Deputados com 4,9 mi de votos devem estar fora do PSL ao fim da debandada

21 de junho de 2021 at 09:21

Maioria das saídas foram causadas pelo racha de 2019, quando Jair Bolsonaro deixou o partido

Bolsonaro deverá tirar seus aliados do PSL no ano que vem; a sigla ficará sem alguns de seus integrantes mais votadosSergio Lima/Poder360 – 9.fev.2021

CAIO SPECHOTO e MARIANA HAUBERT DOL
21.jun.2021 (segunda-feira) – 6h00

A provável ida de deputados do PSL para o mesmo partido ao qual Jair Bolsonaro se filiar deverá fazer com que a sigla perca os detentores de ao menos 4,9 milhões dos 7,7 milhões de votos que seus representantes na Câmara tiveram nas eleições de 2018.

Isso equivale a 63% dos votos que tiveram os deputados eleitos pela legenda. Ou 42% do total de votos para deputado federal que o partido teve naquele ano (11,6 milhões).

Além dos bolsonaristas, a deputada Joice Hasselmann (SP), que já integrou o grupo aliado ao presidente, anunciou na 2ª feira (14.jun) que deixará o partido. Ela foi a 2ª mais votada em 2018, atrás apenas de Eduardo Bolsonaro (SP). E, em 2019, Alexandre Frota (SP) foi expulso do partido.

Poder360 apurou quais deputados da bancada atual devem sair do PSL, quais devem ficar e quais ainda não deram sinais claros sobre seus destinos, e compilou as votações de cada um em 2018. Os dados estão no infográfico a seguir:

A reportagem perguntou a integrantes dos grupos políticos de Jair Bolsonaro e de Luciano Bivar (PE), presidente do PSL, quais dos 53 integrantes da bancada devem continuar no partido ou deixar a sigla.

Foram classificados como incógnita aqueles que não foram citados por nenhum dos 2 grupos ou citados pelos 2, mas com informações antagônicas. Isso significa que o número de saídas pode ser maior que o detectado pela reportagem.

Jair Bolsonaro se filiou ao PSL para disputar a Presidência da República em 2018. Venceu e elegeu uma bancada de 52 deputados para o partido, antes inexpressivo.

Na última legislatura, de 2015 a 2019, por exemplo, o partido teve apenas 9 deputados.

No 2º semestre de 2019, Bolsonaro se desentendeu com a direção da legenda, deixou o partido e agora busca um nova sigla para disputar a reeleição. O mais cotado até o momento é o Patriota.

Alguns deputados bolsonaristas ainda defendem um acerto que possibilite suas permanências no PSL, mas essa saída no momento é improvável. O cenário atual indica que seguirão o presidente para a legenda que ele escolher.

Para migrarem, porém, precisarão esperar a janela para mudança de partido, no ano que vem. Vereadores e deputados (federais e estaduais) que mudam fora desse período determinado correm o risco de perderem seus mandatos.

Senadores e mandatários do Executivo podem trocar de sigla livremente. O filho senador de Jair Bolsonaro, Flávio, já se filiou ao Patriota.

PSL BUSCA SUBSTITUTOS

O deputado Junior Bozzella, presidente do PSL em São Paulo, disse ao Poder360 que o tempo de rádio e TV da legenda e os fundos Partidário e Eleitoral poderão atrair candidatos competitivos em 2022.

A cúpula já negocia filiações. É o caso do deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), que deve levar consigo deputados estaduais para disputarem vagas no ano que vem à Câmara federal.

Bozzella tem viajado o país para iniciar as tratativas para a formação dos palanques eleitorais. De acordo com ele, a meta é eleger novamente uma bancada com cerca de 50 deputados. Dessa vez, porém, sem se apoiar exclusivamente no bolsonarismo.

As eleições de 2020, porém, mostraram as dificuldades do partido em colocar a ideia de descolamento do presidente Bolsonaro em prática: ao todo, a sigla elegeu apenas 91 prefeitos nos 5.570 municípios do Brasil.