DESABAFO

18 de outubro de 2021 at 23:02

Juiz do TJPA usa bermuda e chinelo e diz sofrer preconceito

Publicação feita em uma rede social levantou longos debates e abriu espaço para internautas compartilharem experiências parecidas no Judiciário

 segunda-feira, 18/10/2021, 22:25 – Atualizado em 18/10/2021, 22:25 –  Autor: DOL


Natural do Maranhão, juiz usou seu perfil nas redes sociais para desabafar Natural do Maranhão, juiz usou seu perfil nas redes sociais para desabafar | Reprodução/Instagram .

Ocomentário de um magistrado do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) feito no perfil pessoal em uma rede social tem provocado debates e dividido opiniões desde as últimas horas em que foi publicado. O desabafo feito por André Alencar Spíndola para um público restrito na plataforma do Twitter pincelava um pouco sobre o preconceito que alegava sofrer por ter sido considerado “uma pessoa simples”.

“Hoje recebi uma crítica de uma pessoa próxima de que eu não ‘me porto como juiz’”, relata. Ele diz que foi criticado por comer numa feira. “O que é ‘ter porte de juiz’? Agora só porque eu passei no concurso não posso comer na feira? Não posso ir a um lugar simples? Tenho que sempre andar arrumado, na pose, bancando o fino e elegante?”, desabafa.

Natural do Maranhão, o magistrado alega que “veio de baixo” e que não liga para roupas de marca ou vestimentas mais refinadas para se sentir bem vestido. “Adoro sair por aí de bermuda e chinelo e isso não define quem eu sou”, diz.

“Me falaram que sou juiz, mas com cabeça de estagiário, que eu não tenho bom senso (…) Não sou adepto dessa visão glamorosa que tem a sociedade de que, por ser juiz, não posso estar vestindo assim, assado, não posso frequentar determinados lugares ‘inapropriados’ pra minha condição social”, continua.

Sequência de publicações feitas pelo juiz em seu perfil no Twitter
 Sequência de publicações feitas pelo juiz em seu perfil no Twitter | Reprodução/Redes Sociais
Sequência de publicações feitas pelo juiz em seu perfil no Twitter

Na publicação, o magistrado dividiu opiniões, assim como impulsionou um longo debate sobre o tema, com internautas compartilhando experiências parecidas que tiveram trabalhando no Judiciário.

“No início, estranharam. Agora, acostumaram”, disse um juiz que afirma exercer a função há 14 anos e que também saía para bares e feiras, além de usar trajes mais casuais.

Já uma estudante de arquitetura desabafou: “se todos fossem como você [juiz André Alencar], eu teria menos ranço!”. Ela conta que já foi criticada por um estudante de direito pelas escolhas da roupa. “Conhecimento não precisa né? O que precisa é ter roupa massa!”, disparou.