DESCASO

29 de outubro de 2020 at 07:53

Trabalhadores relatam drama que enfrentam no Porto do Sal

Em estado de abandono total por parte da Prefeitura de Belém, o espaço está com as estruturas precárias e só recebe manutenção dos feirantes

 quinta-feira, 29/10/2020, 07:42 – Atualizado em 29/10/2020, 07:44 –  Autor: Wesley Costa DOL

O trapiche está quebrado há dois anos, segundo os trabalhadores, e não há nem sinal de melhorias

 O trapiche está quebrado há dois anos, segundo os trabalhadores, e não há nem sinal de melhorias | Ricardo Amanajás

Localizado no centro histórico de Belém, no bairro da Cidade Velha, o Porto do Sal já foi um dos mais importantes da capital paraense. O espaço que iniciou suas atividades oficialmente em 1933 servia principalmente para o escoamento de produtos ribeirinhos, como pescados, frutas, farinha e outras mercadorias. Esquecido no tempo pela atual gestão municipal, a estrutura que ainda resta do porto encontra-se totalmente abandonada.

Quem ainda trabalha por ali não cansa de reclamar da situação precária. Devido às péssimas condições, a cena da movimentação na área ficou apenas na memória de moradores e feirantes. “Isso aqui era muito movimentado. Tinha embarque e desembarque a toda hora de pessoas e mercadorias no trapiche” lembra o feirante Irineu Figueiredo, 66.

Irineu conta que o trapiche do porto que era utilizado pelos atravessadores desabou há anos, e que a Prefeitura de Belém nunca apareceu no local para construir uma nova estrutura. “Esse é o porto mais abandonado da cidade. Estamos aqui totalmente desprezados. Hoje, para embarcar ou desembarcar as coisas, precisamos utilizar dois portos privados que ficam aqui ao lado, porque o daqui mesmo caiu e nunca foi reconstruído”, denúncia.

Se não fosse por iniciativa própria, os feirantes da área também estariam vivendo problemas com o acúmulo de lixo e a falta de pequenos reparos no mercado que fica na entrada do porto. “Aqui no mercado são os próprios feirantes que fazem coleta para poder ajeitar as coisas, e ainda continuamos pagando as taxas cobradas pela prefeitura. Essa situação espanta os clientes, agora são poucos os que passam por aqui e compram algo”, lamentou o comerciante Rosenildo Almeida, 43.

Desde início das atividades, o Porto Sal passou apenas por uma grande reforma, que teria ocorrido em 1990. “Já são 30 anos que ninguém da prefeitura aparece por aqui para fazer alguma coisa para mudar essa situação horrível do nosso porto. A gente precisa muito desse espaço para poder trabalhar e tirar nosso o sustento”, disse o trabalhador.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belém não se posiconou atéo fechamento desta edição.