórter.
Tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população.
Durante os governos de todos os presidentes, o GLOBO não se furtou a fazer as perguntas necessárias para cumprir o papel maior da imprensa, que é informar os cidadãos. E continuará a fazer as perguntas que precisarem ser feitas, neste e em todos os governos.”
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras
“Durante uma visita à Catedral de Brasília no domingo, 23.ago.2020, o presidente do Brasil disse a um jornalista que gostaria de agredi-lo fisicamente. Abraji, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras se solidarizam com o repórter e condenam mais um episódio violento protagonizado por Jair Bolsonaro, cuja reação, ao ouvir uma pergunta incisiva, foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática. Um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias.
A ameaça se deu quando um repórter questionou o presidente sobre os depósitos realizados por Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O mandatário respondeu à pergunta com a frase: “Minha vontade é encher tua boca com uma porrada, tá”. Os colegas do jornalista perguntaram se a resposta era uma ameaça ao profissional, ou mesmo à imprensa como um todo, mas o presidente deixou o local sem responder.
Essa ameaça de agressão física se soma a um histórico de forte hostilidade de Bolsonaro contra jornalistas e marca um novo patamar de brutalidade. Desde o início de seu mandato, em jan.2018, Jair Bolsonaro vem demonstrando carecer de preparo emocional para prestar contas à sociedade por meio da imprensa, uma responsabilidade de todo mandatário nas democracias saudáveis. Jornalistas têm sido vítimas de agressões verbais constantes ao cumprir sua obrigação profissional de questionar o presidente sobre ações do governo federal e indícios de corrupção ao longo de sua carreira política.
A questão da segurança do trabalho dos jornalistas que cobrem a Presidência da República sob Bolsonaro é uma preocupação recorrente. Em jun.2020, organizações da sociedade civil entraram com uma ação na justiça do Distrito Federal solicitando ao governo que garanta a segurança de jornalistas que cobrem a agenda presidencial – sobretudo os que ficam diante do Palácio do Alvorada e que vinham sendo atacados com frequência por apoiadores do presidente. As agres.sões levaram diversos veículos a interromper a cobertura diária na frente do palácio.
O discurso hostil e intimidatório. de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais nos últimos meses, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares. Em pelo menos dois casos, um em Minas Gerais e outro em Brasília, este último no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03.mai.2020), apoiadores do presidente agrediram repórteres que estavam no desempenho de suas funções. A frase “minha vontade é encher tua boca com uma porrada” pode ser entendida como uma legitimação do cometimento de crimes como esses.
Tal comportamento inadmissível por parte de um presidente da República deveria ser condenado por todas as instituições e cidadãos comprometidos com a estabilidade e o progresso do Brasil. As organizações abaixo assinadas esperam sobretudo dos líderes dos Poderes Legislativo e Judiciário uma reação contundente contra mais essa atitude violenta e irresponsável de Jair Bolsonaro.
Associação Nacional de Jornais (ANJ)
“É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui para o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição”, afirmou o presidente da associação, Marcelo Rech.
Associação Brasileira de Imprensa
“Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro choca o país com seu comportamento grosseiro. Ao ser perguntado por um repórter do jornal “O Globo” sobre os sucessivos depósitos feitos pelo PM aposentado Fabrício Queiroz na conta bancária de sua esposa, o presidente respondeu afirmando que tinha vontade de “encher de porrada a boca” do jornalista, em declaração gravada.
Tal comportamento mostra não apenas uma inaceitável falta de educação. É, também, uma tentativa de intimidação da imprensa, buscando impedir questionamentos incômodos.
A ABI se solidariza com o profissional atingido e reafirma que a pergunta feita ao presidente era pertinente e de interesse público.
Por fim, lembra, ao primeiro mandatário do país que o cargo que ocupa exige maior decoro.
Tenha compostura, senhor presidente.”
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
“O presidente vinha muito bem nas últimas semanas. Com sua moderação estava contribuindo para a pacificação do debate público. Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas. Nossa solidariedade ao jornalista ofendido e ao jornal O Globo”, publicou em rede social o presidente da entidade, Felipe Santa Cruz.
Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do partido no Senado
“Ao ser perguntado sobre os depósitos de Queiroz p/ a primeira-dama, Bolsonaro ameaçou um jornalista de agressão física. O medo de responder é tão grande que Bolsonaro quer silenciar quem o fiscaliza de toda forma… Ele vai dizer o mesmo à justiça?”
Senador Humberto Costa (PT-PE)
“ABSURDO – Bolsonaro disse há pouco a um repórter que estava com vontade de “encher a boca” dele de porrada,depois de perguntado sobre os depósitos de Queiroz na conta da primeira-dama.O presidente estava em frente à Catedral de Brasília quando fez a ameaça.
A absurda ameaça feita por Jair Bolsonaro a um repórter do Globo que perguntou sobre os depósitos suspeitos de Queiroz na conta da primeira-dama mostra o desespero do presidente. Até hoje, ele não deu qualquer explicação sobre o assunto. Por quê? Cadê a resposta, falastrão?”
Gilmar Mendes, ministro do STF
“A liberdade de imprensa é uma das bases da democracia. É inadmissível censurar jornalistas pelo mero descontentamento com o conteúdo veiculado. G. Orwell: ‘Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade’.”
Deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder do partido na Câmara
“O que se espera de um presidente é que ele se comporte à altura do cargo que ocupa. Ameaças à imprensa são ameaças à própria democracia. Além disso, Bolsonaro tenta esconder o que aos poucos está vindo à tona: seu envolvimento num esquema criminoso.”
Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), líder do partido na Câmara
“Postura totalmente inapropriada para um presidente da República. Também revela sua intolerância e desrespeito com a imprensa. As palavras de Bolsonaro constituem verdadeira ameaça à atividade jornalística. Lamentável tal atitude.”
Deputado José Guimarães (PT-CE), líder da Minoria na Câmara
“Veja o vídeo em que Bolsonaro diz querer encher a boca do repórter de porrada. Quando perguntado sobre Queiroz, Bolsonaro partiu pra agressão verbal contra o jornalista. Que fique registrado na história como um tirano trata a imprensa e também o seu medo em falar sobre Queiroz.
Que fique marcada na história a tirania de quem nos governa. Bolsonaro não mudou. Continua autoritário e vai continuar se irritando quando o assunto é Queiroz. Ele sabe que sua família deve explicações.”
Senador Rogério Carvalho (PT-SE), líder do partido no Senado
“‘A vontade que eu tenho é de encher sua boca de porrada’. É assim que o Bolsonaro responde a um jornalista por perguntar a ele sobre uma suspeita de corrupção. Acabou o tempo do Bolsonaro paz e amor! #forabolsonaro”
PSDB
“O presidente volta a mostrar apreço por posturas agressivas e antidemocráticas. Desrespeita a liberdade de imprensa, em atitude que não condiz com o cargo que ocupa. Agindo assim, não nega apenas uma resposta ao jornalista; nega também a informação transparente aos brasileiros.”
MDB
“O MDB defende a liberdade de imprensa e o respeito aos jornalistas profissionais. O presidente da República precisa se retratar pelo que disse ao repórter do jornal O Globo neste domingo. #PontoDeEquilíbrio”
Irlendes Rodrigues Nascido em 1961 no estado do Pará, no município de Cametá é formado em Gestão de Órgãos Públicos pela Universidade da Amazônia – UNAMA e também é Jornalista.