“ARAS SABE DAS CONSEQUÊNCIAS DE SUA OMISSÃO”, DIZ SIMONE TEBET

30 de outubro de 2021 at 14:35

EDSON SARDINHA

30.10.2021 08:18  0
 ENTREVISTA Em CONGRESSO EM FOCO

O procurador-geral da República, Augusto Aras, está na mira da CPI da Covid e de senadores que deram suporte às investigações. Com um histórico de decisões favoráveis a Jair Bolsonaro, Aras recebeu nesta semana o relatório final da comissão, com o pedido de indiciamento do presidente, por nove crimes, e de outras autoridades responsabilizadas pelo colegiado. O futuro de Bolsonaro passa pelas mãos do procurador-geral da República. Mas o futuro de Aras também está em jogo. Uma das protagonistas das investigações, mesmo não fazendo parte da CPI, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) aprovou o discurso feito pelo chefe do Ministério Público Federal ao receber o relatório. Mas faz uma advertência: “O procurador-geral foi muito firme em relação à noção que ele tem do dever constitucional e da responsabilidade que tem. Ele sabe o que tem de fazer e sabe as consequências de sua omissão”.

CPI entrega relatório final ao procurador-geral da República. Foto: Antônio Augusto/PGR

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Simone diz que os senadores não vão admitir que Aras engavete as investigações para blindar o presidente e seus aliados e que ele será contestado na Justiça caso se omita ou não apresente justificativas sólidas para pedir o arquivamento das apurações sugeridas pela CPI. “Há maneiras e maneiras de se empurrar com a barriga um processo. Se ele se omitir, aí tem uma ação. Isso não vai acontecer porque a opinião pública, a mídia e todos nós não vamos deixar”, afirma. Na noite de quinta-feira (28), com base no relatório, Aras abriu investigação preliminar para apurar a conduta do presidente.https://690523d2236e7faa26c028da07039835.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Para ela, as maiores esperanças de que as investigações terão um desfecho condizente com os resultados da CPI estão depositadas no Tribunal de Contas da União. Na Câmara, avisa, não há qualquer chance de prosperar o pedido de impeachment contra Bolsonaro por causa da presença de Arthur Lira (PP-AL) na cadeira de presidente da Casa e pela cooptação de parlamentares por meio do chamado orçamento secreto e suas generosas emendas. “Lira não vai querer perder a chave do cofre”, avalia. Uma farra com o dinheiro público que, segundo ela, deverá ser barrada pelo Supremo Tribunal Federal. “Nossa sorte é que eles não têm limite. E aí começam a cometer sandices”, observa.

Simone Tebet acredita que a CPI fez história e levou vacina ao braço de milhões de brasileiros, ao enfrentar o negacionismo e o descaso do governo. Por isso, tem o dever de continuar a fiscalizar as ações do Executivo, do Ministério Público e da Justiça. “A CPI mostrou que é possível sim, com trabalho sério, fazer com que uma investigação da classe política corte na própria carne. A CPI não levou só para investigação cidadãos comuns, mas colocou servidores de alto padrão, militares, classe política, deputados federais, senador e o próprio presidente.”

Na avaliação da senadora, o aprofundamento das investigações vai revelar que o “vacinoduto” foi o maior escândalo  de corrupção da história do país, superando mensalão e petrolão. Mesmo assim, segundo a senadora, não serão denúncias de corrupção que vão derrubar o governo. Para que o presidente seja afastado do poder, é necessário que a população saia às ruas, o que, no entendimento dela, pode ocorrer pelo agravamento da crise econômica. “Não acredito que será um escândalo de corrupção maior ou menor que levará a população à rua. Acredito que vai ser a fome. Temos um número recorde de miseráveis no Brasil. Voltamos à década de 80.”

No último dia 21, Simone Tebet conquistou pela terceira vez o Prêmio Congresso em Foco como melhor do Senado, na avaliação do júri. Também foi a primeira colocada no veredicto de jornalistas que acompanham o Congresso. Professora de Direito Constitucional por 12 anos, a senadora caminha para o seu último ano de mandato com o futuro indefinido. Ela espera nos próximos dias ter seu nome confirmado como pré-candidata do MDB ao Planalto em 2022 e, para isso, está disposta a abrir mão do projeto de reeleição.https://690523d2236e7faa26c028da07039835.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A missão, como ela mesma classifica, não é das mais fáceis. Nas duas vezes em que tentou chegar à presidência do Senado, a senadora encontrou resistência dentro do próprio partido. Simone acredita, porém, que pode se viabilizar como um nome da chamada terceira via, como candidata do centro. “Não podemos ter, a um ano da eleição, uma disputa entre o passado e o presente. Precisamos falar de futuro. E, para falar de futuro, precisamos de nomes novos”, defende. Além de reconstruir o país, o grande objetivo, deixa claro a senadora, é impedir que Bolsonaro renove o mandato por quatro anos.

Veja trechos em vídeo da entrevista exclusiva e logo abaixo a íntegra em texto:

https://www.youtube.com/embed/oAn9PF6ZKwg
Congresso em Foco – Senadora, encerrada a CPI, o que acontece agora? A senhora acredita que o Ministério Público vai agir conforme as expectativas? Vai ter atuação republicana, constitucional e independente?

Simone Tebet – Não só a CPI, como os familiares das vítimas e toda a população brasileira querem uma coisa: justiça. Óbvio que se abre agora todo o contraditório, com o devido processo legal. A competência do Ministério Público é ora federal, ora estadual. Estamos diante do maior órgão de fiscalização e controle do Brasil. O poder do Ministerio Público no Brasil se assemelha  a pouquíssimos do mundo. De um lado, muito poder, de outro, muito dever. O dever é dele como fiscal da lei, alguém que protege o Estado brasileiro. Nesse caso estamos falando de saúde pública, que ele olhe para a sociedade. Esperamos do MP ação. A CPI descortinou aos olhos da população crimes. Crime contra administração pública, de improbidade administrativa, crime de responsabilidade e contra a humanidade. Cada crime tem seu foro especifico. Mas naquilo que se refere ao Ministerio Público que é isento, imparcial, que seus membros são vitalícios, que não têm responsabilidade , de ter um discurso político, como advogada posso ter esperança de que ele agora fará seu dever de casa.

Simone Tebet na cerimônia de entrega do Prêmio Congresso em Foco 2021. Foto: Paulo Negreiros

Aras tem histórico de barrar investigações contra o presidente. O que faz a senhora pensar que desta vez será diferente?

Quero crer que isso não esteja passando na cabeça do procurador-geral da República. Não passou quando ele recebeu esta semana o relatório final da CPI. Primeiro pela fala dele, mas também pelo que representa o cargo dele. O cargo que ele representa é muito maior que ele. Ele é o topo de uma pirâmide, mas a base dessa pirâmide, são os milhares de procuradores e promotores de Justiça. Eles sabem do seu dever constitucional e fizeram juramento. A pressão vem da base. Ele é mero representante dessa base, que vai pressionar o procurador a fazer o que é certo, aliado à pressão da sociedade, que se torna pública através da imprensa, diante da pressão do Congresso, da pressão popular. Ele também vai ficar com as pessoas com crimes conexos. Algumas pessoas vão ser julgadas por ele também porque há conexão de crimes com autoridades. Além disso, nas esferas estaduais, na Justiça federal, na Polícia Federal e nos Ministérios Públicos Estaduais teremos investigação com base no relatório da CPI.

Qual seria a estratégica do procurador-geral da República?

Diria que será um grande erro se ele pegar alguns indiciados e acelerar os processos para poupar alguns poucos, talvez, na escala mais alta do poder. Estamos atentos a isso. Muito se fala de uma ação penal subsidiária pública. Isso não foi dito por mim nem por ninguém. Mas é preciso fazer um alerta. A inércia do procurador pelos próximos 30 dias – ele tem 30 dias para analisar – pode levar a uma ação penal privada subsidiaria pública. Mas ele conhece a lei. Se ele fizer arquivamento das investigações de uma dessas autoridades, aí há questionamento jurídico se, com base nesse arquivamento, caberia uma ação penal subsidiária. Porque se ele arquivar sem a motivação devida, podemos entrar com outros tipos de ações questionando a legalidade, um possível desvio de finalidade pública. Não consigo imaginar uma ação subsidiária pública diante de uma inércia que não ocorrerá. Ele irá tocar os indiciamentos, com comissão especial. Alguns ele pode arquivar. Mas o arquivamento é uma ação, ele agiu. Não é uma omissão. Aí teríamos de pegar a justificativa desse arquivamento para ver se detectamos o desvio de função pública. Estaremos atentos não só à inercia, mas a atos protelatórios. Há maneiras e maneiras de se empurrar com a barriga um processo. Se ele se omitir, aí tem uma ação. Isso não vai acontecer porque a opinião pública, a mídia e todos nós não vamos deixar. Você abrir aos 45 do segundo tempo o processo, ou pelo menos fazer um ato administrativo, criar atos protelatórios para daqui a um ano apresentar denúncia. Vamos dizer que o Brasil tem pressa, os familiares das vítimas têm pressa. A Justiça exige pressa num momento como esse.

O que representa o fim da CPI?

O término de um capítulo e o início de outro. Como em uma corrida de obstáculos de longa distância, estamos passando o bastão para o Ministério Público. Há prazo regimental, legal, normalmente de 30 dias, para que o procurador acione sua equipe e comece os trabalhos. Acredito que isso vai acontecer. Sou muito crítica à PGR, fiz críticas à inércia do procurador em relação a atitudes, ao meu ver, ilícitas do presidente. Mas me surpreendeu a firmeza dele, ele já disse que tem grupo de trabalho, designou promotores de Justiça. Ele chegou a perguntar se no relatório já estavam separadas aquelas autoridades cuja competência para investigação é da PGR, para que ele não perdesse tempo. Ele fez essa pergunta duas vezes. Significa que ele está com equipe e quer dar andamento. Minha dúvida é se ele vai aproveitar para investigar alguns e com isso proteger, ao arrepio da lei, outros. Leia-se: presidente da República, os filhos do presidente, deputados federais, senadores. Se ele assim o fizer, estaremos atentos.

Como vai funcionar o Observatório da Pandemia?

Na CPI não tem quem não tenha entrado comovido. Todos estávamos com alma combalida, prostrados diante de tanta dor e morte, numa aflição por ver pessoas perdendo emprego por terem de ficar de casa. Todos nós da CPI, pelo menos os do G7 e da bancada feminina entramos comovidos e saímos indignados. De saber que, ao lado de tudo isso, houve omissão criminosa dolosa do governo federal no negacionismo, atrasando vacinas, e com isso levando à morte milhares de pessoas que poderiam estar entre nós. Ao lado disso, por isso nossa indignação, vimos um escândalo de corrupção sem precedente. Todo mundo ainda fala do mensalão e do petrolão. Daqui a pouco a história não vai nos deixar esquecer: vai falar do vacinoduto e do propinoduto como o maior esquema de escândalo da história do país, assim que o MP colher provas e a Justiça punir os responsáveis. Diante de tudo isso, o que queremos é Justiça. Não podíamos passar o bastão para o MP e falar que agora não é mais conosco. É. Somos eleitos para servir e também como órgão de fiscalização e controle. Vamos fazer frente ampla no Observatório. Já entregamos o relatório para a PGR, o STF, o TCU. Em novembro estaremos em São Paulo no MP estadual por conta da Prevent Senior. Estaremos no Rio de Janeiro por conta dos hospitais públicos. Estaremos em Manaus. A entrega do documento vai ser no nível da entrega que fizemos para o Aras. É como disse, na ocasião, o presidente da CPI: doutor Aras, estamos entregando esse documento, mas estamos aqui para dizer que estaremos observando, fiscalizando e nós não admitiremos omissão, em nome de mais de 605 mil vítimas da covid. Foi dura a fala. Da mesma forma, o procurador-geral foi muito firme em relação à noção que ele tem do dever constitucional e da responsabilidade que tem. Ele sabe o que tem de fazer e sabe as consequências de sua omissão.

O Observatório pode agir contra a omissão de autoridades? Qual será o seu poder?

Na medida em que o Observatório, na sua fiscalização, perceber a inércia do MP, ele pode tomar providências, acionar o Supremo, o Judiciário. Se dentro desse processo concluirmos que falta aperfeiçoamento legislativo, estaremos ali para apresentar projetos legislativos, especialmente ficando de olho no TCU que é órgão auxiliar do TCU. Não só fiscalizar o trabalho, mas nos colocarmos à disposição do MP. Ficamos seis meses investigando. Vamos fiscalizar o trabalho do MP, vamos nos servir dos frutos, aproveitar o que o MP entregar para aperfeiçoar as leis brasileiras.

É certo que a CPI terá consequências?

Já teve. Escancarou. Teve capacidade de abalar a popularidade do presidente da República ao expor à luz a verdade dos fatos. Não tenho como convencer as pessoas do que eu vi. Estudei mais de duas mil páginas de um único processo, li mais de uma vez. Descobri monte de irregularidade. A CPI deu certo, escancarou a inércia dolosa do governo brasileiro, botou vacina no braço do povo. Não fosse isso, eles não acelerariam os contratos de vacina, não tinham interesse, porque não acreditam na imunização por vacina, mas na imunidade de rebanho por contaminação. Escancarou esses crimes, o que estava acontecendo em alguns planos de saúde, nos meandros de uma parte muito pequena da medicina brasileira. Trouxe a realidade de um país que é racista, homofóbico, onde há misoginia, quando mostrou em rede nacional alguns episódios relacionados a esse assunto. A CPI fez história, é a mãe de todas as CPIs. Mostrou que é possível sim, com trabalho sério, fazer com que uma investigação da classe política corte na própria carne. A CPI não levou só para investigação cidadãos comuns, mas colocou servidores de alto padrão, militares, classe política, deputados federais, senador e o próprio presidente.

Na Câmara, na PGR, no TCU. Em que instância a senhora deposita maior esperança de desdobramento da CPI?

Na Câmara, nenhuma expectativa. O TCU tem um ponto que acho essencial. O TCU deu um parecer não julgado definitivamente ainda muito forte, ali sai a raiz do problema e do crime de responsabilidade dos ministros da Saúde e do próprio presidente, quando ele fala categoricamente que a política de saúde pública, o planejamento e a coordenação é do governo federal, embora a saúde pública seja tripartite, de responsabilidade de estados, municípios e da União. Quando ele diz que a omissão e a falta de plano nacional de imunização no Brasil atrapalharam a atividade de estados e municípios, o TCU praticamente disse que o governo federal não fez o dever de casa. Essa omissão já consegue imputar crimes, na pior das hipóteses, ao ministro da Saúde, mas também recai sobre o presidente, porque está muito claro, por documentos, vídeos e lives, que ele interferia no Ministério da Saúde para que esse plano saísse do papel. O TCU vai vir muito forte com relatórios. Os Ministérios Públicos estaduais também. Não posso falar do Rio de Janeiro porque os problemas dos hospitais do Rio são seríssimos, passaram pelos governos do MDB e devem continuar no atual. Deixaria isso para médio prazo. No DF, temos denúncias gravíssimas. Espero uma coisa muito rápida vindo do MPF não só em relação à VTC Log, envolvendo o núcleo político o líder do governo, o Roberto Dias, na assinatura de contratos e aditivos. Não vamos esquecer, mas é um processo mais demorado o da Prevent Senior. Jamais imaginei que no Brasil, no século 21, tivéssemos pessoas que pudessem fazer das outras cobaias, brincar com a vida humana, com o fim único de ganhar dinheiro. Se der certo, ficam milionários, se não der certo, algumas pessoas vieram a falecer no meio do caminho.

E na Câmara, que consequência pode haver?

Não acredito que Lira, que hoje é dono do orçamento público, o homem mais poderoso na distribuição do dinheiro público dentro do Congresso, que se beneficia de um presidente enfraquecido e incompetente, com uma equipe que não comanda a economia, vai querer perder o poder de gestão, de dizer e ditar regras para o Ministério da Economia e o próprio presidente da República. Com essa RP9 [emendas de relator, cuja destinação dos recursos é pouco transparente], são R$ 16 bi. Somem todas as emendas individuais impositivas, são R$ 16 milhões por senador, some as dos deputados e as emendas de bancada, tudo não dá um terço da emenda de relator. O relator tem mais dinheiro para negociar, quando digo relator, digo o presidente da Câmara e do Senado. Eles têm mais dinheiro para negociar do que todo o parlamento brasileiro. Se isso não for inconstitucional, ilegal e imoral, não sei o que é mais. O STF vai ter de entrar nessa. Quem não come mel, quando come, se lambuza. Nossa sorte é que eles não têm limite. E aí começam a cometer sandices, com a falta de transparência, a ponto de um senador mandar emenda para outro estado. Isso é proibido pela Constituição. Aí que dá para a Justiça pegar. Vamos ver se a Justiça abre a caixa preta dessa RP9. Eles são espertos,  comandam a maioria, só dividem com a maioria para ter a maioria no bolso. Se não vier uma decisão do Supremo, de que isso é inconstitucional, a RP 9 vai continuar. Lira não vai querer perder a chave do cofre. Ele não vai acatar o pedido de impeachment até porque, se quisesse, já teria acatado. Só tem um fato que pode levar ao processo de impeachment.

Qual?

Rua, não há impeachment sem rua. Os elementos jurídicos estão aí. Faltam os políticos. Quais são? A economia tem de estar combalida, e ela está, temos uma inflação galopante, o país está estagnado, não temos crescimento, há um número recorde de pessoas indo para a linha da miséria, desempregadas, subutilizadas e de desalentados. Todos os números são extremamente preocupantes. Um dólar tão alto que as pessoas não estão conseguindo mais comer porque o arroz é importado, o gás de cozinha e o combustível são dolarizados. A economia combalida temos. Falta a movimentação popular. A gente não sabe quando ela surge, basta lembrar 2013. Ela pode estar na nossa porta, acontecer amanhã. Enquanto isso não acontecer, não vai haver abertura de impeachment de Bolsonaro porque parte da classe política da Câmara está se beneficiando da fraqueza deste governo, um governo fraco, que não administra, que não tem equipe competente, não tem autoridade, poder de mando. Ela fica sempre à mercê de outro poder. Esse é o grande problema numa democracia. Porque se fala que os três poderes são independentes, mas harmônicos. Essa harmonia também significa a dosagem que o poder que cada um tem. Pela Constituição, todos têm poderes mais ou menos igualitários. Quando você tem um poder inflado ou inflacionado de um lado, tem hipertrofia de outro. Estamos vendo verdadeira atrofia do poder Executivo. Isso é péssimo. Porque quem foi eleito para governar, fazer políticas públicas, para resolver problema da fome e da desigualdade, da economia para gerar empregos é o poder Executivo. O Legislativo não tem essa capacidade nem competência. Quando tenta fazer, tenta fazer em benefício próprio, pensando em um jeitinho para ganhar dinheiro. Tem sempre uma minoria honesta e competente, que fez o juramento constitucional de servir ao interesse púbico e leva esse juramento a sério. Mas ela não consegue furar a bolha, estender o quórum. Toda vez que tem projeto de lei com quórum simples, mesmo maioria absoluta, ele vai passar porque há o grupo que domina o orçamento para comprar a eleição de qualquer jeito e imputar ao Executivo a sua vontade pessoal.

Por exemplo?

O que o Executivo quer numa reforma tributária no Brasil nós não sabemos. A reforma que está na Câmara e no Senado é do congresso. Ela é gestada de cabeça de uma única pessoa com quatro ou três líderes, visando interesse da maioria, do seu estado ou minoria? A gente não sabe. Busquem o que passou na MP da Eletrobras, vejam quem vai ganhar muito dinheiro ao custo do aumento da energia elétrica para 215 milhões de brasileiros.

O que falta para a população sair às ruas?

É sempre a fome, o aumento do desemprego, o aumento de tarifas públicas, coisas em que as pessoas se sentem injustiçadas. Pode até ser como em 2013 por mais alguns centavos no preço do transporte. Mas pode ser o preço do gás de cozinha. Se não conseguem comprar o gás para cozinhar, se a classe média está tirando filhos das escolas particulares e não consegue mais pagar o mais simples plano de saúde, percebe-se que aquilo que é básico ela não tem, mesmo sendo honesta, trabalhadora e pagando imposto. Essa insatisfação vai ganhando corpo num mundo de rede social em que, a um toque, em 24 horas você move uma legião de insatisfeitos, a qualquer momento. Isso é mais forte que um escândalo de corrupção. Foi-se o tempo, como foi no caso de Collor, que um Fiat Elba era capaz de tirar um presidente da República. Eu estava saindo da faculdade naquela época, no início dos anos 90, foi um escândalo. Hoje tem um escândalo por dia. A população não se rebelou diante de tudo que soube sobre o que presidente fez e deixou de fazer na maior crise sanitária, pandemia e maior crise econômica que estamos vivendo. Não estou falando apenas do negacionismo, que as pessoas se contaminem rapidamente para voltar ao mercado de trabalho. Estou falando também das denúncias de corrupção. Que ele tomou conhecimento e não fez nada, de crime cometido por quem ele nomeou. Ele que nomeou e tirou os ministros da Saúde, que nomeou o líder do governo, que deixou dentro do Ministério da Saúde um núcleo militar que também presenciou essa cena e não teve capacidade de gestão. Se a população brasileira não conseguiu se indignar e reagir diante desse descalabro, não acredito que será um escândalo de corrupção maior ou menor que levará a população à rua. Acredito que vai ser a fome. Temos um número recorde de miseráveis no Brasil. Voltamos à década de 80, quando eu ainda indo para a faculdade, no centro do Rio, via pessoas buscando comida na lata de lixo e comendo resto de tomate podre.

A senhora tem colocado seu nome como pré-candidata, dentro do MDB, à Presidência da República. A senhora tem adversários dentro do partido. O que a faz acreditar que poderá ser lançada em 2022?

Primeiro que o presidente do MDB, Baleia Rossi, conversou com praticamente todos os membros da Executiva. Muitos deles me procuraram esta semana dizendo que é muito importante o MDB se colocar no processo sucessório. Que o MDB e os partidos democráticos, neste momento em que a democracia está abalada e é ameaçada, em que temos um desgoverno que cria crises artificiais na área econômica e crises institucionais, possam entrar nesse centro democrático a favor de uma terceira via. Eles entendem que não haveria outro nome a não ser o meu. Dentro dessas conversas individuais, nós nos próximos dias, estaremos conversando e dando nossa palavra definitiva. Ainda quero ouvir colegas antes de tomar decisão porque essa é uma decisão partidária, uma decisão que vem para somar, não para dividir. Quero que as ideias democráticas e desenvolvimentistas, de políticas públicas sejam levadas adiante. Temos consciência que a pulverização e a fragmentação impedem que qualquer candidato vá para o segundo turno. Estamos a um ano das eleições, os nomes precisam ser colocados, a população precisa entender que não precisa voltar ao passado e, muito menos, continuar com o presente. Ela tem opção. Temos de dar oportunidade de o eleitor escolher dentro de uma gama de candidatos, ainda que esses candidatos ainda no primeiro turno se unam numa frente democrática. Não podemos ter, a um ano da eleição, uma disputa entre o passado e o presente. Precisamos falar de futuro. E, para falar de futuro, precisamos de nomes novos. Louvo a coragem de partidos que colocam seus candidatos, como o PSDB e o PDT. O MDB não pode ficar inerte nessa situação. Lá atrás o MDB abrigou todas essas correntes ideológicas. No momento em que o Brasil mais precisa, não pode ficar de fora. Nos próximos dias teremos uma posição do MDB. Embora meu mandato se encerre em 2022 e, em principio, eu estivesse me estruturando para ser candidata à reeleição no Senado, aprendi com meu pai que missão não se escolhe, cumpre-se. Se for essa a vontade do partido, que está sendo gestada, nos próximos 15 dias, saberemos… Eu coloco meu nome à disposição da disputa presidencial.

Mas como ser aceita por grupos que controlam o partido há anos, como o ex-presidente Temer, o senador Renan Calheiros, o ex-senador Romero Jucá, com os quais a senhora já bateu de frente?

O presidente Temer foi a primeira pessoa que Baleia e eu consultamos. Ele tem experiência como poucos, é um grande constitucionalista. Ele entende que o MDB não poderia entrar numa aventura. Ele foi categórico de que o MDB precisa ter uma candidatura própria, com pessoas experientes, mas com rosto novo. Todos sabem que tive embates com o senador Renan, mas isso não me impede de dialogar com ele. Ele me disse a mesma coisa, que acha que o MDB tem de entrar no processo. Um processo em que estão em jogo muitas coisas. Eu sei que o senador Renan tem grande preocupação com a reeleição de Bolsonaro, no que se refere à estabilidade democrática. Diante disso, não estou falando do meu partido, mas da frente democrática, de deixarmos de lado nossas diferenças, e nos unirmos naquilo que é mais importante. Aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa. Estou falando do MDB, do PSDB, do PSD, do PDT, de todos aqueles partidos democráticos que estão dispostos a apresentar um nome para sentar lá na frente, quem sabem em março, e dialogar a favor do Brasil.

A terceira via terá de se unir em torno de um nome se quiser vencer?

Defendo que todos botem seu bloco na rua, apresentem seus pré-candidatos. Não é defesa, é matemática. Temos de pensar que Lula tem, no mínimo, 35%, e vai para o segundo turno, e que Bolsonaro tem 25%, de acordo com as pesquisas hoje. Os dois somam 60% e se acrescentarmos 10% de Ciro, teremos 70%. Quando você pulveriza os demais, ninguém da terceira via terá condições de chegar a 20% para tirar Bolsonaro do segundo turno. É óbvio que todos os candidatos vão dizer que não vão abrir mão. Não tenho dúvida de que muitos dos que não alcançarem dois dígitos serão os primeiros a dizer que vão colocar seus nomes a favor dos outros. O que nos une é a democracia, um país menos desigual, que não passe fome, que tenha credibilidade no mundo, que não seja motivo de chacota. Um país em que o agronegócio produza e conserve o meio ambiente, que hoje tem imagem de vilão na visão da política internacional. Dei esse exemplo porque ele é o carro chefe da nossa economia. Se ela ficar combalida, a cadeia produtiva toda se desmonta. É o setor primário que aciona o secundário, que aciona o de serviços. Estou muito esperançosa que acharemos um nome da terceira via que vai disputar e ganhar as eleições em 2022.

Veja o discurso de Simone Tebet ao receber o Prêmio Congresso em Foco:

Cabo Daciolo filia-se ao Brasil 35 e lança pré-candidatura à Presidência…

30 de outubro de 2021 at 10:55

Ex-bombeiro fez orações e pediu aos eleitores para filiarem-se ao seu novo partido…

Cabo Daciolo ao lado de Suêd Haidar Nogueira, presidente do partido, durante sua filiação ao Brasil 35

Daciolo candidatou ao Planalto em 2018 pelo Patriota; em 2022, sairá pelo Brasil 35…

PODER360 30.out.2021 (sábado) – 7h18…

Cabo Daciolo filiou-se ao partido Brasil 35 e lançou a sua pré-candidatura às eleições presidenciais de 2022 na 6ª feira (29.out.2021). Como de costume, em seu discurso, falou em Deus e pediu que os eleitores filiem-se ao seu novo partido.

“Nós estamos aqui hoje para construir, para construir uma nação com uma equipe verdadeira, com coração e com amor. Eu acredito.”…

Antes de passar a palavra para a presidente do partido, Suêd Haidar Nogueira, Daciolo disse que os integrantes da sigla não estão atrás de poder, mas de transformação. “Nós não estamos atrás do poder pelo poder. Se nós quiséssemos cadeira, estaríamos vendo deputado, senador, até mesmo um governador, mas não têm o poder da transformação de mudança.”…

Assista à filiação e anúncio da pré-candidatura de Daciolo (23min26seg): …

Daciolo foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 2015 a 2019. Ele candidatou-se ao Planalto em 2018 pelo Patriota, ganhando notoriedade nacional pelas participações nos debates….

Relembre as participações de Daciolo nos debates em 2018 (5min43seg); …

Mesmo com pouco tempo de TV e desconhecido dos eleitores, conquistou mais de 1,3 milhão de votos (1,26% dos votos válidos), ficando em 6º lugar no 1º turno….

Na última 5ª feira (28.out), seu nome voltou a ser lembrado ao vir a público para questionar a sua não inclusão na lista de possíveis postulantes ao cargo em 2022. Em seu perfil no Twitter, Daciolo perguntou: “Cadê o Daciolo?”, indicando que iria concorrer….

BRASIL 35…

O PMB (Partido da Mulher Brasileira) mudou de nome para Brasil 35 em abril deste ano, quando era cotado para receber o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os seus filhos….

Fundado em 2008, o PMB elegeu 46 vereadores e uma prefeita nas eleições municipais de 2020. Conquistou o registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2015. Na esfera federal, não elegeu nenhum deputado ou senador….

PESQUISA

30 de outubro de 2021 at 10:11

Eleições:12% dos brasileiros não votam em Lula nem Bolsonaro

A pesquisa realizada pelo PoderData ouviu 2500 pessoas na última semana

 sábado, 30/10/2021, 09:06 – Atualizado em 30/10/2021, 09:06 –  Autor: PALOMA DA SILVA LOBATO DOL.


Imagem ilustrativa da notícia Eleições:12% dos brasileiros não votam em Lula nem Bolsonaro | Fabio Pozzebom/Agência Brasil e Ricardo Stuckert/Instituto Lula .

As eleições 2022 prometem um forte embate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar dos dois serem os principais nomes da disputa eleitoral, há quem queira apostar em uma terceira opção ou alguém que represente uma “terceira via”. .

Um levantamento feito pela PoderData, mostra que apenas 12% dos brasileiros não escolheriam nem Lula e nem Bolsonaro nas eleições do ano que vem. A pesquisa foi feita com 2.500 pessoas por telefone entre a última segunda (25) e quarta-feira (27) desta semana. 

Outros 88$ admitiram que votariam nos dois principais candidatos da disputa presidencil. As outras opções para não quer votar no petista ou no capitão são são o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), a  senadora Simone Tebet (MDB-MS), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

INTIMIDAÇÃO

30 de outubro de 2021 at 08:45

Comando Vermelho cancela mais um show de MC Poze

Facção criminosa ameaça de morte o funkeiro MC Poze do Rodo e governo cancela show

 sábado, 30/10/2021, 07:36 – Atualizado em 30/10/2021, 07:36 –  Autor: Com informações de Correio 24 horas


Membros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show.
 Membros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show. | Divulgação .

Se tem um cantor que vive sendo ameaçado de morte por facção criminosa é o funkeiro carioca MC Poze do Rodo. Mês passado, após uma publicação sua felicitando o cantor amazonense Romarinho MEC, o cantor de Forró foi brutalmente executado Romarinho agradeceu a mensagem de carinho do MC e disse em sua rede social que era “o melhor presente de aniversário que já ganhou de todo os anos”. Infelizmente naquela madrugada aconteceu o pior com o cantor amazonense. A partir dali, faccionários ameaçaram o show do MC Poze do Rodo no Amazonas e o show teve que ser cancelado

Agora a vez foi em Salvador (BA). Integrantes de facção criminosa do Comado Vermelho em Salvador gravaram vídeo ameaçado de morte o funkeiro MC Poze do Rodo, que faria seu primeiro show na capital baiana neste sábado (30/10). As informações são do Correio 24 Horas.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) anunciou a proibição do evento ‘Baile do Embrasa’, no Alto do Andu, por conta de ameaças de traficantes contra o funkeiro carioca.

Essa não é a primeira vez que o carioca MC Poze é ameaçado por membros de organizações criminosas, após anúncios de shows em outras cidades.

Desta vez, criminosos foram até o local onde ocorreria o ‘Baile do Embrasa’ para pichar o muro e ameaçar o artista. Nas imagens, é possível ver armas e até granadas.

“Vai tocar aqui não, MC Poze aqui na Bahia é bala”, diz um dos homens, sem mostrar o rosto, enquanto outro escreve ameaças na parede da casa de shows. Ao final, os criminosos ainda efetuam uma série de disparos contra as paredes e portão. Membros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show. | DivulgaçãoMembros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show. | DivulgaçãoMembros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show. | DivulgaçãoMembros de facção de Salvador ameaçam MC Poze e governo cancela show. | Divulgação

RECADO PARA FOFOQUEIRAS

30 de outubro de 2021 at 07:30

Irmã viraliza com sermão “o pastor tá comendo as meninas?”

A mulher aparece no púlpito e pega alguns fiéis de surpresa. No vídeo é possível ver a reação deles

 sexta-feira, 29/10/2021, 21:15 – Atualizado em 29/10/2021, 21:19 –  Autor: Raphael Albuquerque


Recado da pastora para fofoqueiras viralizou Recado da pastora para fofoqueiras viralizou | Reprodução.

Aqueles que estavam atentos nas redes sociais por esses dias, provavelmente se depararam com um vídeo em que uma pastora comenta uma fofoca de que o marido, pastor, “‘come as meninas”, mas continua sendo o marido dela. E do que se trata isso? Nada mais, nada menos, do que um sermão de igreja um tanto inusitado rapidamente viralizou na web.

“O pastor tá comendo as meninas? Continua sendo meu marido. E cadê o seu? Tá onde, fofoqueira? Vai tomar conta da sua vida”, grita a religiosa.

 

No momento em que a pastora disse essa frase, a reação da igreja foi ficar em silêncio. Enquanto que no altar, alguns homens aplaudiram e um deles tentou se esconder atrás de uma bíblia. O que chamou a tenção foi um jovem arregalando os olhos, espantado com o que estava ouvindo da irmã.

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Como os internautas não perdoam, nas redes sociais uma chuva de memes começou a surgir, principalmente com o irmão que arregala os olhos, assustado com o que está ouvindo da pastora. Há aqueles que queriam marcar o @ dos irmãos que praticam o ato, mas a bomba ia estourar. Confira os memes:

CANDIDATURA

29 de outubro de 2021 at 23:10

MDB faz pré-lançamento de Simone Tebet à presidência

Tebet é o quinto nome dos partidos que buscam uma alternativa à polarização do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro

 sexta-feira, 29/10/2021, 21:55 – Atualizado em 29/10/2021, 21:55 –  Autor: Camila Mattoso/FolhaPress


Senadora Simone Tebet (MDB-MS durante a CPI da Covid Senadora Simone Tebet (MDB-MS durante a CPI da Covid | Waldemir Barreto/Agência Senado .

OMDB iniciou nesta sexta-feira (29) o lançamento do nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como pré-candidata à presidência da República pelo partido.urn:uuid:7a1b0be4-b6c5-f88c-05df-f88cb6c57a1b

A sigla decidiu esperar o fim da CPI da Covid para colocar na rua o nome da parlamentar e assim evitar acusações de que ela estaria usando a comissão como palco para se lançar na disputa pelo Planalto.

O presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), diz a aliados ter conseguido construir união interna em torno do nome da senadora. Ainda assim, o deputado quer buscar a assinatura de 20 dos 27 diretórios regionais da sigla antes do ato de lançamento oficial do nome de Simone.

A sugestão de usar a palavra “sim” é passar a ideia de positividade. A ideia foi da equipe de comunicação orientada pelo presidente do MDB, Baleia Rossi (MDB-SP).

Tebet é o quinto nome dos partidos que buscam uma alternativa à polarização do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Nesta semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), se filiou ao PSD, cuja cúpula deseja lançá-lo à briga pelo Planalto.  

Diretores da Anvisa recebem ameaças para negar uso da vacina contra a Covid em crianças

29 de outubro de 2021 at 18:04

Nesta semana, a Pfizer informou que entrará com pedido de autorização de uso da vacina para a faixa etária de 5 a 11 anos de idade.

Por Bruna de Alencar e Carolina Dantas, g1

29/10/2021 14h07  Atualizado há 45 minutos


Prédio da Anvisa em Brasília  — Foto: Adriano Machado/Reuters

Prédio da Anvisa em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta sexta-feira (29) que os cinco membros que compõem a sua diretoria foram ameaçados por e-mail. As intimidações exigiam que o pedido de uso da vacina contra a Covid-19 em crianças, a ser feito pela Pfizer, não seja aprovado. (Veja abaixo)

Os cinco funcionários receberam um e-mail do mesmo remetente: um homem do Paraná, que possui um filho com idade entre 5 e 11 anos. Ele ameaçou não somente contra a vida dos agentes reguladores, mas também disse que irá retirar a criança da escola e optar pelo modelo de homescholling, caso a vacina seja obrigatória.

Os e-mails foram enviados na mesma semana em que a Pfizer anunciou que entrará com pedido de uso emergencial de seu imunizante para crianças no Brasil. A decisão foi divulgada um dia após o comitê da agência reguladora norte-americana (FDA, sigla em inglês) também recomendar a vacina para a faixa etária.

“Deixando bem claro para os responsáveis, de cima a baixo: quem ameaçar, quem atentar contra a segurança do meu filho: será morto”, disse o homem. Apesar do tom do texto, ele alega: “Isso não é uma ameaça. É um estabelecimento. Estou lhes notando por escrito porque não quero reclamações depois”.

De acordo com a Anvisa, já foram notificadas as autoridades policiais e o Ministério Público, nos âmbitos Federal, Estadual e Distrital, entre outras, para adoção das medidas cabíveis.

Veja e-mail enviado aos diretores da Anvisa abaixo:

Diretores da Anvisa foram ameaçados para vetar uso da vacina contra a Covid em crianças — Foto: Reprodução

Ex-funcionárias acusam Alcolumbre de comandar esquema de “rachadinha”…

29 de outubro de 2021 at 11:22

Esquema teria começado em 2016 e durado até março de 2021…

Davi Alcolumbre

Davi Alcolumbre foi presidente do Senado de fevereiro de 2019 e janeiro de 2021 e agora preside a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)…

PODER360 29.out.2021 (sexta-feira) – 10h29…

Seis mulheres afirmam terem atuado como funcionárias fantasmas do gabinete do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). De acordo com os relatos, depois de admitidas elas abriam uma conta no banco, entregavam o cartão e a senha a uma pessoa da confiança do senador e, em troca, ganhavam uma pequena gratificação….

A prática, conhecida como “rachadinha”, consiste em desviar salários de funcionários fantasmas nomeados como assessores ou auxiliares. Geralmente, é um acordo pré-estabelecido entre as pessoas que emprestarão os nomes e dados e os responsáveis pela nomeação….

As acusações foram publicadas pela revista Veja, que teve acesso a extratos bancários que mostram o histórico de saques das contas bancárias das funcionárias. O dinheiro era retirado de uma só vez no dia do pagamento….

Marina Ramos Brito dos Santos, Erica Almeida Castro, Lilian Alves Pereira Braga, Jessyca Priscylla de Vasconcelos Pires, Larissa Alves Pereira Braga e Adriana Souza de Almeida admitiram ter atuado como funcionárias fantasmas e relatam como funcionava o esquema. Eis um resumo:…

salários – variavam de R$ 4.000 a R$ 14.000 por mês. As funcionárias recebiam de R$ 800 a R$ 1350;…

duração – o esquema teria começado em janeiro de 2016 e funcionado até março deste ano;…

procedimentos– depois de nomeadas, abriam contas, entregavam senha e cartões. Quando o salário era creditado, alguém sacava todo o valor;…

função – eram nomeadas como assessoras parlamentares, mas nenhuma delas tinha curso superior nem qualquer tipo de experiência legislativa. Admitem não terem trabalhado;…

outros benefícios – salários, benefícios e verbas rescisórias a que elas teriam direito não ficavam com elas;…

proposta – algumas delas contam que ouviram a oferta diretamente do senador Davi Alcolumbre;…

processos – 3 delas processam o senador Davi Alcolumbre por terem sido exoneradas enquanto estavam grávidas e não terem recebido direitos trabalhistas….

Eis alguns trechos dos relatos:…

Marina Ramos Brito dos Santos, 33 anos, diarista – “O senador me disse assim: ‘Eu te ajudo e você me ajuda’. Estava desempregada. Meu salário era mais de R$ 14.000, mas topei receber apenas R$ 1.350. A única orientação era para que eu não dissesse para ninguém que tinha sido contratada no Senado.”…

Erica Almeida Castro, 31 anos, estudante – “Meu salário era acima dos R$ 14.000 reais, mas eu só recebia 900 reais. Eles ficavam até com a gratificação natalina. Na época, eu precisava muito desse dinheiro. Hoje tenho vergonha disso.”…

Lilian Alves Pereira Braga, 29 anos, dona de casa – “Eles pegaram meu cartão do banco e a senha. Uma pessoa sacava o dinheiro e dava minha parte na mão. Cheguei a ter um salário de 11.000, mas recebia apenas R$ 800 por mês”….

Jessyca Priscylla de Vasconcelos Pires, 29 anos, dona de casa – “Eu retirava o pagamento no banco e entregava a parte deles, para pessoas que o chefe de gabinete do senador indicava. Tinha medo de denunciar isso, mas agora tomei coragem.”…

Larissa Alves Pereira Braga, 25 anos, desempregada – “O combinado era que eu não precisava aparecer lá. Eles tinham a senha da conta, o cartão do banco, tinham tudo. O meu salário era de uns R$ 3.000 e poucos por mês, mas eu só recebia R$ 800 reais. Para quem estava na pior…”…

Adriana Souza de Almeida, 36 anos, dona de casa – “Nunca prestei nenhum tipo de serviço, nunca vi o senador e nem sei quanto eu ganhava. Me pediram para abrir uma conta. Dei a eles a senha, o cartão do banco e recebia R$ 800 por isso.”…

PROCESSOS

Davi Alcolumbre está sendo processado por Larissa Alves Braga. A dona de casa foi contratada como “auxiliar júnior” em 2019. Em outubro do ano passado, seu contrato de trabalho foi encerrado sem nenhum aviso prévio, enquanto ela estava grávida. Ela conta que está pedindo indenização na Justiça, porque foi exonerada com 7 meses de gravidez….

Lilian Alves Braga, irmã de Larissa, foi “assessora júnior” do gabinete de Alcolumbre até março deste ano. Ela também admite que nunca trabalhou. Também foi demitida quando estava grávida de 8 meses e cobra uma indenização do senador por não ter recebido os direitos trabalhistas….

Segundo a Veja, no processo que tramita na Justiça, as irmãs e a diarista Marina Brito, que também teve o contrato encerrado quando esperava um filho, anexaram documentos para provar a relação funcional que tiveram com o senador….

Entre os papéis, há extratos bancários que comprovariam que alguém zerava as contas das ex-funcionárias depois que os pagamentoa eram creditados. Os saques eram feitos num caixa eletrônico que fica a 200 metros do gabinete do senador….

OUTRO LADO…

O senador afirma que se concentra nas atividades legislativas e que questões administrativas –como a contratação de funcionários– ficavam a cargo de seu então chefe de gabinete, Paulo Boudens….

Alcolumbre afirma que não se lembra das ex-funcionárias citadas na reportagem e diz que ninguém estava autorizado a ficar com os salários das servidoras. Paulo Boudens foi exonerado em 2020….

O senador Davi Alcolumbre foi presidente do Senado Federal de fevereiro de 2019 a janeiro de 2021. No período, assumiu interinamente a Presidência da República por 3 dias. Hoje, ele preside a CCJ (Comissão de Constituição de Justiça)….

SABATINA DE ANDRÉ MENDONÇA…

Alcolumbre está há 108 dias sem pautar a sabatina de André Mendonça, ex-advogado-geral da União e indicado por Jair Bolsonaro para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Mendonça foi indicado por Bolsonaro em 13 de julho de 2021. Ele já é o nomeado ao STF que mais aguardou a sabatina….

O presidente Jair Bolsonaro disse que não entende o motivo de o senador não ter pautado a indicação de André Mendonça na CCJ e que a demora é uma “tortura” e um “desapreço para o presidente da República”….

Nasa lança telescópio que supera o Hubble: conheça o James Webb, criado para captar as primeiras galáxias do Universo

29 de outubro de 2021 at 09:30

James Webb tem custo estimado em US$ 10 bilhões, será colocado em órbita em 18 de dezembro e vai ‘alterar de forma fundamental o nosso entendimento sobre o universo’, segundo a agência espacial.

Por Lara Pinheiro, g1

29/10/2021 05h01  Atualizado há 44 minutos


Ilustração simula o posicionamento do James Webb no espaço. — Foto: NASA GSFC/CIL/Adriana Manrique Gutierrez

Ilustração simula o posicionamento do James Webb no espaço. — Foto: NASA GSFC/CIL/Adriana Manrique Gutierrezhttps://48f74c1222193d592de26e1bc513e42b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Nasa, agência espacial americana, vai lançar ao espaço, em 18 de dezembro, o telescópio espacial James Webb. Ele vai complementar o Hubble, telescópio mais famoso da agência, que está há 31 anos em órbita.

(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que o James Webb seria lançado no domingo, 31. A data correta do lançamento é 18 de dezembro. A informação foi corrigida às 8h33).

Nesta reportagem, você vai entender quais as novas possibilidades que o James Webb traz:

  1. O que é o James Webb?
  2. Por que o seu lançamento é importante?
  3. O James Webb vai substituir o Hubble?
  4. Que avanços o James Webb vai permitir em relação ao Hubble?
  5. A que distância o James Webb vai ficar da Terra?
  6. Quanto tempo vai durar a missão do Webb?
  7. Quanto custou o James Webb?
  8. Ele terá manutenções?

1) O que é o James Webb?

O espelho de 18 segmentos do Telescópio Espacial James Webb vai capturar a luz infravermelha de algumas das primeiras galáxias que se formaram — Foto: NASA/DESIREE STOVER

O espelho de 18 segmentos do Telescópio Espacial James Webb vai capturar a luz infravermelha de algumas das primeiras galáxias que se formaram — Foto: NASA/DESIREE STOVERhttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O James Webb é o novo telescópio espacial da Nasa (JWST, na sigla em inglês: James Webb Space Telescope). Ele é, basicamente, um grande observatório espacial que consegue enxergar objetos – como estrelas, galáxias e exoplanetas – super distantes no espaço. Sua massa é de 6,5 toneladas.

O modelo em escala real do telescópio espacial James Webb em Austin. — Foto: Chris Gunn/Nasa

O modelo em escala real do telescópio espacial James Webb em Austin. — Foto: Chris Gunn/Nasa

2) Por que o seu lançamento é importante?

Porque ele vai permitir aos astrônomos, literalmente, enxergar coisas no Universo que eles não conseguiam ver antes – como as primeiras galáxias que surgiram nele. (Veja detalhes na pergunta 4).

“É como um brinquedo novo dos astrofísicos. E esse brinquedo novo vai permitir que a gente faça um tipo de ciência que não conseguia fazer antes”, explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nas palavras da própria Nasa, o telescópio vai “alterar de forma fundamental o nosso entendimento sobre o universo“.

O lançamento do James Webb é descrito pela agência como “um momento Apollo” – em uma referência às missões Apollo de exploração lunar, que levaram o primeiro homem a pisar na Lua em 1969.

Plantas do Telescópio Espacial James Webb — Foto: Nasa

Plantas do Telescópio Espacial James Webb — Foto: Nasahttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

3) O James Webb vai substituir o Hubble?

Não. Ele vai complementar o Hubble, explica Thiago.

“Ele é um telescópio que definitivamente não substitui o Hubble – o Hubble continua sendo importante. A gente agradece o Hubble ainda existir, inclusive, porque tem muita coisa que a gente só consegue ver com o Hubble. Mas o James Webb tem várias particularidades que eu diria que vão ser capazes de complementar o que o Hubble já fez e continua fazendo”, afirma.

O telescópio espacial Hubble, da Nasa, se dedica a fotografar o espaço desde seu lançamento, em 24 de abril de 1990 — Foto: NASA

O telescópio espacial Hubble, da Nasa, se dedica a fotografar o espaço desde seu lançamento, em 24 de abril de 1990 — Foto: NASA

4) Que avanços o James Webb vai permitir em relação ao Hubble?

Vários. O primeiro é que ele é maior do que o Hubble, então consegue captar bem mais luz e enxergar mais longe. Seu espelho primário tem 6,5m de diâmetro (quase 3 vezes maior do que o do Hubble).

Outro é que o James Webb só consegue enxergar em infravermelho. Esse tipo de radiação não é visível para o Hubble.

“Isso tem algumas vantagens: os riscos de poeira ao redor de estrelas onde os planetas se formam emitem radiação infravermelha – então é melhor observar com esse tipo de radiação”, explica Thiago.

“Da mesma forma, as galáxias, quanto mais distantes elas estão – por causa da expansão do Universo – mais vermelhas ficam. Quando a gente está observando as galáxias no Universo distante, é uma vantagem olhar no infravermelho”, completa.

Como a luz infravermelha tem um comprimento de onda é mais longo que os outros, o James Webb vai conseguir olhar mais para trás no tempo – e enxergar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo.

É como olhar para o passado.

“Quanto mais longe [está a galáxia], mais no passado. É um efeito meio maluco de relatividade, mas você pode pensar assim: quando a gente está vendo uma coisa muito distante, está vendo uma coisa que aconteceu há muito tempo atrás – há bilhões de anos – e simplesmente levou muito tempo para a luz chegaàr até aqui”, explica o astrônomo.

O JWST não é o primeiro telescópio da Nasa que consegue enxergar em infravermelho: o Spitzer, aposentado em janeiro do ano passado, também conseguia fazer isso. Mas o espelho primário do James Webb é quase 60 vezes maior em área – o que faz com que ele enxergue mais longe.

(E nem tudo está perdido para o Hubble: ele consegue enxergar a luz visível, comum, e a radiação ultravioleta, que o James Webb não consegue ver).

5) A que distância o James Webb vai ficar da Terra?

1,5 milhões de km – em um ponto chamado Lagrange Terra-Sol L2.

Para comparação:

  • Terra está a 150 milhões de km do Sol.
  • Lua orbita a Terra a uma distância de aproximadamente 384,5 mil km.
  • O Hubble orbita a Terra a uma altitude de cerca de 570 km acima dela.

Essa distância toda do Webb é necessária por basicamente dois motivos:

  • O frio

O Webb vai observar, principalmente, a luz infravermelha de objetos fracos e muito distantes. O infravermelho é a radiação de calor, então todas as coisas quentes, incluindo telescópios, emitem luz infravermelha. Para evitar sobrecarregar os sinais astronômicos muito fracos com a radiação do telescópio, o telescópio e seus instrumentos devem estar muito frios. A temperatura operacional do Webb é de -223°C.

  • Atração gravitacional

O Lagrange L2 é um ponto semiestável no potencial gravitacional em torno do Sol e da Terra. O ponto L2 fica fora da órbita da Terra enquanto ela gira em torno do Sol, mantendo os três em uma linha o tempo todo. As forças gravitacionais combinadas do Sol e da Terra podem quase “segurar” uma espaçonave neste ponto, e é necessário relativamente pouco combustível para mantê-la perto do L2.

6) Quanto tempo vai durar a missão do Webb?

Pelo menos 5 anos e meio após o lançamento (vai levar 6 meses até que ele chegue ao destino e comece a mandar imagens de volta para a Terra).

O objetivo é que o telescópio tenha uma vida útil maior do que 10 anos. Essa vida útil é limitada pela quantidade de combustível usado para manter a órbita e pelo funcionamento adequado em órbita da espaçonave e dos instrumentos.

7) Quanto custou o James Webb?

US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56,2 bilhões).

7) Quanto custou o James Webb?

US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56,2 bilhões).

8) Ele terá manutenções?

Não. Por ficar tão longe da Terra, fica inviável consertar o Webb se houver algum defeito, como já foi feito com o Hubble. A Nasa afirma que os benefícios potenciais de um conserto não compensariam os aumentos na complexidade, massa e custo da missão.

ASSISTA AO VÍDEO!

28 de outubro de 2021 at 07:23

Bolsonaro esquece de ao vivo e “ensina” como receber propina

Comentário foi feito durante conversa informal enquanto aguardava o fim do intervalo comercial da emissora

 quarta-feira, 27/10/2021, 21:49 – Atualizado em 27/10/2021, 23:19 –  Autor: Com informações do Revista Fórum/DOL


Presidente concedia entrevista a uma emissora de rádio nesta quinta-feira (27) Presidente concedia entrevista a uma emissora de rádio nesta quinta-feira (27) | Reprodução/Twitter .

Não bastou ter abandonado uma entrevista após um bate-boca ao vivo motivado por uma pergunta de um dos participantes, agora o presidente Jair Bolsonaro precisa lidar com o próprio “deslize” cometido no intervalo de uma outra entrevista a uma rádio com transmissão simultânea pela internet.

Enquanto aguardava o fim do intervalo comercial da emissora, Bolsonaro pensou que estava “em off” e esqueceu por completo da transmissão online que seguiam no ar. Nesse momento, em um vídeo de 28 segundos de duração, o chefe do poder executivo dá início a uma conversa informal sobre pedágios e deixa escapar como recebe propina sem ninguém saber.

“O pedágio de moto no Paraná é R$ 9. Agora, o que eu apanho por causa disso… Pra mim é fácil… ‘Manda um sapato número 43 pra mim, meu número aqui, tá? Um beijo! Pronto, resolveu! Chega o sapato número 43 cheio de notinha de R$ 100 verdinha dentro”, falou Bolsonaro, sem rodeios ou meias palavras.

E MAIS:

Quando se preparava para falar sobre “quanto custaria” uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), ele interrompe o raciocínio, com um semblante claramente assustado ao perceber – ou ser alertado – de que estava no ar para os internautas.