{"id":10504,"date":"2022-05-17T14:04:44","date_gmt":"2022-05-17T17:04:44","guid":{"rendered":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blogbelem\/?p=10504"},"modified":"2022-05-17T14:04:46","modified_gmt":"2022-05-17T17:04:46","slug":"limites-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/limites-da-mente\/","title":{"rendered":"LIMITES DA MENTE"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Veja por que seu c\u00e9rebro s\u00f3 consegue fazer uma coisa por vez<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p>Novos estudos indicam que \u00e9 imposs\u00edvel desempenhar v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo de maneira atenta, derrubando a ideia de pessoas &#8220;multitarefas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0ter\u00e7a-feira, 17\/05\/2022, 13:52 &#8211; Atualizado em 17\/05\/2022, 13:51 &#8211;\u00a0\u00a0Autor:\u00a0<strong>FOLHAPRESS<\/strong>\/DOL<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fmwl.press%2FDOL722836\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Veja%20por%20que%20seu%20c%C3%A9rebro%20s%C3%B3%20consegue%20fazer%20uma%20coisa%20por%20vez&amp;via=diariodopara&amp;url=https%3A%2F%2Fmwl.press%2FDOL722836\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pinterest.com\/pin\/create\/button?url=https%3A%2F%2Fmwl.press%2FDOL722836&amp;description=Veja%20por%20que%20seu%20c%26%23233%3Brebro%20s%26%23243%3B%20consegue%20fazer%20uma%20coisa%20por%20vez\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"\/\/mwl.press\/DOL722836\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.dol.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/720000\/Multitarefas_00722836_0_.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Estudo aponta que ningu\u00e9m \u00e9 capaz de prestar aten\u00e7\u00e3o em muitas coisas ao mesmo tempo\" data-recalc-dims=\"1\">\u00a0Estudo aponta que ningu\u00e9m \u00e9 capaz de prestar aten\u00e7\u00e3o em muitas coisas ao mesmo tempo | Reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0.<\/p>\n\n\n\n<p>Aideia de que \u00e9 poss\u00edvel prestar aten\u00e7\u00e3o em duas ou mais coisas ao mesmo tempo \u00e9 uma ilus\u00e3o: o m\u00e1ximo que a mente humana consegue fazer \u00e9 saltar muito rapidamente de uma tarefa para outra. Novos estudos sugerem que essa limita\u00e7\u00e3o deriva da arquitetura profunda do c\u00e9rebro, um \u00f3rg\u00e3o que precisaria se virar com um suprimento mais ou menos fixo de energia trazido pelos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 vida que funciona no limite, quase for\u00e7ando a barra -mas funciona, que \u00e9 o que importa&#8221;, diz a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, pesquisadora da Universidade Vanderbilt (EUA) e colunista da Folha de S.Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela e seus colegas est\u00e3o propondo um modelo diferente para enxergar como o c\u00e9rebro lida com suas necessidades energ\u00e9ticas. Em vez de supor que o organismo \u00e9 capaz de redirecionar todos os recursos necess\u00e1rios para os tecidos cerebrais sempre que houver demanda para isso, eles argumentam que a estrutura do \u00f3rg\u00e3o precisa sempre lidar com o fato de que tem pouca margem de manobra -da\u00ed a necessidade de resolver um problema cognitivo por vez, entre outras restri\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas ao funcionamento dele.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora detalha os dados em favor dessa hip\u00f3tese em artigos no peri\u00f3dico especializado Frontiers in Integrative Neuroscience. Entre os coautores dos estudos est\u00e3o Lissa Ventura-Antunes e Oisharya Moon Dasgupta, tamb\u00e9m da Universidade Vanderbilt, e Douglas Rothman, da Universidade Yale (EUA).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GASTO ENERG\u00c9TICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como qualquer outro \u00f3rg\u00e3o, o c\u00e9rebro depende da rede de vasos sangu\u00edneos distribu\u00edda pelo nosso organismo para sobreviver. Neur\u00f4nios e demais c\u00e9lulas cerebrais s\u00e3o abastecidas com oxig\u00eanio e glicose (a\u00e7\u00facar) por meio dos capilares sangu\u00edneos, fin\u00edssimas &#8220;mangueiras&#8221; que desembocam nelas. O sangue chega aos capilares a partir da art\u00e9ria car\u00f3tida principal, respons\u00e1vel por abastecer a cabe\u00e7a e o pesco\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se ainda que o c\u00e9rebro \u00e9 uma estrutura particularmente &#8220;beberrona&#8221;, feito um autom\u00f3vel nem um pouco econ\u00f4mico na hora de usar combust\u00edvel. Entre seres humanos, ele pode consumir entre 20% e 25% da energia gasta pelo corpo ao longo do dia, embora corresponda apenas a algo entre 2% e 3% do peso corporal. Em menor escala, esse disp\u00eandio desproporcional de energia por parte do c\u00e9rebro tamb\u00e9m vale para outras esp\u00e9cies de mam\u00edferos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe intrigante nesse aparente esbanjamento de energia \u00e9 que, embora o fluxo sangu\u00edneo possa quase dobrar em determinada regi\u00e3o do c\u00e9rebro que esteja sendo ativamente usada (digamos, o c\u00f3rtex visual, crucial para a vis\u00e3o, quando algu\u00e9m est\u00e1 examinando os detalhes de uma fotografia), o consumo de oxig\u00eanio aumenta muito menos nessa mesma regi\u00e3o cerebral. Tal &#8220;desacoplamento&#8221; aparente, que intriga neurocientistas h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, \u00e9 agora explicado pela capacidade de transporte de oxig\u00eanio do sangue para o c\u00e9rebro, limitada pela densidade de capilares no tecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, tem ficado cada vez mais claro que o c\u00e9rebro aparentemente em repouso, quando o indiv\u00edduo est\u00e1 acordado, mas sem se envolver em nenhuma tarefa cognitiva definida, na verdade est\u00e1 t\u00e3o ativo, e consumindo tanta energia, quanto um c\u00e9rebro mais &#8220;focado&#8221;. Em outras palavras, o tecido nervoso funcionaria de um jeito completamente diferente dos m\u00fasculos, por exemplo, que s\u00f3 passam a gastar muita energia quando a pessoa est\u00e1 movimentando alguma parte do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>A esses dados se soma uma an\u00e1lise detalhada do consumo de glicose nos neur\u00f4nios de camundongos e ratos, realizada por Herculano-Houzel, Ventura-Antunes e Dasgupta. O trio de pesquisadoras verificou que, embora a densidade de neur\u00f4nios (ou seja, quantas dessas c\u00e9lulas est\u00e3o empacotadas num dado espa\u00e7o) possa variar centenas de vezes dependendo da regi\u00e3o do c\u00e9rebro dos roedores, a densidade de capilares que abastecem cada regi\u00e3o varia, no m\u00e1ximo, quatro vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as cientistas, isso joga por terra a ideia de que o c\u00e9rebro estaria organizado de maneira a alimentar com mais oxig\u00eanio e glicose as regi\u00f5es que s\u00e3o mais &#8220;famintas&#8221; por causa da grande quantidade de neur\u00f4nios, j\u00e1 que o aumento da densidade de c\u00e9lulas nervosas n\u00e3o \u00e9 acompanhado de um aumento proporcional de capilares sangu\u00edneos. Na verdade, tudo indica que as \u00e1reas com mais densidade de neur\u00f4nios recebem proporcionalmente menos combust\u00edvel do que as que t\u00eam uma concentra\u00e7\u00e3o menor dessas c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conjunto, tudo isso sugeriria que o m\u00e1ximo que o c\u00e9rebro consegue fazer \u00e9 redirecionar ligeiramente a distribui\u00e7\u00e3o de recursos para certas \u00e1reas, dependendo da atividade realizada. \u00c9 a\u00ed que se inserem as implica\u00e7\u00f5es da hip\u00f3tese para entender as limita\u00e7\u00f5es da aten\u00e7\u00e3o humana (e de outros animais).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 extremamente dif\u00edcil fazer bem duas coisas ao mesmo tempo. Faz\u00ea-las em sequ\u00eancia \u00e9 mais f\u00e1cil&#8221;, resume o neurocientista portugu\u00eas Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, mesmo as pessoas que parecem funcionar bem como &#8220;multitarefas&#8221; em geral est\u00e3o apenas alternando com frequ\u00eancia entre uma tarefa e outra. E v\u00e1rios estudos mostram que, na grande maioria dos casos, a qualidade das tarefas realizadas tende a cair quando s\u00e3o realizadas em paralelo. Tamb\u00e9m podem surgir efeitos negativos de longo prazo sobre a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Herculano-Houzel, h\u00e1 ind\u00edcios de que ocorra uma esp\u00e9cie de cabo de guerra entre as diferentes estruturais cerebrais nesse caso, com saltos da aten\u00e7\u00e3o de uma modalidade sensorial para a outra (da audi\u00e7\u00e3o para a vis\u00e3o, digamos). &#8220;O que Doug [Rothman] e eu propomos \u00e9 que existe uma limita\u00e7\u00e3o fundamental, de origem energ\u00e9tica, a fazermos v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo; claro que outros sistemas funcionam por cima dessa limita\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Se a proposta estiver correta, ela pode trazer implica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da compreens\u00e3o mais detalhada sobre como o c\u00e9rebro funciona. O mecanismo poderia ajudar a entender por que certas regi\u00f5es do c\u00e9rebro s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 perda de suas fun\u00e7\u00f5es durante o decl\u00ednio cognitivo natural que acontece no envelhecimento, ou em formas mais severas dele, como a doen\u00e7a de Alzheimer. Uma das possibilidades, dizem os pesquisadores, \u00e9 que justamente as regi\u00f5es com maior densidade de&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja por que seu c\u00e9rebro s\u00f3 consegue fazer uma coisa por vez Novos estudos indicam que \u00e9 imposs\u00edvel desempenhar v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo de maneira atenta, derrubando a ideia de pessoas &#8220;multitarefas&#8221;. \u00a0ter\u00e7a-feira, 17\/05\/2022, 13:52 &#8211; Atualizado em 17\/05\/2022, 13:51 &#8211;\u00a0\u00a0Autor:\u00a0FOLHAPRESS\/DOL \u00a0Estudo aponta que ningu\u00e9m \u00e9 capaz de prestar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10504"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10505,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions\/10505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alvopesquisa.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}