{"id":2090,"date":"2020-06-19T20:37:06","date_gmt":"2020-06-19T23:37:06","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=2090"},"modified":"2020-06-19T20:37:10","modified_gmt":"2020-06-19T23:37:10","slug":"o-mar-virou-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/o-mar-virou-rio\/","title":{"rendered":"O MAR VIROU RIO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Bacia do Amazonas j\u00e1 foi mar, aponta pesquisa paraense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com informa\u00e7\u00f5es do Museu Em\u00edlio Goeldi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/590000\/destaque-1_00593385_0_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p> Reprodu\u00e7\u00e3o <\/p>\n\n\n\n<p> S e algu\u00e9m dissesse para voc\u00ea que toda a regi\u00e3o onde hoje se encontra a Bacia do Amazonas j\u00e1 foi mar, voc\u00ea acreditaria? Pois \u00e9 o que afirma uma pesquisa de mestrado ligada ao Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. <\/p>\n\n\n\n<p>De autoria do ge\u00f3logo Luiz Felipe Aquino Corr\u00eaa, a pesquisa iniciada em 2018 utilizou f\u00f3sseis de conchinhas dos g\u00eaneros Gigadiscina e Orbiculoidea para comprovar a exist\u00eancia de um mar raso que banhava a regi\u00e3o onde hoje se encontra a Bacia do Amazonas h\u00e1 aproximadamente 410 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os f\u00f3sseis foram coletados no munic\u00edpio&nbsp;de Vit\u00f3ria do Xingu e sustentam a hip\u00f3tese de que o mar cobria, provavelmente, diversos munic\u00edpios hoje localizados no estado do Par\u00e1, incluindo a regi\u00e3o onde foi constru\u00edda a Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) de Belo Monte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA presen\u00e7a desses f\u00f3sseis proporcionaram informa\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas sobre como era o ambiente naquela \u00e9poca em Belo Monte. N\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que l\u00e1 tinha ocorrido uma transgress\u00e3o que levou \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de um mar, mas n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos muitas informa\u00e7\u00f5es sobre como era esse mar\u201d, conta Luiz Felipe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses f\u00f3sseis s\u00e3o exclusivamente de um ambiente marinho raso, ent\u00e3o agora sabemos que as profundidades onde eles habitavam em Belo Monte eram menores que 30 metros. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura tamb\u00e9m, pois eles s\u00e3o f\u00f3sseis caracter\u00edsticos de climas temperados, ent\u00e3o sabemos que na regi\u00e3o o mar n\u00e3o era t\u00e3o frio nem t\u00e3o quente\u201d, prossegue o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Braqui\u00f3podes, as conchinhas feitas de partes irregulares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As conchinhas fossilizadas que foram investigadas no trabalho s\u00e3o exemplares de braqui\u00f3podes, tipo de macroinvertebrados marinhos encontrados pelas praias e \u00e1reas litor\u00e2neas. Elas foram coletadas por uma empresa especializada, entre julho de 2011 e outubro de 2015, durante o cumprimento das exig\u00eancias legais associadas ao licenciamento para a constru\u00e7\u00e3o da UHE Belo Monte, na regi\u00e3o do Xingu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando andamos pelas praias e vemos aquelas conchinhas, entre essas conchinhas podem ter exemplares dos\u00a0braqui\u00f3podes. Eles t\u00eam muitas semelhan\u00e7as com alguns moluscos, mas os moluscos s\u00e3o mais diversos, numerosos e, por isso, mais conhecidos\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.diarioonline.com.br\/img\/inline\/590000\/Plate-1---H_00593385_0_.png?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Orbiculoidea baini\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p> Orbiculoidea baini\u00a0Acervo Paleontol\u00f3gico da Coordena\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias da Terra e Ecologia do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele conta, esses invertebrados se diferenciam por pelo menos um fator: os moluscos t\u00eam as duas valvas, que correspondem a cada uma das partes articuladas da concha, iguais tanto no tamanho quanto na ornamenta\u00e7\u00e3o e no contorno, enquanto nos braqui\u00f3podes essas valvas s\u00e3o morfologicamente diferentes. \u201cE essas diferen\u00e7as variam especificamente em cada g\u00eanero, fam\u00edlia e esp\u00e9cie\u201d, sintetiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, internamente, alguns braqui\u00f3podes se fixam por um tipo de haste, chamado de ped\u00fanculo, principalmente os que possuem as duas valvas sem articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada per\u00edodo geol\u00f3gico, que envolve dezenas de milh\u00f5es de anos, possui esp\u00e9cies caracter\u00edsticas e as identificadas por Luiz Felipe s\u00e3o caracter\u00edsticas do per\u00edodo Devoniano, surgidas cerca de 410 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ainda na&nbsp;Era Paleozoica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os f\u00f3sseis invertebrados marinhos identificados por ele correspondem a dois g\u00eaneros de braqui\u00f3podes pertencentes \u00e0 Fam\u00edlia&nbsp;Discinidae: os&nbsp;Gigadiscina&nbsp;e&nbsp;Orbiculoidea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO g\u00eanero&nbsp;Gigadiscina&nbsp;ficou com sua classifica\u00e7\u00e3o em aberto (Gigadiscina? sp.) enquanto tr\u00eas esp\u00e9cies de&nbsp;Orbiculoidea&nbsp;foram identificadas:&nbsp;Orbiculoidea&nbsp;baini,&nbsp;Orbiculoidea bodenbenderi&nbsp;e&nbsp;Orbiculoidea excentrica, al\u00e9m de outras duas esp\u00e9cies deste g\u00eanero que encontram-se em fase de identifica\u00e7\u00e3o\u201d, relata o paleont\u00f3logo em um artigo que se encontra em fase de elabora\u00e7\u00e3o, em parceria com a orientadora Maria In\u00eas Feij\u00f3, que \u00e9 ligada \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias da Terra e Ecologia do Museu Goeldi.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, esses s\u00e3o os primeiros registros dessas esp\u00e9cies e do g\u00eanero&nbsp;Gigadiscina&nbsp;em estratos do per\u00edodo Devoniano na Bacia do Amazonas, sendo tamb\u00e9m as primeiras ocorr\u00eancias para o Norte do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u201cEsse \u00e9 um ponto chave, acho que foi onde elevou o n\u00edvel da nossa pesquisa. Quando identificamos essas esp\u00e9cies aqui na Bacia do Amazonas, n\u00f3s vimos que as mesmas eram mais antigas que o registro na Bacia do Paran\u00e1. Ent\u00e3o, vamos dizer, as nossas amostras s\u00e3o de aproximadamente 410 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s e mais antigas que as da bacia do Paran\u00e1. Ent\u00e3o, quando chegamos na identifica\u00e7\u00e3o desses exemplares, n\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que essas esp\u00e9cies eram in\u00e9ditas, que ainda n\u00e3o tinham sido registradas aqui no Norte do Brasil. Foi ent\u00e3o que come\u00e7amos a pesquisar o por que de essas ocorr\u00eancias serem mais antigas aqui que as de l\u00e1\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Melhor entendimento da evolu\u00e7\u00e3o dos organismos na Am\u00e9rica do Sul<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para a ocorr\u00eancia desses g\u00eaneros e esp\u00e9cies na Bacia do Amazonas e na Am\u00e9rica do Sul de modo geral envolve uma era de longu\u00edssima dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta de 430 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, o Gondwana, um paleocontinente no qual a Am\u00e9rica do Sul estava ent\u00e3o inserida, ficava muito pr\u00f3ximo de onde hoje encontramos o Polo Sul. Era de um frio extremo o clima em toda a regi\u00e3o, que envolvia, al\u00e9m do Polo Sul, v\u00e1rias partes da \u00c1frica, Ar\u00e1bia, \u00cdndia, Leste da Ant\u00e1rtida e Oeste da Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO g\u00eanero Orbiculoidea encontrado apenas no paelocontinente Laur\u00e1sia, onde estavam inseridas, principalmente, na Am\u00e9rica do Norte, parte da Europa e parte da \u00c1sia. Esse paelocontinente estava mais pr\u00f3ximo da linha do Equador, ent\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es ali eram de um clima mais pr\u00f3ximo de quente, mais temperado, sem um frio extremo, onde se adequava a tais condi\u00e7\u00f5es\u201d, detalha Luiz Felipe.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo e as mudan\u00e7as nas placas continentais, continua o estudioso, o paleocontinente Gondwana foi se deslocando das altas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s baixas latitudes, aproximando-se assim do continente Laur\u00e1sia e ficando com temperaturas mais quentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que aconteceu ent\u00e3o: a Bacia do Amazonas geograficamente estava mais pr\u00f3xima de Laur\u00e1sia, o mar j\u00e1 estava estabelecido na regi\u00e3o e o clima era menos severo, por isso que esses braqui\u00f3podes, provavelmente, migraram primeiro para a Bacia do Amazonas. Depois, enquanto o paleocontinente continuou se movendo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s baixas latitudes, houve a instala\u00e7\u00e3o do mar no Paran\u00e1, quando j\u00e1 se tinha um clima menos severo. Isso justificaria o fato deles surgirem posteriormente na Bacia do Paran\u00e1\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Amaz\u00f4nia &#8211;&nbsp;Por conta da geografia atual, a exposi\u00e7\u00e3o das rochas e o acesso aos registros paleontol\u00f3gicos contidos nelas ainda s\u00e3o considerados dif\u00edceis na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das amostras analisadas por Luiz Felipe, grande parte da \u00e1rea em que elas foram coletadas foi alagada com a constru\u00e7\u00e3o da UHE Belo Monte. Por conta da lei, no entanto, dois desses s\u00edtios geol\u00f3gicos e paleontol\u00f3gicos foram preservados.<\/p>\n\n\n\n<p>O material coletado na Regi\u00e3o do Xingu pela empresa especializada fica sob a guarda do Museu Goeldi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acredito que, de modo geral, faltam mais investiga\u00e7\u00f5es e coletas fossil\u00edferas em toda regi\u00e3o amaz\u00f4nica, j\u00e1 que a bacia demonstra um grande potencial, mas pouco explorado e estudado. S\u00e3o poucos tamb\u00e9m os registros quando comparamos com a Bacia do Parna\u00edba e a Bacia do Paran\u00e1, onde h\u00e1 muitos registros f\u00f3sseis porque l\u00e1 houveram muito mais expedi\u00e7\u00f5es e as rochas est\u00e3o mais expostas, o que facilita o desenvolvimento de pesquisas\u201d, contextualiza o paleont\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bacia do Amazonas j\u00e1 foi mar, aponta pesquisa paraense Com informa\u00e7\u00f5es do Museu Em\u00edlio Goeldi Reprodu\u00e7\u00e3o S e algu\u00e9m dissesse para voc\u00ea que toda a regi\u00e3o onde hoje se encontra a Bacia do Amazonas j\u00e1 foi mar, voc\u00ea acreditaria? 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