Depois da CPI da Pandemia, Senado renova 27 integrantes em 2022

6 de janeiro de 2022 at 10:43

Popularidade da comissão será posta à prova nas urnas; escolha de nomes esbarra em acordos visando as chapas presidenciaisPerspectiva 2022 SenadoPerspectiva 2022 SenadoMarcos Oliveira/Agência Senado/Arte CNN

Leandro Resende

06/01/2022

Depois de pautar o mundo da política por mais da metade de 2021 com a CPI da Pandemia, os holofotes seguem voltados para o Senado. 27 novos (ou velhos) integrantes serão escolhidos nas eleições de 2022 em uma disputa que, claro, irá interferir nos arranjos dos estados, mas dessa vez também terá impacto sobre a formação de chapas para disputa da Presidência da República.

Em 2018, quando o Brasil foi às urnas para renovar 2/3 do Senado, apenas 8 dos 32 que tentaram a reeleição conseguiram voltar a Brasília. Em 2022, o cenário é diferente. A meses da eleição, o clima de antipolítica que impulsionou a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) mudou, ele próprio foi para os braços dos partidos que compõem o centrão, e a polarização entre ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está, até aqui, consolidada.

Sem uma terceira via com viabilidade eleitoral, pesos-pesados do Senado terminarão seus mandatos e devem disputar a reeleição, como o ex-presidente da Casa Davi Alcolumbre (DEM-AP). Será uma prova de fogo para um dos principais players de Brasília após seu irmão, Josiel Alcolumbre, ser derrotado em 2020, nas eleições para prefeitura de Macapá, e após o grande desgaste entre ele e o governo federal com a demora de meses para marcação da sabatina do agora ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Perspectiva 2022

A popularidade de pelo menos quatro figuras de grande destaque da CPI da Pandemia será posta à prova. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), deve disputar uma difícil reeleição no Amazonas e pode enfrentar o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB).

Médico com atuação destacada na CPI, Otto Alencar (PSD-BA) é cotado para concorrer à reeleição, em um arranjo que envolve a candidatura do colega senador Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia e a candidatura de Lula à Presidência.

Simone Tebet (MDB-MS), outra parlamentar de grande destaque na comissão que pautou parte de 2021, foi lançada pré-candidata à Presidência da República, mas se a candidatura não empolgar, pode disputar uma vaga no Senado com a ministra da Agricultura Tereza Cristina.

Já Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), destacado defensor da gestão Bolsonaro na CPI da Pandemia, vive um desafio. Ex-líder do governo no Senado, ele pode disputar a reeleição, enquanto vê seu filho, Miguel Coelho, tentando se cacifar para disputar o governo de Pernambuco.

E na lista dos que ainda podem disputar a eleição em 2022 estão o ex-presidente Fernando Collor (Pros-AL) e a senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Impactos para chapas presidenciais

A negociação mais sensível está em São Paulo, onde partidos de centro-esquerda e de esquerda, capitaneados pelo PT e pelo PSB, estudam os nomes para compor a chapa para disputa do governo do estado, do Senado e, no limite, da Presidência da República. O xadrez é complexo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin têm conversado e há a possiblidade de que o segundo, recém-saído do PSDB, seja candidato a vice-presidente numa chapa com o primeiro. Alckmin é cortejado pelo PSB, que estuda formar uma federação junto com o PT e outras legendas.

A aliança pode prosperar, mas precisa resolver o nome que será indicado ao Senado. Os dois partidos têm candidato ao governo de São Paulo: Márcio França, pelo PSB, e Fernando Haddad, pelo PT. Internamente, há quem defenda que um dos dois seja escolhido para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e o outro para disputar vaga em Brasília.

Outros nomes importantes vão disputar a vaga no estado: o apresentador de TV José Luiz Datena deve concorrer ao cargo pelo PSD, enquanto o eterno candidato Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), pode tentar uma vaga pelo MDB. José Serra (PSDB-SP), que está na cadeira, ainda não descartou disputar a reeleição, o que pode complicar ainda mais uma disputa que já se desenha acirrada em São Paulo.

No Rio de Janeiro, o PL quer fazer Cláudio Castro o primeiro governador reeleito da legenda. E conta com o presidente Jair Bolsonaro para isso. Mas a escolha do candidato ao Senado não é simples: a CNN apurou que a vaga fora prometida ao MDB, que quer lançar o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. Mas o PL não abre mão de indicar Romário, que deve disputar a eleição. Os dois postulantes apoiam o presidente Bolsonaro, que, até aqui, não demonstrou que irá escolher um em detrimento do outro.

Com protagonismo adquirido com a CPI da Pandemia e na gestão do também presidenciável Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é bom não descuidar das articulações para o preenchimento das 27 vagas do Senado. Muita articulação à vista, mas a certeza de que a formação das chapas será um guia para a formação do quadro para a disputa mais importante do ano: a do Palácio do Planalto.

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