{"id":2955,"date":"2020-07-26T18:57:08","date_gmt":"2020-07-26T21:57:08","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=2955"},"modified":"2020-07-26T18:57:12","modified_gmt":"2020-07-26T21:57:12","slug":"comida-contaminada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/comida-contaminada\/","title":{"rendered":"COMIDA CONTAMINADA"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Homem que morreu ap\u00f3s comer marmita era conhecido por defender colegas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FOLHAPRESS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/590000\/gf_00598948_0_.jpg?xid=1326190\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O morador de rua Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37 anos, era conhecido por ser o protetor dos colegas que com ele dormiam em um posto de combust\u00edveis desativado em Itapevi, na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele morreu na madrugada da \u00faltima quarta-feira (22) ap\u00f3s comer uma marmita doada na noite do dia anterior por volunt\u00e1rios de uma igreja evang\u00e9lica. Jos\u00e9 Luiz de Ara\u00fajo Concei\u00e7\u00e3o, 61, consumiu o mesmo alimento, compartilhado com sua cadela de estima\u00e7\u00e3o, e ambos tamb\u00e9m morreram.<\/p>\n\n\n\n<p>A pastora de 51 anos que preparou a comida servida aos moradores de rua garante que ela e seus familiares tamb\u00e9m se alimentaram das mesmas marmitas, supostamente contaminadas, e n\u00e3o passaram mal.<\/p>\n\n\n\n<p>Cl\u00e9ber Vigin\u00f3ski, 36 anos, conhecia Oliveira h\u00e1 cerca de dez anos. Ele afirmou que ambos permaneciam grande parte do tempo nas ruas, em decorr\u00eancia da depend\u00eancia qu\u00edmica e do alcoolismo. &#8220;Tanto ele como eu temos fam\u00edlia na cidade, com casa onde podemos ir, mas n\u00e3o vamos por causa do nosso v\u00edcio&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Vigin\u00f3ski acrescentou que h\u00e1 cerca de seis meses passou a dormir no posto de combust\u00edveis, no bairro Vila Aurora, junto com Oliveira e outras pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Segundo ele, o local tamb\u00e9m costuma receber visitas de estranhos que provocam e ofendem, principalmente de madrugada. &#8220;O Vagner n\u00e3o deixava quieto [as provoca\u00e7\u00f5es]. Como ele era alto e forte, nos protegia de perigos e amea\u00e7as [de estranhos].&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 20 dias, Vigin\u00f3ski afirma que o amigo defendeu uma mulher, supostamente assediada por um homem que foi at\u00e9 o posto, durante a madrugada. &#8220;Ele [Oliveira] virou um &#8216;rolo compressor&#8217; para ajudar nossa amiga. Eram dois caras, mas s\u00f3 um apanhou e o outro que tava com ele saiu correndo&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta do comportamento protetor de Oliveira, Vigin\u00f3ski n\u00e3o descarta a possibilidade de que algu\u00e9m tenha envenenado as marmitas dadas ao colega. &#8220;\u00c9 engra\u00e7ado que s\u00f3 as marmitas que deram pro Vagner que mataram ele, e o seu Jos\u00e9, e tamb\u00e9m fizeram os dois &#8216;de menor&#8217; passarem mal&#8221;, afirmou, sobre o fato de Oliveira ter compartilhado quatro das cinco marmitas, doadas a ele, por volta das 22h da \u00faltima ter\u00e7a-feira (21).<\/p>\n\n\n\n<p>Vigin\u00f3ski disse ainda se lembrar somente do momento em que Oliveira come\u00e7ou a passar mal, j\u00e1 na madrugada de quarta-feira (22), ap\u00f3s comer a comida da marmita. &#8220;Eu estava muito embriagado e n\u00e3o vi quando ele comeu e se algu\u00e9m colocou alguma coisa dentro [da marmita] para matar o Vagner. Depois o Vov\u00f4 [Jos\u00e9 Luiz de Ara\u00fajo Concei\u00e7\u00e3o] tamb\u00e9m passou mal. Os dois morreram&#8221;, afirmou emocionado, na tarde desta sexta-feira (24) \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro morador de rua, de 32 anos e que pediu para n\u00e3o ter o nome publicado, disse que os amigos de Oliveira se sentem desprotegidos, desde a morte dele. &#8220;Eu acho que mataram nosso amigo por vingan\u00e7a, porque ele protegia a gente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O CASO<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia investiga se as marmitas entregues a moradores de rua em Itapevi foram envenenadas no posto de combust\u00edveis desativado, onde estavam as duas v\u00edtimas que comeram o alimento doado na noite da \u00faltima ter\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma das tr\u00eas linhas de investiga\u00e7\u00e3o seguidas pela Pol\u00edcia Civil da cidade. O caso, at\u00e9 o momento, est\u00e1 registrado como morte suspeita. Um menino de 11 anos e uma adolescente, de 17, permaneciam internados, com sinais de envenenamento, ap\u00f3s comerem a comida que estava nas mesmas marmitas.<\/p>\n\n\n\n<p>As outras duas hip\u00f3teses levantadas pela equipe de investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o de que as marmitas tenham sido contaminadas no momento da prepara\u00e7\u00e3o, ou ainda que as v\u00edtimas tenham consumido comida estragada.<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado Aloysio Ribeiro de Mendon\u00e7a Neto, titular da delegacia de Itapevi, afirmou ao Agora que 50 marmitas foram distribu\u00eddas a moradores de rua pela mesma entidade religiosa que entregou ao menos cinco delas no posto de combust\u00edvel desativado do bairro Vila Aurora. Imagens de c\u00e2meras de monitoramento mostram as distribui\u00e7\u00e3o da comida, por volta das 22h de ter\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A pastora evang\u00e9lica Agda Lopes Casimiro, 51, procurou a pol\u00edcia na quarta para dizer que preparou a comida doada aos moradores de rua e negou que houvesse problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pastora afirma que doa comida a moradores de rua h\u00e1 dez anos na regi\u00e3o de Cotia (Grande S\u00e3o Paulo) e, desde o in\u00edcio de 2020, entrega marmitas a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua em Itapevi.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas das marmitas foram consumidas por Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37 anos e Jos\u00e9 Luiz de Ara\u00fajo Concei\u00e7\u00e3o, 61, que morreram com sinais de intoxica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 na madrugada de quarta. As outras tr\u00eas foram entregues por Oliveira ao vendedor de churros Fl\u00e1vio de Ara\u00fajo, 42. A namorada dele, a adolescente de 17 anos, e o filho da v\u00edtima, de 11, passaram mal e foram internados.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo atestado de \u00f3bito dos moradores de rua, a causa preliminar das mortes \u00e9 intoxica\u00e7\u00e3o ex\u00f3gena (intera\u00e7\u00e3o de um ou mais agentes t\u00f3xicos com o sistema biol\u00f3gico). A pol\u00edcia, no entanto, aguarda o resultado de exames para constatar o que provocou as mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos dois moradores de rua, a cadela Dalila, que tinha Jos\u00e9 Luiz de Ara\u00fajo Concei\u00e7\u00e3o como tutor, tamb\u00e9m morreu com sinais de intoxica\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o morador de rua compartilhar com o seu animal a comida da marmita.<\/p>\n\n\n\n<p>As v\u00edsceras da cadela foram retiradas por um veterin\u00e1rio, a pedido da pol\u00edcia, e encaminhadas para an\u00e1lise de toxicologia forense na capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem apurou que o menino de 11 anos, que passou mal ap\u00f3s comer a refei\u00e7\u00e3o de uma das marmitas, permanece internado no Hospital Geral de Pirajussara, em Tabo\u00e3o da (Grande S\u00e3o Paulo), respirando com a ajuda de aparelhos. Apesar disso, seu quadro de sa\u00fade \u00e9 est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A adolescente de 17 anos se recupera no Hospital Regional de Osasco (Grande S\u00e3o Paulo) e passa bem.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homem que morreu ap\u00f3s comer marmita era conhecido por defender colegas FOLHAPRESS O morador de rua Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37 anos, era conhecido por ser o protetor dos colegas que com ele dormiam em um posto de combust\u00edveis desativado em Itapevi, na Grande S\u00e3o Paulo. 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