{"id":11566,"date":"2023-04-02T12:15:38","date_gmt":"2023-04-02T15:15:38","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=11566"},"modified":"2023-04-02T12:18:22","modified_gmt":"2023-04-02T15:18:22","slug":"especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/especial\/","title":{"rendered":"ESPECIAL"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Mulheres ainda lutam contra o machismo no futebol paraense<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Segundo pesquisadora, a viol\u00eancia contra as torcedoras nos est\u00e1dios possui ra\u00edzes hist\u00f3ricas e \u201csomente uma mudan\u00e7a de paradigma\u201d na pr\u00f3pria sociedade colocar\u00e1 um fim nos casos de importuna\u00e7\u00e3o sexual nas arquibancadas.<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">domingo, 02\/04\/2023, 07:04<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8211; Atualizado 02\/04\/2023, 07:12<\/h3>\n\n\n\n<p>-Autor:<strong>Reportagem: Sales Coimbra \/ Edi\u00e7\u00e3o: Ronald Sales<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-attachment-id=\"11567\" data-permalink=\"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/especial\/image-4-8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?fit=1024%2C576&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,576\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?fit=300%2C169&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?fit=640%2C360&amp;ssl=1\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11567\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-4.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Grupos de torcedoras de Remo e Paysandu se organizam para combater o machismo nas arquibancadasdos est\u00e1dios paraenses, | Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>A pesar dos enormes avan\u00e7os conquistados nas \u00faltimas d\u00e9cadas, seja dentro ou fora de campo, a situa\u00e7\u00e3o das mulheres no futebol brasileiro est\u00e1 longe de ser um mar de rosas. Assim como ocorre em muitas outras \u00e1reas da vida p\u00fablica, ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer na busca por um tratamento igualit\u00e1rio nos est\u00e1dios de futebol. Nesse contexto, um dos maiores desafios que seguem amea\u00e7ando a presen\u00e7a feminina nas arquibancadas \u00e9 a viol\u00eancia de g\u00eanero, que muitas vezes se manifesta por meio de pr\u00e1ticas machistas como a importuna\u00e7\u00e3o sexual. Uma realidade que reflete a persist\u00eancia da cultura do estupro na sociedade brasileira, como demonstram v\u00e1rias pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito desse problema, o 16\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2022, publicado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) no in\u00edcio deste m\u00eas de mar\u00e7o, mostrou que quase a metade das brasileiras (46,7%) j\u00e1 sofreram algum tipo de ass\u00e9dio. Maior \u00edndice registrado desde o in\u00edcio da pesquisa, em 2017. O levantamento, que \u00e9 feito em parceria com o Instituto Datafolha, tamb\u00e9m aponta que, somente no ano passado, os casos de ass\u00e9dio somaram 4.922, representando um aumento de 2,3%, e os de importuna\u00e7\u00e3o sexual chegaram a 19.209, um acr\u00e9scimo de 9% em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados, o transporte p\u00fablico \u00e9 apontado como um dos locais mais inseguros para o p\u00fablico feminino, uma vez que 12,8% das mulheres relataram ter sido assediadas fisicamente em \u00f4nibus, metr\u00f4s e similares. N\u00famero que tamb\u00e9m apresenta aumento em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior, quando esse cen\u00e1rio foi apresentado por 7,9% das mulheres. No entanto, outros espa\u00e7os de reuni\u00e3o de grandes multid\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o costumeiramente palco de situa\u00e7\u00f5es, no m\u00ednimo, desagrad\u00e1veis para o p\u00fablico feminino, como \u00e9 o caso dos est\u00e1dios de futebol.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00daMEROS DA VIOL\u00caNCIA DE G\u00caNERO NOS EST\u00c1DIOS PARAENSES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo realizado para a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Seguran\u00e7a P\u00fablica da advogada Vanessa Egla pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Seguran\u00e7a P\u00fablica da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), cujo tema foi \u201cViol\u00eancia contra a mulher nos est\u00e1dios de futebol de Bel\u00e9m\/Par\u00e1-Brasil\u201d, identificou o perfil das mulheres torcedoras por meio de entrevistas com frequentadoras dos est\u00e1dios de futebol da capital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-attachment-id=\"11568\" data-permalink=\"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/especial\/image-5-8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?fit=492%2C629&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"492,629\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-5\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?fit=235%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?fit=492%2C629&amp;ssl=1\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"492\" height=\"629\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?resize=492%2C629&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11568\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?w=492&amp;ssl=1 492w, https:\/\/i0.wp.com\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png?resize=235%2C300&amp;ssl=1 235w\" sizes=\"(max-width: 492px) 100vw, 492px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de pesquisadora da viol\u00eancia contra a mulher nos est\u00e1dios paraenses, a advogada Vanessa Egla tamb\u00e9m \u00e9 torcedora do Clube do Remo. |<strong>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa revelou que: 88,81% das torcedoras paraenses s\u00e3o heterossexuais, sendo que 29,85% delas t\u00eam de 30 a 39 anos. Al\u00e9m disso, 79,10% das entrevistadas disseram entender o est\u00e1dio de futebol como um ambiente perigoso\/violento para mulheres, e impressionantes 86,57% enxergam o est\u00e1dio de futebol como um ambiente machista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto \u00e0 quest\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero propriamente dita, o estudo que realizamos no per\u00edodo entre 2010 e 2020 constatamos que dentre as mulheres torcedoras que apontaram ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia nos est\u00e1dios constatou que 40% sofreu viol\u00eancia sexual, sendo que outros 40% sofreu viol\u00eancia moral, 15% sofreu viol\u00eancia patrimonial, e 5% sofreu viol\u00eancia f\u00edsica. O que significa dizer que a viol\u00eancia sexual e a moral s\u00e3o os principais tipos de viol\u00eancias cometidas contra mulheres nos est\u00e1dios de Bel\u00e9m\u201d, aponta a estudiosa do tema, que \u00e9 uma torcedora apaixonada pelo Clube do Remo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, acrescenta Vanessa Egla, foi mais longe e conseguiu identificar as quatro principais formas de viol\u00eancia sexual sofridas pelo p\u00fablico feminino. \u201cConstatamos que 38,89 das torcedoras foram v\u00edtimas de atos sexistas, como assobios, olhares maliciosos, cantadas, gestos sexuais e cerca de 33% das entrevistadas foram assediadas com palavras de cunho sexual ou chamadas de \u2018gostosa\u2019. Outras 11,11% foram apalpadas sem consentimento e 16,67% perceberam que algu\u00e9m tentou lhe embebedar para fazer sexo\u201d, detalha a advogada, que acrescenta um dado que evidencia ainda mais a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que muitas mulheres sentem durante as partidas de futebol. \u201cObservamos que 100% das v\u00edtimas n\u00e3o registrou boletim de ocorr\u00eancia. Destas, 33% n\u00e3o o fez porque acreditou que a den\u00fancia n\u00e3o daria em nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESPA\u00c7O MASCULINIZADO E MACHISTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da acad\u00eamica, esses n\u00fameros da viol\u00eancia contra as mulheres nos est\u00e1dios de futebol paraenses possuem ra\u00edzes hist\u00f3ricas e sociais. Ela argumenta que os espa\u00e7os dedicados aos torcedores sempre foram masculinizados e, por consequ\u00eancia, um terreno f\u00e9rtil para as mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es do machismo estrutural da sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO est\u00e1dio de futebol \u00e9 um ambiente repleto de masculinidades. Significa dizer que foi originalmente criado para homens e pensado para homens. Tanto os homens torcedores, quanto os profissionais do futebol, sejam jogadores, \u00e1rbitros ou rep\u00f3rteres\u201d, afirma a estudiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Atual titular da Ag\u00eancia Distrital de Mosqueiro (Admos), Vanessa Egla lembra que, apesar dos grandes avan\u00e7os conquistados pelas mulheres na \u00e1rea, a constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o do torcedor segue respondendo aos tra\u00e7os culturais da sociedade brasileira, que continua reproduzindo uma ideologia patriarcal e machista. Exatamente por essa raz\u00e3o, recentemente ela usou as redes sociais para destacar a import\u00e2ncia do&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/dol.com.br\/esporte\/esporte-para\/802180\/trofeu-camisa-13-debate-a-presenca-feminina-no-futebol?d=1\" target=\"_blank\"><strong>debate realizado pelo Trof\u00e9u Camisa 13<\/strong><\/a>, cujo tema foi justamente a presen\u00e7a feminina no futebol paraense,<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEmbora as mulheres sempre tenham frequentado os est\u00e1dios desde que o futebol se popularizou como uma paix\u00e3o brasileira, o papel da mulher foi se modificando ao longo das d\u00e9cadas. Quando do surgimento do esporte bret\u00e3o, as mulheres iam acompanhadas de pais e irm\u00e3os, geralmente com o objetivo de arrumar um bom partido para casar, tendo em vista que originariamente o esporte se restringia \u00e0s altas elites. Inclusive, uma das explica\u00e7\u00f5es da origem do termo \u2018torcedora\u2019 referenda o fato de as mulheres no est\u00e1dio, em momentos de afli\u00e7\u00e3o e tens\u00e3o, torcerem seus len\u00e7os para descarregar as emo\u00e7\u00f5es trazidas pelo esporte\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse cen\u00e1rio, Vanessa Egla admite que h\u00e1 ind\u00edcios de mudan\u00e7as nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Por exemplo, o crescente aumento da presen\u00e7a feminina em todos os ambientes ligados ao esporte. No entanto, ela observa que essa evolu\u00e7\u00e3o ainda encontra muitas barreiras, como \u00e9 o caso da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a ascens\u00e3o do futebol pelas massas, as mulheres continuaram frequentando os est\u00e1dios. Com nova roupagem, mas ainda em minoria, sempre acompanhadas e tendentes a esconderem suas feminilidades, usando roupas largas, compridas, cabelo preso em bon\u00e9s ou chap\u00e9us, de forma que ficassem indetect\u00e1veis enquanto mulher em um ambiente masculinizado. Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, contudo, o movimento de mulheres que permeiam o futebol, principalmente as torcedoras, cresceu consideravelmente e novamente mudou de roupagem. Hoje a mulherada j\u00e1 ocupa as arquibancadas em p\u00e9 de igualdade com os homens e, em grande parte, j\u00e1 assumem as feminilidades em suas vestes e comportamentos. Contudo, a viol\u00eancia ainda persiste contra nossos corpos e ainda temos muito a avan\u00e7ar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.dol.com.br\/img\/inline\/800000\/WhatsApp-Image-2023-03-23-at-1154_00803059_1_.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"O Movimento  Feminino de Arquibancada (MFA) realiza a\u00e7\u00f5es e debates que t\u00eam como tema a situa\u00e7\u00e3o da mulher no futebol brasileiro.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>\ud83d\udcf7 O Movimento Feminino de Arquibancada (MFA) realiza a\u00e7\u00f5es e debates que t\u00eam como tema a situa\u00e7\u00e3o da mulher no futebol brasileiro. |<strong>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>MUDAN\u00c7A PARADIGM\u00c1TICA E COLETIVOS FEMININOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Integrante do Movimento Feminino de Arquibancada (MFA), um coletivo de mulheres que luta para mudar o cen\u00e1rio de ass\u00e9dios e viol\u00eancias no meio do futebol, a pesquisadora acredita que a solu\u00e7\u00e3o para os recorrentes casos de viol\u00eancia contra as mulheres, independentemente do local, perpassa por uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica da sociedade e por uma rede de medidas a serem adotadas por todos os agentes sociais que fazem o futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando se fala em mulher no esporte, aduz-se inconscientemente \u00e0 sexualiza\u00e7\u00e3o. Tentamos logo encontrar uma musa. \u00c9 quase autom\u00e1tico. Em 2016, o Atl\u00e9tico Mineiro apresentou seus uniformes da temporada com homens completamente trajados e com mulheres de biqu\u00edni. Precisamos mudar esse paradigma\u201d, pondera Vanessa Egla. \u201cAs campanhas dos clubes em prol das mulheres ocorrem apenas em mar\u00e7o. Precisamos de uma campanha permanente, precisamos de amparo legal e, mais do que isso, precisamos de aplicabilidade das normas, de efetividade. S\u00f3 assim venceremos as viol\u00eancias nos est\u00e1dios\u201d, aponta Vanessa Egla.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.dol.com.br\/img\/inline\/800000\/WhatsApp-Image-2023-03-23-at-1149_00803059_2_.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Encontro de Mulheres Torcedoras em Macei\u00f3, promovido pelo Movimento Feminino de Arquibancada,.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>\ud83d\udcf7 Encontro de Mulheres Torcedoras em Macei\u00f3, promovido pelo Movimento Feminino de Arquibancada,. |<strong>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto essas mudan\u00e7as estruturais n\u00e3o s\u00e3o implementadas de modo efetivo, as mulheres n\u00e3o esperam de bra\u00e7os cruzados. Muito pelo contr\u00e1rio, a cada dia elas est\u00e3o mais dispostas a lutar para provar que esse espa\u00e7o \u00e9 delas tamb\u00e9m, seja nas quatro linhas do campo ou nas arquibancadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esse motivo, explica Vanessa Egla, v\u00e1rios coletivos, movimentos e at\u00e9 mesmo torcidas organizadas femininas t\u00eam surgidos por todo o pa\u00eds nos \u00faltimos anos. Segundo ela, s\u00e3o grupos de torcedoras que lutam por mais para refor\u00e7ar a presen\u00e7a feminina nos est\u00e1dios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas mulheres deixam sim de frequentar est\u00e1dios quando se v\u00eaem desacompanhadas. Observamos que as torcedoras frequentam os est\u00e1dios em grupo, como uma forma de se proteger. O surgimento de grupos de mulheres torcedoras h\u00e1 algumas d\u00e9cadas foi, al\u00e9m de uma forma de expressar o amor pelo time, tamb\u00e9m uma forma de autoprote\u00e7\u00e3o coletiva contra os crimes vivenciados por mulheres nos est\u00e1dios\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CASOS RECENTES DE VIOL\u00caNCIA CONTRA MULHER EM BEL\u00c9M<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Re-Pa da \u00faltima quarta-feira (29), v\u00e1lido pelas semifinais da Copa Verde,&nbsp;<a href=\"https:\/\/dol.com.br\/noticias\/policia\/802666\/re-pa-torcedor-e-preso-apos-tentar-beijar-mulher-a-forca?d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>um torcedor foi preso acusado de importuna\u00e7\u00e3o sexual<\/strong><\/a>. Esse caso, segundo Vanessa Egla, \u00e9 apenas o mais recente exemplo dos riscos aos quais as mulheres est\u00e3o expostas nas pra\u00e7as esportivas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.dol.com.br\/img\/inline\/800000\/Meu-projeto-67008026660_00803059_3_.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Ap\u00f3s ser detido durante  o Re-Pa, no Mangueir\u00e3o, suspeito de importuna\u00e7\u00e3o sexual foi conduzido \u00e0 Delegacia da Mulher.\" data-recalc-dims=\"1\"\/><figcaption>\ud83d\udcf7 Ap\u00f3s ser detido durante o Re-Pa, no Mangueir\u00e3o, suspeito de importuna\u00e7\u00e3o sexual foi conduzido \u00e0 Delegacia da Mulher. |<strong>Reprodu\u00e7\u00e3o\/PCPA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cEm Bel\u00e9m, alguns casos recentes de viol\u00eancia contra as mulheres merecem men\u00e7\u00e3o, como a torcedora do Remo que denunciou publicamente ter sido apalpada por um homem desconhecido no \u00faltimo jogo entre Tuna x Remo, no est\u00e1dio Francisco Vasques. Mesmo tendo denunciado \u00e0 seguran\u00e7a, o homem foi capturado, depois solto, depois fugiu sem nenhum tipo de consequ\u00eancia\u201d, recorda a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo est\u00e1dio Le\u00f4nidas Castro, uma componente do staff do Clube do Remo foi alvejada com socos e empurr\u00f5es dentro do gramado e n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias das consequ\u00eancias. Em outra ocasi\u00e3o, uma jogadora de futebol do Paysandu Sport Club teve uma crise de choro no gramado ap\u00f3s ter ouvido ser chamada de \u2018macaca\u2019 por um torcedor, e n\u00e3o se tem not\u00edcias das penalidades\u201d, enfatiza Vanessa Egla.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTamb\u00e9m houve um caso ocorrido no est\u00e1dio Mangueir\u00e3o, em 2020, quando uma torcedora do Remo denunciou publicamente que foi assediada por um homem que se dizia membro do staff do pr\u00f3prio Clube do Remo e at\u00e9 hoje n\u00e3o se tem not\u00edcias das consequ\u00eancias ou penalidades, mesmo que os tr\u00e2mites judiciais tenham sido seguidos pela torcedora\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a especialista, \u201ctodos os casos mencionados s\u00e3o p\u00fablicos, muitos com proje\u00e7\u00e3o na m\u00eddia e com grande repercuss\u00e3o, e ainda assim sem um desfecho de aplicabilidade das normas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres ainda lutam contra o machismo no futebol paraense Segundo pesquisadora, a viol\u00eancia contra as torcedoras nos est\u00e1dios possui ra\u00edzes hist\u00f3ricas e \u201csomente uma mudan\u00e7a de paradigma\u201d na pr\u00f3pria sociedade colocar\u00e1 um fim nos casos de importuna\u00e7\u00e3o sexual nas arquibancadas. domingo, 02\/04\/2023, 07:04 &#8211; Atualizado 02\/04\/2023, 07:12 -Autor:Reportagem: Sales Coimbra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11566"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11566"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11570,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11566\/revisions\/11570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}