{"id":8666,"date":"2021-11-16T22:32:03","date_gmt":"2021-11-17T01:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=8666"},"modified":"2021-11-16T22:32:06","modified_gmt":"2021-11-17T01:32:06","slug":"segunda-paciente-com-hiv-pode-ter-se-curado-da-infeccao-sem-tratamento-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/segunda-paciente-com-hiv-pode-ter-se-curado-da-infeccao-sem-tratamento-entenda\/","title":{"rendered":"Segunda paciente com HIV pode ter se curado da infec\u00e7\u00e3o sem tratamento; entenda"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Argentina de 30 anos \u00e9, possivelmente, apenas o segundo caso conhecido no mundo em que algu\u00e9m se &#8216;livra&#8217; do v\u00edrus no corpo sem um transplante de medula \u00f3ssea e sem tratamento antirretroviral.<\/h2>\n\n\n\n<p>Por Lara Pinheiro, g1<\/p>\n\n\n\n<p>16\/11\/2021 17h57&nbsp;&nbsp;Atualizado&nbsp;h\u00e1 4 horas<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/Ovi8VHB_eDsgwNHiYdHoxSJFoaE=\/0x0:1600x1200\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/07\/21\/18143-1-.tif.png?w=640&#038;ssl=1\" alt=\" C\u00e9lula infectada por part\u00edculas do v\u00edrus HIV, anexas \u00e0 superf\u00edcie  \u2014 Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) \" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>C\u00e9lula infectada por part\u00edculas do v\u00edrus HIV, anexas \u00e0 superf\u00edcie \u2014 Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma argentina de 30 anos pode ser a segunda pessoa no mundo que se infectou e conseguiu se curar do v\u00edrus HIV sem a necessidade de tratamento, aponta uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.acpjournals.org\/doi\/10.7326\/L21-0297\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa publicada nesta ter\u00e7a-feira&nbsp;<\/a>(16) no &#8220;Annals of Internal Medicine&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo \u2013 de pesquisadoras em Buenos Aires e em Boston, nos Estados Unidos \u2013,&nbsp;a mulher vem mantendo uma carga viral indetect\u00e1vel do HIV tipo 1 (HIV-1) h\u00e1 8 anos, mesmo sem terapia antirretroviral nem transplante de medula \u00f3ssea.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta reportagem, voc\u00ea vai entender:<\/p>\n\n\n\n<ol><li>A quest\u00e3o em torno do &#8220;tipo de cura&#8221; alcan\u00e7ado pela paciente \u2013 e&nbsp;<strong>por que ela nunca poder\u00e1 ser totalmente comprovada<\/strong><\/li><li>Os detalhes do caso (<strong>a paciente engravidou e deu \u00e0 luz um beb\u00ea sem HIV<\/strong>)<\/li><li><strong>O mecanismo dos &#8216;controladores de elite&#8217; para deter o v\u00edrus<\/strong><\/li><li>A diferen\u00e7a entre esse caso e outros dois que tamb\u00e9m foram curados do HIV \u2013 s\u00f3 que com um&nbsp;<strong>transplante de medula \u00f3ssea<\/strong><\/li><li>Por que o HIV \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de curar<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. &#8216;Tipo de cura&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a paciente havia, possivelmente, se curado do HIV,&nbsp;as cientistas examinaram 1,5 bilh\u00e3o de c\u00e9lulas da paciente. Elas n\u00e3o encontraram nem part\u00edculas do v\u00edrus que fossem capazes de se replicar nem prov\u00edrus do HIV \u2013 o v\u00edrus com o material gen\u00e9tico em DNA, que se integra ao DNA das nossas c\u00e9lulas.https:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-38\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora,&nbsp;s\u00f3 um outro caso do tipo \u2013 em uma mulher de 67 anos \u2013 havia sido identificado pela ci\u00eancia&nbsp;(<em>veja detalhes mais abaixo<\/em>). As duas pacientes se tornaram conhecidas por serem o que se chama de&nbsp;&#8220;controladoras de elite&#8221; do v\u00edrus&nbsp;\u2013 pessoas capazes de obter uma &#8220;cura funcional&#8221; do v\u00edrus mesmo sem receber medicamentos (<em>entenda melhor no t\u00f3pico 3<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A cura funcional \u00e9 aquela em que voc\u00ea controla o v\u00edrus e n\u00e3o tem mais nenhuma evid\u00eancia de que ele possa fazer algum mal \u00e0 sa\u00fade. \u00c9 aquela daquelas pessoas que a gente chama de&nbsp;controladores de elite \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma coisa infrequente, acontece em 1% a 3% das pessoas&#8221;, explica Ricardo Diaz, infectologista da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/universidade\/unifesp\/\">Unifesp<\/a>) que,&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2020\/07\/12\/pesquisadores-brasileiros-eliminaram-hiv-de-paciente-com-novo-coquetel.ghtml\">no ano passado, liderou um grupo de pesquisadores que conseguiram eliminar o HIV de um paciente<\/a>&nbsp;com um novo coquetel de medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s03.video.glbimg.com\/x240\/8692762.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Pesquisadores brasileiros eliminaram HIV de paciente com novo coquetel\" title=\"Pesquisadores brasileiros eliminaram HIV de paciente com novo coquetel\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisadores brasileiros eliminaram HIV de paciente com novo coquetel<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Essas pessoas t\u00eam carga viral indetect\u00e1vel \u2013&nbsp;ent\u00e3o, aparentemente, o v\u00edrus n\u00e3o est\u00e1 se multiplicando de uma forma que a gente consiga enxergar com os m\u00e9todos de laborat\u00f3rio que tem. E elas n\u00e3o t\u00eam uma diminui\u00e7\u00e3o da imunidade \u2013 n\u00e3o cai o CD4 [tipo de c\u00e9lula de defesa]&#8221;, completa Diaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que esses dois casos chamam aten\u00e7\u00e3o mesmo entre esses &#8220;controladores de elite&#8221;. Isso porque essas pacientes foram capazes de controlar o v\u00edrus de maneira t\u00e3o eficiente que n\u00e3o h\u00e1 mais nenhum sinal de que ele tenha capacidade de se multiplicar, explica Diaz.https:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-38\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<p>Mas&nbsp;as pr\u00f3prias autoras do estudo alertam que, apesar de ser prov\u00e1vel&nbsp;que a paciente tenha obtido o que chamam de &#8220;cura esterilizante&#8221; do HIV,&nbsp;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel provar isso com absoluta certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No contexto da pesquisa do HIV-1, isso significa que ser\u00e1 imposs\u00edvel provar empiricamente que algu\u00e9m alcan\u00e7ou a cura esterilizante&#8221;, dizem. &#8220;Tudo o que pode ser feito razoavelmente \u00e9 mostrar que algu\u00e9m&nbsp;<em>n\u00e3o<\/em>&nbsp;est\u00e1 curado, isolando prov\u00edrus intactos e\/ou HIV-1 competente para replica\u00e7\u00e3o&#8221;, explicam na pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Elas esclarecem que, &#8220;embora isso possa parecer insatisfat\u00f3rio, reflete uma limita\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da pesquisa cient\u00edfica: os conceitos cient\u00edficos nunca podem ser provados por meio da coleta de dados emp\u00edricos; eles s\u00f3 podem ser refutados&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, Diaz faz uma cr\u00edtica: para ele,&nbsp;como as cientistas encontraram vest\u00edgios do HIV na paciente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que o que ocorreu foi uma &#8220;cura esterilizante&#8221;<em>&nbsp;(entenda melhor a diferen\u00e7a mais abaixo nesta reportagem).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As cientistas reconhecem que os &#8220;mecanismos que permitem um resultado t\u00e3o not\u00e1vel da doen\u00e7a s\u00e3o dif\u00edceis&#8221; e que&nbsp;os resultados s\u00e3o extremamente raros, mas poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora s\u00eanior da pesquisa, Xu Yu, explicou em um comunicado \u00e0 imprensa que as descobertas podem sugerir uma resposta espec\u00edfica de c\u00e9lulas do sistema de defesa que abre possibilidade de que outras pessoas com HIV tamb\u00e9m tenham alcan\u00e7ado a cura sozinhas. Se esses mecanismos imunol\u00f3gicos puderem ser entendidos, a ci\u00eancia pode desenvolver tratamentos que ensinem o sistema imunol\u00f3gico de outras pessoas a imitar essas respostas em casos de infec\u00e7\u00e3o por HIV.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. A paciente de Esperanza: detalhes do caso<\/h2>\n\n\n\n<p>O caso ocorreu na cidade de Esperanza, na&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/argentina\/\">Argentina<\/a>, cerca de 500 km a noroeste de Buenos Aires. A mulher \u2013 que ficar\u00e1 conhecida como a &#8220;paciente de Esperanza&#8221;, como o &#8220;paciente de Berlim&#8221; e o &#8220;paciente de Londres&#8221; \u2013 teve o primeiro resultado positivo para o HIV em mar\u00e7o de 2013.https:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-38\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<p>Nos 8 anos seguintes em que foi acompanhada, os resultados de 10 testes comerciais apontaram carga viral abaixo do limite de detec\u00e7\u00e3o, ou seja, indetect\u00e1vel. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve sinais cl\u00ednicos ou laboratoriais de qualquer doen\u00e7a associada ao HIV-1.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a mulher engravidou&nbsp;e fez um tratamento com a terapia antirretroviral para evitar que o beb\u00ea se infectasse, at\u00e9 o parto, em 2020.&nbsp;A crian\u00e7a nasceu e permanece, at\u00e9 hoje, sem o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas por que come\u00e7ar o tratamento se a paciente era uma controladora de elite?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos dois motivos, segundo Ricardo Diaz: o primeiro \u00e9 que&nbsp;nem todos os controladores de elite permanecem assim para sempre. O outro \u00e9 que&nbsp;a pr\u00f3pria gesta\u00e7\u00e3o pode fazer com que a mulher perca essa capacidade de controlar o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Nem todo controlador de elite \u00e9 controlador de elite pra sempre. Em 8 anos, um ter\u00e7o deles perde o controle&#8221;, esclarece o pesquisador.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o sabe exatamente o que \u00e9 que faz eles perderem o controle. Mas, seguramente,&nbsp;\u00e9 alguma coisa que ao mesmo tempo estimula o v\u00edrus e modifica o teu sistema imune. Ent\u00e3o voc\u00ea vai ficar menos responsiva. Sabe uma coisa que estimula o v\u00edrus e modifica o teu sistema imune? Gesta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, mesmo sendo controladora de elite, na gesta\u00e7\u00e3o, a gente trata&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que deu \u00e0 luz, a paciente parou de usar a terapia antirretroviral, mas continuou a controlar a doen\u00e7a naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Como funciona o &#8216;autocontrole&#8217; do HIV?<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo com esse controle &#8220;de elite&#8221; foram encontrados vest\u00edgios de que a mulher um dia foi infectada com o v\u00edrus e&nbsp;chegou a ter ciclos ativos de replica\u00e7\u00e3o viral, segundo as pesquisadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas chegaram a essa conclus\u00e3o depois de encontrar 7 prov\u00edrus (material gen\u00e9tico em DNA) do HIV defeituosos. Um deles era&nbsp;hipermutado&nbsp;(com peda\u00e7os que o tornavam defeituoso e incapaz de se replicar) e quase completo, e os outros tinham muitos peda\u00e7os faltando (grandes dele\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o HIV infecta o nosso corpo, ele entra no DNA de&nbsp;<strong>todas<\/strong>&nbsp;as nossas c\u00e9lulas. E, \u00e0 medida que as c\u00e9lulas v\u00e3o se reproduzindo, fazem o mesmo com o material do v\u00edrus \u2013 e o jogam para a corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece com os controladores de elite, explica Ricardo Diaz, \u00e9 que o sistema imune mata as c\u00e9lulas antes que os v\u00edrus saiam dela. \u00c9 uma estrat\u00e9gia chamada &#8220;shock and kill&#8221; \u2013 &#8220;chocar e matar&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;O que acontece \u00e9 que s\u00f3 vai sobrar v\u00edrus nessas pessoas onde voc\u00ea tem como se fosse um deserto \u2013 em que voc\u00ea n\u00e3o consegue fazer com que o v\u00edrus se multiplique [para matar as c\u00e9lulas]&#8221;, esclarece.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00f3 sobra HIV onde tem&nbsp;<strong>cromatina repressora \u2013 como se fosse uma tumba para o v\u00edrus<\/strong>. E ele n\u00e3o consegue sair. A\u00ed essa pessoa adquire essa cura \u2013 porque sobraram pedacinhos de v\u00edrus, ou [o v\u00edrus] est\u00e1 naquele local que ele n\u00e3o consegue sair, que \u00e9 a cromatina repressora. Isso acontece muito raramente \u2013 e provavelmente aconteceu duas vezes, que a gente tenha detectado: essa mo\u00e7a da Argentina e na outra, de S\u00e3o Francisco&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. Pacientes de Berlim e Londres<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre os casos dessas duas pacientes, controladoras de elite, e de outros dois, que conseguiram a chamada &#8220;cura esterilizante&#8221; \u2013 mencionada no come\u00e7o da reportagem \u2013&nbsp;do HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o &#8220;paciente de Berlim&#8221; (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2020\/09\/30\/primeiro-homem-curado-do-hiv-morre-de-cancer-nos-eua.ghtml\">Tim Brown, que morreu no ano passado<\/a>) e o outro, o &#8220;paciente de Londres&#8221;,&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia-e-saude\/noticia\/2019\/03\/04\/cientistas-relatam-segundo-caso-de-cura-do-hiv-apos-transplante.ghtml\">curado em 2019<\/a>, passaram por um&nbsp;<strong>transplante de medula \u00f3ssea.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(Segundo Diaz, um terceiro caso desse tipo deve ser anunciado em breve \u2013 o do &#8220;paciente de D\u00fcsseldorf&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os homens receberam o transplante de medula de&nbsp;pessoas que tinham uma muta\u00e7\u00e3o de um gene (CCR5-delta 32) que as tornava naturalmente resistentes \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse &#8220;reset&#8221; do sistema imune, foi apagado qualquer vest\u00edgio do v\u00edrus em seus corpos \u2013&nbsp;at\u00e9 na cromatina repressora, a &#8220;tumba&#8221; do HIV, explica Ricardo Diaz. Nesse caso, segundo o pesquisador, pode se falar em&nbsp;&#8220;cura esterilizante&#8221;&nbsp;\u2013 que \u00e9 a mencionada pelas cientistas na pesquisa argentina.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;A cura esterilizante \u00e9 simplesmente porque o v\u00edrus sumiu e os anticorpos sumiram e a imunidade das c\u00e9lulas \u2013 a imunidade celular espec\u00edfica \u2013 sumiu tamb\u00e9m. \u00c9 quando ele [o paciente] se livra totalmente do v\u00edrus. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o vest\u00edgio, mas a aus\u00eancia completa do v\u00edrus e qualquer sinal do corpo de que possa ter o v\u00edrus&#8221;, esclarece Diaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que explica que \u00e9 por isso que a ci\u00eancia acredita que a cura dos pacientes transplantados \u00e9 esterilizante \u2013 pela aus\u00eancia completa do v\u00edrus, diferente da paciente argentina \u2013&nbsp;o especialista esclarece que&nbsp;esses termos s\u00e3o desatualizados. O mais correto seria referir-se aos casos como &#8220;remiss\u00e3o sustentada do HIV sem antirretrovirais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 pra garantir, mesmo que voc\u00ea tenha boas evid\u00eancias, de que uma cura esterilizante aconteceu de fato. Voc\u00ea teria que seguir a pessoa a vida inteira \u2013 n\u00e3o tem como tirar um raio-X do corpo da pessoa e falar &#8216;n\u00e3o existe nenhum v\u00edrus mais aqui&#8217;. Voc\u00ea consegue amostrar de uma forma limitada \u2013 pega uma quantidade grande de sangue, faz bi\u00f3psia \u2013 voc\u00ea n\u00e3o enxerga o corpo todo da pessoa para ver se ela tem HIV&#8221;, pondera.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. Por que o HIV \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de curar?<\/h2>\n\n\n\n<p>Nas pessoas &#8220;comuns&#8221; \u2013 a vasta maioria que n\u00e3o consegue controlar naturalmente o HIV \u2013 a inten\u00e7\u00e3o da terapia antirretroviral \u00e9 &#8220;acordar&#8221; o v\u00edrus que est\u00e1 latente \u2013 &#8220;dormindo&#8221; dentro das c\u00e9lulas \u2013 e elimin\u00e1-lo. \u00c9 o mesmo &#8220;chocar e matar&#8221;, s\u00f3 que com a ajuda de medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa lat\u00eancia que torna t\u00e3o dif\u00edcil eliminar o HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem uma quantidade de c\u00e9lulas \u2013 que \u00e9 de 0.01% at\u00e9 0.0001% \u2013 que t\u00eam v\u00edrus latente. O v\u00edrus latente vai acordando ao longo do tempo. Se voc\u00ea tratar as pessoas com coquetel, o v\u00edrus vai saindo da lat\u00eancia e voc\u00ea vai diminuindo essa porcentagem de v\u00edrus latente. Igual a um bal\u00e3ozinho, que vai murchando&#8221;, explica Ricardo Diaz.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;A\u00ed voc\u00ea cura a pessoa \u2013 s\u00f3 que demora. 80 anos.&nbsp;Para curar uma pessoa, voc\u00ea teria que tratar de forma efetiva por 80 anos. Por isso que n\u00e3o d\u00e1 para interromper o tratamento \u2013 porque, na hora que voc\u00ea interrompe, aparece um v\u00edrus latente&#8221;, esclarece.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na pesquisa que liderou no ano passado, ele e sua equipe come\u00e7aram uma empreitada que pretende diminuir esse tempo para&nbsp;<strong>2 anos<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Argentina de 30 anos \u00e9, possivelmente, apenas o segundo caso conhecido no mundo em que algu\u00e9m se &#8216;livra&#8217; do v\u00edrus no corpo sem um transplante de medula \u00f3ssea e sem tratamento antirretroviral. Por Lara Pinheiro, g1 16\/11\/2021 17h57&nbsp;&nbsp;Atualizado&nbsp;h\u00e1 4 horas C\u00e9lula infectada por part\u00edculas do v\u00edrus HIV, anexas \u00e0 superf\u00edcie [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8666"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8666"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8667,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8666\/revisions\/8667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}