{"id":10745,"date":"2022-06-11T13:52:40","date_gmt":"2022-06-11T16:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=10745"},"modified":"2022-06-11T13:52:42","modified_gmt":"2022-06-11T16:52:42","slug":"da-falta-de-teto-para-dormir-a-inseguranca-alimentar-o-aumento-da-pobreza-e-vulnerabilidade-no-am","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/da-falta-de-teto-para-dormir-a-inseguranca-alimentar-o-aumento-da-pobreza-e-vulnerabilidade-no-am\/","title":{"rendered":"Da falta de teto para dormir a inseguran\u00e7a alimentar: o aumento da pobreza e vulnerabilidade no AM"},"content":{"rendered":"\n<p>A Cr\u00edtica<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente o Brasil possui 33,1 milh\u00f5es de brasileiros sem ter o que comer. J\u00e1 na regi\u00e3o Norte a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante, pois 71,6% da popula\u00e7\u00e3o possui algum grau de inseguran\u00e7a alimentar<strong>Giovanna Marinho<\/strong>giovanna@acritica.com11\/06\/2022 \u00e0s 08:30.Atualizado em 11\/06\/2022 \u00e0s 11:19<img decoding=\"async\" alt=\" (Foto: Gilson Melo)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acritica.com\/image\/policy:1.272404.1654906410:1654906410\/image.jpg?w=640&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\"><\/p>\n\n\n\n<p>(Foto: Gilson Melo)<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados das pesquisas confirmam o que est\u00e1 encancarado pelas ruas: a pobreza cresceu. N\u00fameros mais recentes da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) indicam que 33,1 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o t\u00eam o que comer.&nbsp; Na regi\u00e3o Norte a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante, pois 71,6% da popula\u00e7\u00e3o possui algum grau de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dessas pessoas \u00e9 a dona de casa, m\u00e3e de quatro filhos, Deydiane Kathleen, 32. Ela e o marido, moradores do bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus, foram v\u00edtimas de um golpe, onde os criminosos realizaram um empr\u00e9stimo de R$ 10 mil, e, agora, veem a \u00fanica renda da fam\u00edlia, um sal\u00e1rio m\u00ednimo, ter um desconto de R$ 600 todos os meses h\u00e1 quase um ano j\u00e1 que o valor \u00e9 debitado automaticamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto n\u00e3o encontram uma solu\u00e7\u00e3o com o banco, a fam\u00edlia tem que lidar com o amargor da fome. No dia em que nossa reportagem foi at\u00e9 a resid\u00eancia deles, que fica nos fundos da casa do pai de Deydiane, a geladeira estava vazia e eles sequer sabiam o que iriam comer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEst\u00e1 sendo muito dif\u00edcil e no momento quando a gente almo\u00e7a n\u00e3o janta, quando janta, n\u00e3o almo\u00e7a tem dias que n\u00f3s n\u00e3o temos nem o que tomar no caf\u00e9 da manh\u00e3. Ainda mais a gente que tem filho pequeno e n\u00e3o tem nada para dar. A gente que \u00e9 adulto entende, mas as crian\u00e7as n\u00e3o conseguem\u201d, declarou a dona de casa com l\u00e1grimas nos olhos.&nbsp;<img decoding=\"async\" alt=\"Sem emprego, e tendo que pagar cerca de R$ 600 por m\u00eas ao banco, Deydiane Kathleen precisou vender a botija de g\u00e1s para conseguir alimentar os filhos por alguns dias (Foto: Gilson Mello)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acritica.com\/image\/policy:1.272405.1654906488:1654906488\/image.jpg?w=640&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\"><\/p>\n\n\n\n<p>Sem emprego, e tendo que pagar cerca de R$ 600 por m\u00eas ao banco, Deydiane Kathleen precisou vender a botija de g\u00e1s para conseguir alimentar os filhos por alguns dias (Foto: Gilson Mello)<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, somente o marido dela tem emprego como auxiliar de servi\u00e7os gerais. Desde que o filho menor nasceu e ela deixou o servi\u00e7o de diarista, mas ajudava na renda familiar com a venda de brigadeiros pelas ruas da cidade. Por\u00e9m, h\u00e1 alguns meses o fog\u00e3o da casa parou de funcionar e o \u00fanico dinheiro que entrava diariamente, cerca de R$ 40, usado para comprar comida, n\u00e3o existe mais.<\/p>\n\n\n\n<p>O desespero por conta da fome \u00e9 tanto que a botija de g\u00e1s foi recentemente vendida para poder garantir alguns dias de comida na mesa. A ajuda agora vem dos vizinhos e de parentes, que nem sempre conseguem colaborar. A filha mais velha, de 16 anos, procura&nbsp; emprego para ajudar nas contas. Por enquanto, a fam\u00edlia&nbsp; \u00e9 benefici\u00e1ria do Aux\u00edlio Estadual de R$ 150, mas ainda n\u00e3o conseguiu aprova\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Brasil e est\u00e1 na lista de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCada dia que a gente vai comprar algo no mercado est\u00e1 tudo mais caro. Compra um quilo de arroz hoje de tr\u00eas e pouco e quando vai amanh\u00e3 est\u00e1 cinco. Meu filho toma \u2018massa\u2019 (mingau) uma lata \u00e9 treze reais, tem dia que est\u00e1 15. Estou aguardando o Leite do Meu Filho, mas eles falaram que s\u00f3 posso come\u00e7ar a receber quando receber o Aux\u00edlio Brasil. Eu estou precisando de fog\u00e3o e uma botija e alimentos. At\u00e9 a mochila das meninas irem para escola \u00e9 compartilhada\u201d, relatou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com R$ 400<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente na resid\u00eancia da dona de casa, Lisomar Queiroz, 48. H\u00e1 pouco tempo ela morava com a filha Maria Eduarda, 9 anos, nos bancos do Terminal 2, zona Sul de Manaus. Ap\u00f3s o tempo de agonia, ela conseguiu acesso ao Aux\u00edlio Brasil, mas os R$ 400 s\u00e3o todos revertidos para o pagamento do aluguel de um quarto no bairro Grande Vit\u00f3ria, zona Norte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem encontrou m\u00e3e e filha \u00e0s margens de um igarap\u00e9 no bairro Educandos, zona Sul da capital, em uma miss\u00e3o: encontrar o ex-marido de Lisomar, pai de Eduarda, que vive nas ruas e foi visto pela regi\u00e3o. Naquela manh\u00e3 havia sido o primeiro dia de aula da menina, que atrasou o ingresso na escola por conta da pandemia e da situa\u00e7\u00e3o rua. Devido \u00e0 demora, Maria Eduarda est\u00e1 fora da idade-s\u00e9rie.<img decoding=\"async\" alt=\"C\u00e1ssia Roz\u00e1ria diz que em 2017 a estimativa era que 750 pessoas esavam nas ruas, somente no Centro da capital, e os dados j\u00e1 estavam defasados. (Foto: Gilson Mello)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acritica.com\/image\/policy:1.272406.1654954370:1654954370\/image.jpg?w=640&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\"><\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1ssia Roz\u00e1ria diz que em 2017 a estimativa era que 750 pessoas esavam nas ruas, somente no Centro da capital, e os dados j\u00e1 estavam defasados. (Foto: Gilson Mello)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje foi o primeiro dia de aula da filha, que passou dois anos sem frequentar a escola por conta da pandemia. A gente n\u00e3o tinha como acompanhar pela internet e ela n\u00e3o tinha como assistir aula. Precisei ir ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00e0 Defensoria para que a minha filha pudesse estudar\u201d, contou Lisomar.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher tem um problema card\u00edaco rec\u00e9m-diagn\u00f3sticado e h\u00e1 meses procura assist\u00eancia m\u00e9dica para realizar o tratamento. Por isso a venda de doces ficou insustent\u00e1vel. Os alimentos chegam em casa somente com doa\u00e7\u00f5es. Para fazer comida ela anda com um cantil onde armazena etanol doado em postos de combust\u00edveis, uma pr\u00e1tica arriscada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dia desses quase taquei fogo na casa. Fui acender o fogo, mas o f\u00f3sforo n\u00e3o apagou direito e foi fogo pra todo o lado. Chamuscou uma parte do meu cabelo. A minha filha que foi desesperada chamar os vizinhos. Se tu for l\u00e1 em casa s\u00f3 vai ver \u00e1gua. Eu tenho geladeira porque a vizinha n\u00e3o tinha mais como pagar o aluguel e foi pra rua e vendeu a geladeira e o fog\u00e3o por R$ 100 cada\u201d, disse Lisomar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Moradores de rua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pobreza somada ao desemprego que atinge 11,5 milh\u00f5es de brasileiros, empurra a popula\u00e7\u00e3o para as ruas. Dados mais atualizados da Secretaria Municipal da Mulher, Assist\u00eancia Social e Cidadania (Semasc) mostram que o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua mais quase dobrou nos \u00faltimos anos. Em 2019 eram 275 e passou para 466 em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero, por\u00e9m, ainda est\u00e1 longe da realidade. A coordenadora da Pastoral do Povo de Rua, segmento da Igreja Cat\u00f3lica que presta assist\u00eancia a esse p\u00fablico, C\u00e1ssia Roz\u00e1ria, diz que em 2017 a estimativa era que 750 pessoas estavam nas ruas somente na regi\u00e3o do Centro da capital, e os dados j\u00e1 estavam defasados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, segundo ela, o n\u00famero saltou para cerca de 2500, sem considerar outras zonas da cidade pelas quais essas pessoas est\u00e3o se deslocando.<\/p>\n\n\n\n<p>Com crescimento da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, moradores de rua e fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam o que comer, os trabalhos desenvolvidos pela pastoral ficam sobrecarregados. Atualmente, s\u00e3o acompanhados pelos volunt\u00e1rios da Casa de Acolhida Dom S\u00e9rgio Castriani, na zona Centro-Sul de Manaus, 250 moradores de rua e 185 fam\u00edlias em vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia deixou claro que esse n\u00famero vem se avolumando em diferentes segmentos e status sociais. Antes se pensavam que [a popula\u00e7\u00e3o de rua] era apenas adultos jovens, usu\u00e1rios de uma subst\u00e2ncia n\u00e3o-l\u00edcita, seja \u00e1lcool ou drogas, que acaba caindo do v\u00edcio e vai pra rua. Mas, hoje temos fam\u00edlias inteiras com pais, m\u00e3es e filhos que perderam v\u00ednculo empregat\u00edcio, provedor da fam\u00edlia, \u00e0s vezes faleceu, a pandemia levou o provedor da fam\u00edlia e eles n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de se manter na casa de parentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amparo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A C\u00e1ritas, bra\u00e7o da Igreja Cat\u00f3lica, que cuida do amparo aos mais pobres, percebeu esse aumento na procura da assist\u00eancia durante as a\u00e7\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es em frente aos hospitais, para as fam\u00edlias de pessoas acometidas pela Covid-19, os moradores dos bairros pr\u00f3ximos tamb\u00e9m buscaram alimentos e ajuda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m dessas pessoas para qual estavam sendo destinados esses alimentos, a popula\u00e7\u00e3o ao redor come\u00e7ou a chegar. Eram moradores de rua e da pr\u00f3pria comunidade pr\u00f3xima. A gente come\u00e7ou a separar para eles uma quantidade de alimentos para alimentar essas pessoas. E a gente percebeu que tinha muita gente que estava vindo sem alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, declarou secret\u00e1rio-executivo da C\u00e1ritas, di\u00e1cono Afonso Brito.<img decoding=\"async\" alt=\"Grupo Caritas, da Igreja Cat\u00f3lica, tem tentado ajudar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e vulnerabilidade (Foto: Gilson Mello)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acritica.com\/image\/policy:1.272407.1654906766:1654906766\/image.jpg?w=640&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\"><\/p>\n\n\n\n<p>Grupo Caritas, da Igreja Cat\u00f3lica, tem tentado ajudar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e vulnerabilidade (Foto: Gilson Mello)<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele per\u00edodo foram distribu\u00eddos, nos grandes hospitais, mais de 35 mil refei\u00e7\u00f5es e mais de 100 mil cestas b\u00e1sicas. Para tentar amenizar essa situa\u00e7\u00e3o Arquidiocese Metropolitana de Manaus tem fortalecido as a\u00e7\u00f5es de combate a fome com a cria\u00e7\u00e3o de cozinhas comunit\u00e1rias em v\u00e1rias regi\u00f5es. O que, infelizmente, conforme o di\u00e1cono, n\u00e3o \u00e9 o suficiente para atender tamanha demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFora das campanhas n\u00e3o entra nada [de ajuda]. Precisamos de apoio e sempre buscamos ajuda tamb\u00e9m para fazer campanha e manter a quantidade de refei\u00e7\u00f5es nos dias que as cozinhas funcionam. Essas 9 mil toneladas [de alimentos] que foram arrecadas no pentecostes n\u00f3s vamos direcionar para isso\u201d, esclareceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Pastoral do Povo de Rua vive de doa\u00e7\u00f5es tanto de fieis cat\u00f3licos quanto esp\u00edritas que tamb\u00e9m colaboram para as a\u00e7\u00f5es. Na Casa de Acolhida s\u00e3o oferecido banhos, roupas, kits de higiene e alimenta\u00e7\u00e3o. Por meio desse acompanhamento s\u00e3o distribu\u00eddas 350 refei\u00e7\u00f5es aos s\u00e1bados e domingos, com pontos na Igreja dos Rem\u00e9dios e na Catedral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 atendimento de assist\u00eancia social para encaminh\u00e1-los aos servi\u00e7os que eles precisam como as interna\u00e7\u00f5es aos dependentes qu\u00edmicos, encaminhamento para os albergues da Prefeitura, emiss\u00e3o de documentos e assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desemprego e a vida nas ruas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Pinto, 48, foi uma das pessoas que perderam o emprego durante a pandemia e n\u00e3o teve outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o morar na rua por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pagar o aluguel. Ele ficou cerca de 6 meses nessa condi\u00e7\u00e3o e narra a experi\u00eancia traum\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cViver na rua \u00e9 muito ruim. Voc\u00ea n\u00e3o tem um banheiro, n\u00e3o tem um banho, n\u00e3o tem nada. Voc\u00ea anda com o b\u00e1sico do b\u00e1sico. Enfrenta sol, chuva, frio, fome \u00e9 discriminado, principalmente quando \u00e9 negro. As pessoas me viam com maldade. E a maldade na rua \u00e9 24 horas. E na rua voc\u00ea adquire isso para se defender para andar na mesma linha de quem j\u00e1 estava ali\u201d, relatou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O abrigo s\u00f3 veio quando ele chegou \u00e0 Catedral Metropolitana de Manaus. Agora ele tenta se restabelecer socialmente e espera conseguir uma casa para alugar com apoio da Pastoral do Povo de Rua. Jo\u00e3o at\u00e9 conseguiu um emprego em uma pizzaria.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade do pizzaolo, no entanto, ainda \u00e9 distante para o morador de rua Andr\u00e9 Katiwau, 45 anos. Natural de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, noroeste do Amazonas e veio para as ruas de Manaus quando a filha faleceu h\u00e1 cerca de quatro anos.&nbsp; Apesar das dificuldades para se alimentar, ele afirma que n\u00e3o gosta de pedir dinheiro e vive do que consegue arrecadar com a venda de latinhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Achamos Andr\u00e9 em uma cabana improvisada em um igarap\u00e9 do Educandos, bem em frente uma unidade do Prosamim, dias ap\u00f3s a morte de uma amiga que o acompanhava pelas ruas. Segundo ele, ela foi assassinada h\u00e1 cerca de uma semana. O morador de rua afirma que tamb\u00e9m j\u00e1 sofreu amea\u00e7as e foi agredido.&nbsp;<img decoding=\"async\" alt=\"Andr\u00e9 Katiwau vive atualmente em uma barraca improvisada no bairro Educandos (Foto: Gilson Mello)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acritica.com\/image\/policy:1.272408.1654954595:1654954595\/image.jpg?w=640&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\"><\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Katiwau vive atualmente em uma barraca improvisada no bairro Educandos (Foto: Gilson Mello)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu trabalho. Eu pago porque eu n\u00e3o gosto de pedir. Eu acho isso feio. At\u00e9 porque t\u00eam pessoas que pedem para [manter] o v\u00edcio. Ent\u00e3o, pra n\u00e3o receber certas piadas eu prefiro n\u00e3o pedir. Eu fiquei sem dire\u00e7\u00e3o na vida e vim parar aqui, mas em nome de Jesus em breve eu chego na minha casa\u201d, prospectou Andr\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o do Estado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo do Amazonas est\u00e1 realizando a expans\u00e3o da rede de restaurantes populares como estrat\u00e9gia para combater \u00e0 fome no estado e para isso foram investidos mais de R$ 20 milh\u00f5es. De janeiro at\u00e9 abril, foram fornecidas 90,4 mil refei\u00e7\u00f5es e 10,9 mil litros de sopa em todas as unidades do Prato Cheio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento as unidades da capital est\u00e3o situadas nos bairros Jorge Teixeira, Novo Israel, Centro, Alvorada, Parque S\u00e3o Pedro, Rio Piorini, Alfredo Nascimento, Bairro da Uni\u00e3o, Compensa, Parque Mau\u00e1 e Riacho Doce.&nbsp; J\u00e1 no interior os munic\u00edpios de Manacapuru, Autazes, Itacoatiara, Tef\u00e9, Barreirinha, Parintins, Rio Preto da Eva, Tabatinga, Mau\u00e9s, Iranduba, Borba e Humait\u00e1 possuem unidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A Prefeitura de Manaus concentra as a\u00e7\u00f5es de \u00e2mparo aos moradores de rua no Centro de Refer\u00eancia Especializado para Pessoas em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (Centro Pop) onde \u00e9 provido&nbsp; orienta\u00e7\u00e3o e encaminhamentos a outros servi\u00e7os socioassistenciais das demais pol\u00edticas p\u00fablicas que possam contribuir na constru\u00e7\u00e3o da autonomia, da inser\u00e7\u00e3o social e da prote\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem a acesso a espa\u00e7os de guarda de pertences, de higiene pessoal, de alimenta\u00e7\u00e3o (Caf\u00e9 e Almo\u00e7o), proporciona endere\u00e7o institucional para utiliza\u00e7\u00e3o que serve como refer\u00eancia do usu\u00e1rio para a provis\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o civil e encaminhamentos para a rede socioassistencial.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio atende ainda no Albergue Gecilda Albano, no Servi\u00e7o de Acolhimento Institucional Amine Daou Lindoso (SAI Amine Daou) e em&nbsp; cozinhas comunit\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cr\u00edtica Atualmente o Brasil possui 33,1 milh\u00f5es de brasileiros sem ter o que comer. 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