{"id":11383,"date":"2022-10-23T10:00:16","date_gmt":"2022-10-23T13:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=11383"},"modified":"2022-10-23T10:00:18","modified_gmt":"2022-10-23T13:00:18","slug":"pesquisadores-identificam-a-principal-especie-de-camarao-corrupto-no-brasil-e-encerram-debate-cientifico-de-quase-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/pesquisadores-identificam-a-principal-especie-de-camarao-corrupto-no-brasil-e-encerram-debate-cientifico-de-quase-40-anos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores identificam a principal esp\u00e9cie de &#8216;camar\u00e3o corrupto&#8217; no Brasil e encerram debate cient\u00edfico de quase 40 anos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudo fo conduzido pelo bi\u00f3logo marinho chileno Patr\u00edcio Hern\u00e1ez. Ele coletou mais de mil amostras de crust\u00e1ceos entre os anos de 2015 e 2018 no Brasil.<\/h2>\n\n\n\n<p>Por Mariane Rossi, g1 Santos<\/p>\n\n\n\n<p>23\/10\/2022 05h52&nbsp;&nbsp;Atualizado&nbsp;h\u00e1 4 horas<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/CQ5YX83yZKt5T2x-rKVdH6xibnM=\/0x0:650x352\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/0\/B\/MuBP4QRBGSG3o4ZLQDVg\/corruptopraia1-1-.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Pesquisadores identificam a principal esp\u00e9cie de 'camar\u00e3o corrupto' no Brasil \u2014 Foto: Unesp\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisadores identificam a principal esp\u00e9cie de &#8216;camar\u00e3o corrupto&#8217; no Brasil \u2014 Foto: Unesp<\/p>\n\n\n\n<p>Um crust\u00e1ceo encontrado no litoral brasileiro foi identificado e considerado uma nova esp\u00e9cie do animal conhecido como &#8216;camar\u00e3o corrupto&#8217;. Pesquisadores conseguiram provar, ap\u00f3s quatro anos de estudo, que o camar\u00e3o brasileiro \u00e9 diferente daquele que vive nos Estados Unidos. O resultado da pesquisa colocou um fim em uma pol\u00eamica cientifica que se arrastava h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, o levantamento apontou que existem ainda mais duas novas esp\u00e9cies desse animal, que ainda n\u00e3o foram descritas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi realizado no Instituto de Bioci\u00eancias do C\u00e2mpus do Litoral Paulista (CLP) da Unesp e conduzido pelo bi\u00f3logo marinho chileno Patr\u00edcio Hern\u00e1ez, com a supervis\u00e3o do professor Marcelo Pinheiro. A pesquisa contou com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo chileno realizou tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es em praias do norte ao sul do Brasil. Ele coletou mais de mil amostras de crust\u00e1ceos entre os anos de 2015 e 2018. Os animais popularmente s\u00e3o chamados de &#8216;camar\u00e3o corrupto&#8217;. O nome foi dado por pescadores de Santos para designar um crust\u00e1ceo bastante usado como isca para pesca na costa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O apelido \u00e9 relacionado ao per\u00edodo da ditadura militar, em que os crimes de corrup\u00e7\u00e3o existiam em grande quantidade, mas eram mantidos em segredo, o que inviabilizava a captura dos criminosos. O mesmo acontece com esses animais, que existem em grande quantidade, mas pouco aparecem e eram dif\u00edceis de capturar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/HZsx06RzuqTG3DjgLLx-RNjCLnA=\/0x0:900x603\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/L\/R\/fWTMo5Rs2YnDn29EjW8Q\/corruptopraiagonzaga1-900x603.jpg?resize=640%2C429&#038;ssl=1\" alt=\"Patr\u00edcio Hern\u00e1ez coletando corrupto na praia do Gonzaga, em Santos \u2014 Foto: Patr\u00edcio Hern\u00e1ez \" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcio Hern\u00e1ez coletando corrupto na praia do Gonzaga, em Santos \u2014 Foto: Patr\u00edcio Hern\u00e1ez<\/p>\n\n\n\n<p>Ao caminhar nas praias de Santos e S\u00e3o Vicente, \u00e9 poss\u00edvel observar, a beira-mar, o crust\u00e1ceo emergindo por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo. Ap\u00f3s o recuo da mar\u00e9, ele deixa um pequeno buraco na areia \u00famida. Os pescadores usam uma bomba manual de suc\u00e7\u00e3o, \u00e0 base de cano de PVC, para captur\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O animal ganhou proje\u00e7\u00e3o, entre os anos de 1960 e 1990, por conta das pesquisas do bi\u00f3logo S\u00e9rgio de Almeida Rodrigues, da USP. Ele detectou diferen\u00e7as morfol\u00f3gicas entre o camar\u00e3o encontrado nas praias do Brasil com aquele identificado no estado da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos, descrito em 1818 e foi denominado&nbsp;<em>Callichirus major.<\/em>&nbsp;O mesmo nome era utilizado para designar todas as popula\u00e7\u00f5es da costa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Identifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo brasileiro, apesar de identificar diferen\u00e7as, n\u00e3o teve tempo de descrever a nova esp\u00e9cie. \u201cO problema \u00e9 que as caracter\u00edsticas que ele levantou foram demasiadas vari\u00e1veis e isso n\u00e3o permitiu validar a pesquisa dele. Ele n\u00e3o conseguiu publicar esse resultado e continuou-se chamando&nbsp;<em>Callichirus<\/em>\u201d, explica Hern\u00e1ez.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as an\u00e1lises das amostras do bi\u00f3logo chinelo permitiram apontar, pela primeira vez, as caracter\u00edsticas do animal encontrado na costa do Brasil. Ele e os demais pesquisadores usaram a&nbsp;<strong>biologia molecular.<\/strong>&nbsp;Eles compararam o sequenciamento gen\u00e9tico das amostras brasileiras com as americanas, que est\u00e3o no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Washington, nos Estados Unidos, e com um material existente no Museu de Zoologia da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma&nbsp;<strong>marca digital&nbsp;<\/strong>distingue a esp\u00e9cie brasileira daquelas que est\u00e3o distribu\u00eddas na costa dos Estados Unidos, no Golfo do M\u00e9xico, no Caribe e no Caribe colombiano. Segundo o bi\u00f3logo, a esp\u00e9cie brasileira possui diferen\u00e7as morfol\u00f3gicas, entre outras, no ped\u00fanculo ocular, no ped\u00fanculo antenular e no quel\u00edpodo (\u201cpin\u00e7a\u201d), tanto no macho como na f\u00eamea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a regi\u00e3o anterior da cabe\u00e7a, que \u00e9 chamado assim em camar\u00f5es, e que possui dois pares de antenas. Entre o primeiro par de antenas existem os ped\u00fanculos oculares, onde est\u00e3o os olhos dos animais\u201d, explica ele. \u201cParece algo bem complexo, mas \u00e9 f\u00e1cil de entender quando voc\u00ea observa as figuras\u201d, comenta o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, uma nova esp\u00e9cie surgiu e foi batizada de&nbsp;<strong><em>Callichirus corruptus<\/em><\/strong>, sendo a mais frequente e dominante no litoral brasileiro. Antes da identifica\u00e7\u00e3o, consideravam-se quatro esp\u00e9cies distintas do g\u00eanero&nbsp;<em>Callichirus<\/em>&nbsp;no mundo. Um distribu\u00edda da costa da Fl\u00f3rida para o norte dos Estados Unidos, outra do Golfo do M\u00e9xico para o sul at\u00e9 o Caribe colombiano, uma do Panam\u00e1 at\u00e9 o Golfo da Calif\u00f3rnia (Oceano Pac\u00edfico) e outra na costa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a identifica\u00e7\u00e3o, o animal brasileiro n\u00e3o \u00e9 mais considerado da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Callichirus major,&nbsp;<\/em>aquela encontrada nos Estados Unidos. J\u00e1 os outros dois animais do g\u00eanero&nbsp;<em>Callichirus<\/em>, presentes no Golfo do M\u00e9xico e no Oceano Pac\u00edfico, ainda precisam ser descritos.<\/p>\n\n\n\n<p>A zona de ocorr\u00eancia de&nbsp;<em>Callichirus corruptus<\/em>&nbsp;\u00e9 do Par\u00e1 a Santa Catarina, mas possivelmente esteja tamb\u00e9m distribu\u00eddo na costa da Guiana e da Venezuela, segundo o bi\u00f3logo. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel comparar o material com aquele coletado na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/EtWgd75nx0QZyrb--x6VfDxBmuw=\/0x0:900x341\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/R\/X\/pyZg7lSIuDRldgGnGt1w\/corruptopraiaocorrencia-900x341.jpg?resize=640%2C242&#038;ssl=1\" alt=\"Zona de ocorr\u00eancia de C. corruptus \u00e9 do Par\u00e1 a Santa Catarina \u2014 Foto: Unesp\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Zona de ocorr\u00eancia de C. corruptus \u00e9 do Par\u00e1 a Santa Catarina \u2014 Foto: Unesp<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel ecol\u00f3gico<\/h2>\n\n\n\n<p>O camar\u00e3o corrupto \u00e9 pr\u00f3prio de praias com areias de gr\u00e3os finos ou m\u00e9dios. O bi\u00f3logo explica que a esp\u00e9cie t\u00eam um papel ecol\u00f3gico muito relevante pois esses animais s\u00e3o consumidores de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles constroem um sistema de galerias sob a areia. Com esse h\u00e1bito escavador, essa esp\u00e9cie mant\u00e9m e renova habitats para outros organismos, al\u00e9m de promover o retorno da mat\u00e9ria org\u00e2nica e a reciclagem de nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, nas praias de Santos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma grande quantidade de galerias de camar\u00f5es corruptos por metro quadrado. \u201cQuanto voc\u00ea caminha, voc\u00ea v\u00ea muitos buraquinhos. Isso porque essa praia em particular, est\u00e1 com uma carga de mat\u00e9ria org\u00e2nica elevada por causa da grande quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica que chega pelo emiss\u00e1rio. Toda essa mat\u00e9ria org\u00e2nica ela \u00e9 limpada pelos camar\u00f5es corruptos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Patr\u00edcio Hern\u00e1ez outros tr\u00eas colegas assinam o artigo sobre a descoberta, que foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Natural History, um dos mais tradicionais no campo da zoologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, conseguir confirmar a predi\u00e7\u00e3o do professor Sergio Rodrigues e dar o nome pelo qual a esp\u00e9cie ficou conhecida nas praias do Brasil \u00e9 a grande resultado desse estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes voc\u00ea n\u00e3o consegue em vida defender algum mist\u00e9rio da biologia e \u00e9 o caso do professor Rodrigues, que fez uma grande contribui\u00e7\u00e3o. Nosso trabalho vem um pouco a reivindicar o trabalho dele e esclarecer aquela d\u00favida cient\u00edfica que se persistia h\u00e1 mais de 40 anos. N\u00f3s contribu\u00edmos com um gr\u00e3ozinho de areia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/X6Fx9yiFBBaQ-WkmErBqVsRuQkE=\/0x0:650x353\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/p\/n\/VlA8vyTjuyrlr0E7kp5g\/corruptopraia1-areia.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Animal tem um h\u00e1bito escavador e deixa buraquinhos na areia da praia  \u2014 Foto: Unesp \" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Animal tem um h\u00e1bito escavador e deixa buraquinhos na areia da praia \u2014 Foto: Unesp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo fo conduzido pelo bi\u00f3logo marinho chileno Patr\u00edcio Hern\u00e1ez. Ele coletou mais de mil amostras de crust\u00e1ceos entre os anos de 2015 e 2018 no Brasil. Por Mariane Rossi, g1 Santos 23\/10\/2022 05h52&nbsp;&nbsp;Atualizado&nbsp;h\u00e1 4 horas Pesquisadores identificam a principal esp\u00e9cie de &#8216;camar\u00e3o corrupto&#8217; no Brasil \u2014 Foto: Unesp Um crust\u00e1ceo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11383"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11384,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383\/revisions\/11384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}