{"id":5792,"date":"2021-03-19T22:30:10","date_gmt":"2021-03-20T01:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=5792"},"modified":"2021-03-19T22:30:12","modified_gmt":"2021-03-20T01:30:12","slug":"quem-disse-que-cobra-nao-voa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/quem-disse-que-cobra-nao-voa\/","title":{"rendered":"QUEM DISSE QUE COBRA N\u00c3O VOA?"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>O lend\u00e1rio Cobra: o homem que marcou gera\u00e7\u00f5es fazendo papagaios no Par\u00e1&nbsp;<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, o nome e o trabalho de Cobra atravessa a capital e outras cidades paraenses<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0sexta-feira, 19\/03\/2021, 19:19 &#8211; Atualizado em 19\/03\/2021, 20:30 &#8211;\u00a0\u00a0Autor:\u00a0<strong>Igor Wilson<\/strong>    DOL<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/640000\/Untitled-3_00644738_0_.jpg?xid=1486843\" alt=\"Cobra largou emprego pra viver de papagaio. Deu certo.\">\u00a0Frequentar seu ateli\u00ea faz parte do seu dia a dia | Via WhatsApp\u00a0.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem caminha com a cachorra pela avenida Doca de Souza Franco, no bairro do Reduto, em Bel\u00e9m. Senta-se de frente \u00e0 Ba\u00eda do Guajar\u00e1. Ali, permanece grande parte da manh\u00e3, olhando o c\u00e9u e as pessoas, quase sempre t\u00e3o apressadas, mesmo em per\u00edodo de pandemia. Ele faz isso h\u00e1 pelo menos 30 anos, todos os dias. Os milhares de paraenses que transitam no local n\u00e3o fazem ideia, mas talvez as inf\u00e2ncias e adolesc\u00eancias deles n\u00e3o seriam as mesmas sem o trabalho daquele senhor de \u00f3culos e cabelos grisalhos. Reginaldo da Costa Mour\u00e3o, mais conhecido como Cobra. Uma lenda viva de nosso Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cobra marcou gera\u00e7\u00f5es de paraenses fazendo papagaios durante mais de meio s\u00e9culo. Dos bairros mais abastados \u00e0s periferias, o nome dele atravessou toda capital e outras cidades paraenses em uma \u00e9poca que a \u00fanica forma de se fazer propaganda era o chamado boca a boca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter um papagaio ou uma&nbsp;cangula&nbsp;do Cobra era uma verdadeira ostenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 se come\u00e7ava o jogo dos \u201cla\u00e7os\u201d ganhando de 1 a 0. Atualmente com 75 anos e rec\u00e9m imunizado contra a covid-19, Cobra ainda fica impressionado com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, que se confunde com a do local em que mora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DO MATO AO LUXO&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/640000\/Untitled-2-copy_00644738_0_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>Via WhatsApp<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O que hoje \u00e9 um bairro destinado a homens de neg\u00f3cio e \u00e0 enormes pr\u00e9dios que servem de moradia \u00e0 elite paraense, antes, at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 50, era apenas um terreno baldio rodeado por matagais e igarap\u00e9s. Era ali que o pequeno Reginaldo via o pai e o tio passarem o tempo empinando papagaios.<\/p>\n\n\n\n<p>Como era muito novo para encarar os disputados la\u00e7os com os demais, o menino fazia \u201ccuricas\u201d com jornal ou folhas de caderno, esperando seu dia de virar \u201cgente grande\u201d como o pai e o tio. Misturado a centenas de outras pessoas, Cobra nunca mais esqueceu o colorido dos objetos no c\u00e9u e da alegria que a brincadeira trazia a todos ali. Empinar papagaio era um ref\u00fagio para uma vida t\u00e3o \u00e1rdua.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa Doca quando eu conheci, quando era um caminho s\u00f3 mato, dava uma chuva e enchia tudo. Ningu\u00e9m queria morar aqui, lembro que o prefeito dava terreno e ningu\u00e9m queria. Depois, o prefeito Lopo de Castro abriu o canal, aterrou e ficou&nbsp;pai d&#8217;\u00e9gua&nbsp;pra empinar papagaio. Desde a Municipalidade at\u00e9 a Jos\u00e9&nbsp;Malcher&nbsp;era s\u00f3 papagaio e&nbsp;cangula. Vinha gente de toda Bel\u00e9m empinar pra c\u00e1. Nunca imaginei que essa Doca ia ficar como est\u00e1 hoje\u201d, conta.&nbsp;https:\/\/24051054f5b706c874630fb89d38f0c4.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html?v=1-0-38<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COBRA CRIADA&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/640000\/Untitled-2_00644738_1_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Cobra guarda os in\u00fameros recortes de reportagem, sobre seu trabalho.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>Cobra guarda os in\u00fameros recortes de reportagem, sobre seu trabalho.&nbsp;Via WhatsApp<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi neste ambiente que Reginaldo foi criado. Quando come\u00e7ava a temporada de papagaios, que naquela \u00e9poca durava muito mais, ia todos os dias, junto com a turma de sua rua, empinar pelas Docas. A impossibilidade de sempre comprar papagaios prontos o fez come\u00e7ar a tentar fazer os seus. Foi a\u00ed que a vida dele mudou para sempre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom uns 12 anos comecei a fazer&nbsp;cangula&nbsp;e papagaio. Em um certo dia o pessoal da rua subiu um e achou muito bom, cortaram todo mundo (risos). Desde esse dia come\u00e7aram a encher meu saco pedindo pra eu fazer papagaios pra eles. Eles gostavam tanto que passaram a me chamar de Cobra. \u2018Aquele ali \u00e9 cobra em papagaio, olha ali o cobra&#8217;, ouvia sempre. Comecei ent\u00e3o a vender oficialmente em 1962. A qualidade do papagaio foi passando de boca em boca e fui ficando famoso. A partir da\u00ed come\u00e7aram a aparecer muitas encomendas\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O adolescente foi ganhando fama e dinheiro ao longo dos anos. Aos 18 anos arrumou um emprego na antiga&nbsp;Senasa. No in\u00edcio, tentava conciliar as duas atividades. De dia ia para o emprego formal e a noite corria para casa, direto para seu ateli\u00ea, onde tentava dar conta das encomendas que n\u00e3o paravam de crescer. N\u00e3o deu. Um dia, confrontado com a encruzilhada que o obrigava a escolher um dos caminhos, n\u00e3o pensou duas vezes. \u201cLarguei meu emprego pra ficar com o papagaio\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COBRA \u00c9 ARTE ETERNA&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/640000\/Untitled-1_00644738_2_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Cobra ensinou sua arte  a v\u00e1rias pessoas, mas ainda guarda alguns segredos. \" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>Cobra ensinou sua arte a v\u00e1rias pessoas, mas ainda guarda alguns segredos.&nbsp;Via WhatsApp<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O tempo mostrou que a corajosa decis\u00e3o de Cobra foi correta.&nbsp;Com a profiss\u00e3o, conseguiu aumentar a casa onde mora e criar as tr\u00eas filhas, hoje adultas e formadas. O perfeccionismo colocado em cada uma das centenas de papagaios que produzia diariamente ultrapassou at\u00e9 as barreiras do Par\u00e1. Em casa, a mesma em que mora atualmente, batiam todos os dias pessoas de v\u00e1rias classes socioecon\u00f4micas, em busca dos famosos objetos de seda e tala.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui vinham desde jovens da periferia at\u00e9 fam\u00edlias da elite paraense.&nbsp; A fam\u00edlia&nbsp;Chermont&nbsp;e os pr\u00f3prios Barbalho vinham aqui comprar papagaios para sua meninada. J\u00e1 quiseram me levar pra Portugal e pra a Fran\u00e7a para ensinar essa arte por l\u00e1, mas eu recusei, estava bem estabelecido, como eu ia fazer com minhas encomendas? Era \u00e9poca de papagaio\u201d, diz, aos risos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/640000\/pp_00644738_3_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Cobra largou emprego pra viver de papagaio. Deu certo.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>Cobra largou emprego pra viver de papagaio. Deu certo.&nbsp;Via WhatsApp<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A arte do Cobra esteve em v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es em museus do Par\u00e1, do Brasil e do mundo. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, da cidade francesa Lyon e at\u00e9 no Jap\u00e3o. Talvez no Par\u00e1 n\u00e3o haja exemplo de arte mais democr\u00e1tica. Ao mesmo tempo que impressionava os intelectuais que frequentavam as exposi\u00e7\u00f5es, os papagaios do famoso Cobra deixavam os c\u00e9us de Bel\u00e9m repletos de um colorido especial. Era acess\u00edvel a todos, pobres e ricos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, o nome de Cobra continua sendo um sin\u00f4nimo de qualidade. Est\u00e1 presente em toda \u201cquebrada\u201d paraense. Muitos ouvem sem saber de quem se trata, apenas reproduzindo algo dito pelos pais ou tios que brincavam antigamente.https:\/\/24051054f5b706c874630fb89d38f0c4.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html?v=1-0-38<\/p>\n\n\n\n<p>Reginaldo fez de uma brincadeira de crian\u00e7a sua profiss\u00e3o, provando a todos que Cobra criada voa sim. Ali, sentado ao lado de sua cachorra, levanta. \u00c9 hora do almo\u00e7o. \u201cUm abra\u00e7o a todos, o Cobra n\u00e3o morreu viu\u201d, diz aos risos, novamente, sem saber, talvez, que ele ser\u00e1 eterno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/640000\/Untitled-1-copy_00644738_4_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Cobra marcou gera\u00e7\u00f5es com seu trabalho. Hoje ele est\u00e1 aposentado, mas sempre pr\u00f3ximo aos papagaios e rabiolas.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>Cobra marcou gera\u00e7\u00f5es com seu trabalho. Hoje ele est\u00e1 aposentado, mas sempre pr\u00f3ximo aos papagaios e rabiolas.&nbsp;Via WhatsApp<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/normal\/640000\/Untitled-1-copy_00644738_5_.jpg?xid=1486849\" alt=\"Cobra marcou gera\u00e7\u00f5es com seu trabalho. Hoje ele est\u00e1 aposentado, mas sempre pr\u00f3ximo aos papagaios e rabiolas.\">Frequentar seu ateli\u00ea faz parte do seu dia a dia | Via WhatsApp<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/normal\/640000\/pp_00644738_0_.jpg?xid=1486841\" alt=\"Cobra largou emprego pra viver de papagaio. Deu certo.\">Frequentar seu ateli\u00ea faz parte do seu dia a dia | Via WhatsApp<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lend\u00e1rio Cobra: o homem que marcou gera\u00e7\u00f5es fazendo papagaios no Par\u00e1&nbsp; H\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, o nome e o trabalho de Cobra atravessa a capital e outras cidades paraenses \u00a0sexta-feira, 19\/03\/2021, 19:19 &#8211; Atualizado em 19\/03\/2021, 20:30 &#8211;\u00a0\u00a0Autor:\u00a0Igor Wilson DOL \u00a0Frequentar seu ateli\u00ea faz parte do seu dia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5793,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5792\/revisions\/5793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}